Fernando Alonso estava contente no final do dia de hoje, já que realizou 119 voltas, bem mais do que as 45 que realizou nos… três testes do ano passado. Para além disso, reagiu aos boatos que referem a possibilidade de sair da McLaren e da F1 se o carro não lhe agradar…
Como foi o teu primeiro dia de testes?
Foi bom. É bom estar de volta, porque foi o maior interregno de que me consigo lembrar, pois só começámos os testes de inverno na terceira semana de fevereiro, um pouco mais tarde que em anos anteriores. É bom completar um bom número de voltas, que não consegui o ano passado. Tínhamos feito 7 voltas no primeiro dia, 25 no segundo e 13 no terceiro, e depois fomos para a Austrália. Na quinta ou sexta corrida é que descobrimos coisas pequenas que afetavam a fiabilidade e performance do carro. A nossa principal prioridade este inverno é garantir que analisamos esses problemas e que encontramos soluções. Acho que fizemos isso, pelo menos na fiabilidade, e estou orgulhoso da equipa pelo trabalho que toda a gente teve com o carro. Gostei do dia de hoje, mas ainda há performance que temos que encontrar e a maior do trabalho que fizemos foi para estudar a aerodinâmica e a fiabilidade, como temperaturas da água e dos travões. São coisas que não atraem muito um piloto, porque qualquer pessoa pode fazer estas voltas. Estou à espera de poder mexer na afinação, trabalhar com os pneus macios e andar com níveis diferentes de combustível.
Sentes que o motor tem mais potência?
Sem dúvida. Mas dúvidas é coisa que eu não tinha. A falta de potência que tínhamos o ano passado, quando comparada com a das outras equipas, era muito grande, por isso trabalhámos em todas as áreas do carro. Desde a aerodinâmica a peças que não são muito inovadoras. Talvez os outros tenham tido esta ideia o ano passado, mas para nós são novidade e precisamos de algum tempo para amadurecer o conjunto. Para a unidade motriz é a mesma coisa. O ano passado foi de muita aprendizagem, mas agora, com uma filosofia completamente nova na unidade motriz, ainda precisamos de algum tempo para a compreender e explorar todo o seu potencial.
O que achas de todas as histórias que andam a circular a dizer que não vais terminar a época com a McLaren-Honda?
Estou muito surpreendido com estes boatos. Mas sempre houve muitos boatos. Quando estamos tanto tempo fora da pista, há uma tendência perigosa para ser criativo com as notícias. Mas agora que estamos em pista espero que os boatos acabem.
Vais estar cá para todo o ano?
Claro. E para o próximo ano também.
Quando regressaste à McLaren o ano passado tinhas objetivos ambiciosos. Ainda tens confiança que os vais concretizar?
Honestamente, não sei. Não há uma bola de cristal na Fórmula 1 que te diga onde vais estar durante o ano depois do primeiro dia de testes. Temos que esperar até à Austrália quando estamos todos com as mesmas condições de pista, pneus super-macios e pouco combustível. Mesmo assim, temos que esperar duas ou três corridas para saber como vais estar durante o ano. Estando aqui, ou na fábrica, ou mesmo quando estiver no avião para a Austrália, a ambição vai estar elevada porque não estou aqui só para viajar pelo mundo fora e diverti-me no carro ao domingo. Estou aqui para ganhar, e penso que os 22 pilotos querem todos o mesmo.
Achas que podes ganhar corridas este ano?
Gostava de poder dizer que sim, mas o domínio da Mercedes ainda não acabou e eles continuam muito fortes. Tivemos uns dias de testes interessantes, mas com esta quantidade de voltas temos objetivo definidos sobre o que queremos aprender. Quando eles tirarem todo o potencial do carro, se calhar vão ser mais fortes do que nunca, mais que nos dois anos anteriores. Vencer não vai ser fácil, mas estou muito orgulhoso do que a equipa conseguiu nos últimos meses. Podemos atingir o título de termos o melhor carro e o melhor chassis quando chegarmos às corridas europeias, por isso estamos muito motivados. Mas não é uma solução mágica nem uma bola de cristal, quero estar competitivo e lutar por um lugar importante, mas não sei como vai ser.
Estás surpreendido com a saída do Arai?
Para ser sincero, tinha lido a notícia à hora de almoço e meti-me no carro para ir falar com a equipa e saber mais, mas acho que temos de esperar pelas mudanças que a Honda fez. Ainda não sabemos tudo o que aconteceu por isso vamos esperar pelo que eles têm para dizer.
Luis Vasconcelos











