Quanto tempo levará a Liberty Media a mudar a F1?

Por a 21 Julho 2017 13:09

Deposto Bernie Ecclestone fica a questão de como poderão os novos donos da Fórmula 1 melhorar a disciplina. Nos últimos meses foram-se ouvindo planos, aqui e ali, mas num ‘navio’ tão grande não é fácil mudar-lhe rapidamente o rumo…

Para já convém perceber que medidas já tomaram os homens da Liberty Media. Isto porque a limitar a ação da equipa liderada por Chase Carey estão contratos que só expiram em 2020. Há um primeiro ponto na ‘agenda’, que a ver pelos últimos desenvolvimentos está na ordem do dia – a questão da distribuição das verbas a receber por cada equipa, que não é pacífica e que está diretamente ligada ao ‘fim de linha’ da Manor.

Os novos donos querem criar um caminho alternativo ao pagamento por estatuto atual, que beneficia equipas como a Ferrari. Isso seria conseguido, segundo a Liberty, oferecendo 2% da Formula One à ‘scuderia’ de Maranello desde que esta prescindisse dos pagamentos adicionais ao ‘prize money’ de que beneficia atualmente. Será isso possível? Sinceramente parece pouco provável que Sergio Marchionne e Maurzio Arrivabene prescindam de tal benesse quando têm ainda mais três anos para continuarem a beneficiar dela.

Carey apela às mentes mais comerciais das equipas que entendam um modelo de gestão diferente, que tem por fim tornar a Fórmula 1 mais rentável e operar sob algumas restrições de custos. Há exemplos recentes de que se pode fazer mais com menos, a Force India. Há também outros de como a atual divisão de lucros pode ter efeitos nefastos, como é o caso da Manor.

A pressão para mudar é grande, quase na mesmo proporção que existe para se resistir a essa mudança. Como noutras épocas, há quase uma separação na F1 entre as equipas que representam construtores e as outras, que invariavelmente têm menos peso nas decisões na disciplina. Desde 2014 que se vem falando da necessidade de se alterar o estatuto financeiro, mas Bernie Ecclestone nunca foi apologista de tais mudanças. E por isso não foi de admirar que Caterham e Marussia colapsassem.

Já se viu que para evitar seguir esses exemplos, a Force India pediu um adiantamento. O que para já parece ter provocado uma fratura entre as equipas mais pequenas, uma vez que a Haas não gostou do pedido e bloqueou-o. Face a todos estes obstáculos fica a questão – como é que a Liberty Media os ultrapassará e fará diferente de Ecclestone?

O CALENDÁRIO

A F1 debate-se com vários problemas no que ao espetáculo desportivo diz respeito e expandir o calendário para além das 21 corridas efetuadas na época passada, das 20 deste ano, para 25 não parece o caminho mais certo para o conseguir. Sabe-se que Chase Carey é adepto desta ideia – Ross Brawn nem tanto – mas de qualquer forma trata-se de um tema em que também as equipas têm de estar de acordo. E isso parece de momento pouco provável.

Há pouco que se possa fazer para impedir a Liberty de celebrar novos contratos com os organizadores das corridas, sendo as únicas exceções as provas do Médio Oriente, onde Ecclestone deu poder ao Bahrein para que outras corridas tivessem lugar cativo, consentindo a prova de Yas Marina, em Abu Dhabi, desde que estivesse a altura oposta da temporada. As decisões da Liberty respeitantes aos contratos com as provas podem revelar as suas prioridades, mantendo provas como o Bahrein, que paga um enorme ‘fee’ para ter o seu grande prémio mas que atrai pouquíssimos espetadores. Que por outro lado não são uma prioridade em termos de mercado para os construtores de automóveis envolvidos na F1. Toda esta realidade tem motivado um ceticismo internacional generalizado, questionando como pode ser prioridade aumentar o número de corridas no lugar de realizar corridas nos sítios certos.

Estas decisões vão levar tempo a tomar e a produzir resultados. Os novos donos da F1 têm de negociar 20 contratos diferentes, alguns deles em vigor até 2026. O caso de Silverstone é paradigmático e poderá ser um sinal do poder tolerante da Liberty para resolver algumas soluções. Isto depois dos responsáveis pela prova britânica – nomeadamente Derek Warwick, presidente do BRDC (promotor do evento) – querer ‘esticar a corda’ relativamente a algumas liberdades que exige no seu contrato e que organizadores de outras corridas não têm. Neste momento, como se sabe, há o risco da Fórmula 1 ficar sem Silverstone para lá de 2019, pois estes acionaram a cláusula de rescisão.

A Liberty continua a dizer que as provas europeias são chave para o futuro da F1 e essa é a verdade, pois a Europa é o coração do desporto automóvel de todo o mundo. Foi no Velho continente que tudo começou é aqui que está a base de adeptos das principais competições será um erro trocar uma boa prova europeia de F1 pelo dinheiro dos ‘Bahrein’ da vida.

Já se sabe também que a Liberty não se vai libertar das Pay TV, pelo contrário o que vai continuar a acontecer é a migração para canais pagos em todo o mundo. Dificilmente se irá chegar às 25 corridas rapidamente, mas vai caminhar-se para lá. Quanto mais eventos estiverem no calendário, mais horas de conteúdos existem para que os difusores vendam publicidade. Quanto mais receita for recebida das TV, mais dinheiro vai para as equipas. Quanto mais gente assistir às corridas, a F1 mais atraente esta se torna para os patrocinadores. Mas a forma como as corridas serão vistas pelos adeptos é uma das chaves para o futuro, e a palavra que continua a surgir é ‘digital’. Chase Carey planeia criar um pacote premium para permitir que os adeptos de todo o mundo sigam a F1 pela internet.

Ainda nem sequer passou um ano desde que a Liberty tomou as rédeas da F1, por isso não se pode esperar que alguma coisa mude muito rapidamente, mas os sinais são positivos, e a questão da assunção do erro dos motores que a F1 tem neste momentos (aqui em paralelo com a FIA) são um bom sinal que há gente que tem a mente mais aberta aos erros que se cometem e quer remediá-los…

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