Terminados que estão oito dias de testes da nova geração de Fórmula 1, já há muitas e boas conclusões para tirar. Longe ainda de sabermos o que vai suceder em Melbourne, pelo menos também já não existe a indefinição de janeiro, quando a única coisa que se pode fazer é especular. Neste momento já não estamos a supor cegamente o que irá acontecer, como em janeiro ou fevereiro, mas também não conseguimos ter certezas que o que vimos, é exatamente o que vai acontecer. É um pouco como resolver uma equação com algum número apagado, trabalhamos com o que pensamos que temos; umas vezes dá certo, outras nem por isso…
Esta segunda semana foi mais uma impressionante demonstração da Ferrari. De um campeonato horrível para os favoritos e com muita confiança foram apenas oito dias. Kimi Raikkonen com 1:18.634s foi quase 0.7s mais rápido que Valtteri Bottas (1:19.310s), registos ambos feitos com pneus super macios, e Sebastien Vettel podia ter chegado ao 1:17 com os ultra macios se não se tivesse ‘armado’ em Usain Bolt e diminuído a velocidade antes de passar na meta. Claro que os tempos nos testes não são totalmente indicativos e 100% fiáveis do que aí vem, mas pelo menos deu para ver que estão ao lado da Mercedes. A diferença que estas duas semanas fizeram.
Já a Mercedes escondeu tanto o seu jogo que até fez inveja aos melhores jogadores de Poker. Vindos de um tricampeonato relativamente fácil a equipa alemã está numa posição interessante. O monolugar é muito fiável e é rápido, agora, a diferença de 0.7s para a Ferrari é real ou a Mercedes não deu o seu máximo nos testes? A Mercedes permanece um enigma, e é mesmo assim que eles querem estar.
Red Bull em terceiro? Com a Ferrari e a Mercedes a lutarem pelos primeiros lugares a Red Bull foi trabalhando calmamente em Barcelona para melhorar e aproximar-se dos dois da frente. O RB13 não é uma deceção, mas ouvir Max Verstappen a dizer que não “está preocupado” com o monolugar não é propriamente o que se espera ouvir.
A Williams será a “melhor dos restantes”. A primeira semana foi complicada, mas a segunda foi ao encontro do que a equipa precisava. Os tempos rápidos mostram que é o mais forte candidato a ser a melhor equipa do meio do pelotão, batendo a sua maior rival (Force India) por este posto. Foram cerca de 600 voltas e uma excelente performance, que tendo em conta os recursos limitados comparado com as três equipas da frente mostram um desempenho impressionante para a equipa de Grove.
No fim está a McLaren… e as notícias são muito piores do que os adeptos esperavam. Os problemas com o motor Honda são muito mais graves do que se pensava, e as esperanças em sair dos últimos lugares já morreram e a época ainda não começou… Este é sem dúvida o tempo mais negro da McLaren na F1.
Rodrigo Fernandes











