É absolutamente incrível olhar para a evolução do campeonato do Mundo de Pilotos e ver que a Ferrari e a Mercedes, leia-se Sebastian Vettel e Lewis Hamilton se entretiveram numa animada disputa pontual, que foi inicialmente favorável ao piloto do carro vermelho, mas que ‘virou’ em Monza, tendo de seguida três fins de semana absolutamente dramáticos para a Scuderia. Apesar de Lewis Hamilton ter passado para a frente do campeonato em Monza, ninguém esperava o que se passou a seguir…
Depois de ter tido uma primeira parte de temporada sem grandes problemas técnicos, apesar de ter recorrido ao quarto turbo compressor para cada um dos seus pilotos bastante cedo, de repente, tudo parece acontecer aos homens de Maranello.
Se em Singapura foi Vettel a criar um problema, na Malásia a Scuderia teve três dificuldades técnicas terminais com as suas unidades de potência, uma com Raikkonen – que o impediu de tomar parte na corrida – e duas com o alemão, que o parou na terceira sessão de treinos-livres e o impediu de tomar parte na qualificação, quando já tinha montado seu quarto V6 turbohíbrido. No domingo passado o germânico sentiu o quarto problema de motor da Ferrari em duas semanas, algo inaceitável para os padrões atuais.
O mais impressionante é que foram questões técnicas distintas e em versões diferentes da unidade de potência italiana – Vettel teve um problema no seu terceiro motor na Malásia, não especificado e, depois, na sua quarta, uma nova versão, foi verificado um tubo de admissão defeituoso, situação também observada no terceiro V6 turbohíbrido de Raikkonen, que era, contudo, de uma versão anterior. Em Suzuka, foi uma vela de ignição a levar o tetracampeão mundial ao abandono e a colocá-lo numa situação extremamente complicada nas contas pelo Campeonato de Pilotos.
Face a problemas tão díspares e, subitamente, recorrentes, as conclusões a tirar são duas: ou os homens de Maranello tiveram sorte ao longo da temporada; ou então estão a arriscar no desenvolvimento na tentativa de extraírem toda a performance possível do Ferrari SF-70H. Seja como for, esta poderá ser uma consequência do enorme salto competitivo dado pela equipa de Maranello entre o ano passado e este ano, precisando de dimensionar o seu departamento de qualidade à realidade que hoje vive e ao ritmo de desenvolvimento impressionante que tem vindo a protagonizar este ano.
Sérgio Marchionne já apontou que é preciso melhorar esta área da equipa, o que já aconteceu, com uma contratação para o departamento de mesmo se isso não signifique despedimentos ou recrutamentos, podendo ser apenas uma questão de metodologia.
Jorge Girão











