O Autódromo do Estoril foi hoje notícia um pouco por todo o lado, uma vez que estará numa situação de ilegalidade desde a sua construção, em 1972, isto porque nunca terá tido licença de construção ou utilização, com a sua construção a ocupar terrenos que são agora reclamados pelos donos, Câmara Municipal de Cascais e privados. Pelo menos foi o que escreveu o Público. Neste contexto, o Município cascalense pensa mesmo em expropriar o complexo, que como se sabe pertenceu ao grupo Grã-Pará, mas que o ‘deu’ como pagamento de dívidas à Parpública, a empresa que gere as participações do Estado.
A ser verdade que a licença não existe, basicamente tratam-se apenas de questões burocráticas, e que não impediram, muitas dezenas de vezes, que elementos dos sucessivos governos tivessem marcado presença no complexo, presenciando alguns dos maiores eventos desportivos dos mundiais, como é o caso da Fórmula 1, do Mundial de Ralis, MotoGP, só para dar três exemplos. Ao comum adepto a única coisa que verdadeiramente interessa é que o circuito do Estoril nunca sucumba ao ‘imobiliário’ e se isso alguma vez suceder, que seja com a pista e não, ao invés dela. A quase constante presença de eventos de marcas, testes de equipa, ou competições, muitas delas de alto nível, justificam perfeitamente que se mantenha por muitos e bons anos um autódromo que já ‘fez’ mais do que o suficiente para ficar bem registado nos livros da história do desporto automóvel mundial…
Ironicamente, horas depois de ter sido publicado pelo Público a notícia original, um familiar dos antigos donos do Autódromo do Estoril, Francisco Moura Pinheiro, publicou no seu Facebook o que refere serem as licenças provisórias e originais do Autódromo do Estoril. Mais um capítulo na longa história do Autódromo do Estoril…











Isto é para rir, ou é uma cartada da câmara para ficar com o autódromo?
Eis um exemplo do que chamo “nacional porreirismo”! Temos das leis das mais avançadas do mundo, mas que não se cumprem. E o estado, está ainda e sempre na 1ª linha dos incumpridores. Dou um exemplo, um apartamento no último andar tinha uma piscina ilegal na cobertura. Foi feito, foi penhorado pelo estado, e obviamente que foi para asta pública sem que a legalização fosse feita; a piscina desfeita; ou pelo menos o assunto resolvido. O futuro dono, se estiver fora do contexto, irá receber cá um brinde! Isto se não for o antigo proprietário que o voltou a comprar.
Se bem que qualquer um possa forjar um dado documento e publicá-lo no facebook,não me parece ser esse o caso do sr. Francisco Moura Pinheiro até porque não faz sentido um autódromo como o do Estoril, que está homologado para receber grandes prémios de F1, não ter as mais elementares licenças de construção e utilização.
Isto cheira-me a manobra da autarquia para mais uma vez destruir o autódromo e especular com os terrenos onde o mesmo está situado.
Cumps
A história desta pista dava uma saga com muitos capítulos. Há uns anos li um livro que conta a história do autódromo, e é realmente impressionante os interesses que à volta daquele empreendimento se geraram com os sucessivos governos pós-abrilistas. Uma tristeza em que poucos ficam bem na fotografia. Uma história que infelizmente se repetiu em N casos após a “gloriosa revolução do 25” e das barbaridades que se seguiram.
E por aqui me fico.