Filipe Palmeiro foi o único nome nacional a participar no Dakar 2015 integrando a equipa X-Raid. Nesta que foi a sua nona presença na prova, o piloto partilhou o cockpit do Mini AlLL4 Racing com o chileno Boris Garafulic, na primeira vez que formaram dupla na mítica maratona.
Numa edição que partiram com o objetivo de terminar no top 10, acabaram por não ir além do 12º lugar, numa prova em que não tiveram quaisquer problemas, mas em que o objetivo ficou aquém do esperado ao terem falhado um way point. No entanto, Filipe Palmeiro considera “que foi uma participação bastante positiva”, destacando a forte concorrência deste ano:
“Em termos de resultado provavelmente não foi aquele que nós tínhamos ambicionado, mas se olharmos (…) para os dez primeiros deste ano, em relação aos outros anos, temos uma Toyota muito mais forte, devido aquilo que a FIA tem vindo a fazer (ndr. com as alterações nos regulamentos os carros a gasolina tinham uma redução de peso de 60 kg e um restritor maior) e a própria evolução que eles têm feito nas Toyota, estão muito mais fortes.
Em termos de prova em si, aquilo que nos correu mal foi a questão do way point, que foi ali uma situação um bocado ingrata para uma série de participantes, nós também falhámos, levámos a penalização de 40 minutos e perdemos mais um bocado de tempo porque chegámos ao próximo way point, e voltámos ainda 20 km para trás para tentar apanhar aquele e pronto, não conseguimos, foi muito complicado”, explicou.
Na opinião do navegador português: “Acho que foi um Dakar bastante duro, mas todos o são, porém houve ali uma ou outra etapa mais complicada. Foi marcado pela negativa o facto de ser um Dakar com muito pouca areia, muito poucas dunas, e, por outro lado, com muito fesh-fesh, muitos buracos, pistas que não eram bonitas, ‘chatas’, complicadas e perigosas. O tipo de terreno que escolheram para este ano, em detrimento do deserto e das dunas, se calhar fazia mais falta o Perú ou algo com essas características que tem muitas etapas com muitas dunas e pistas mais interessantes, de resto, nós não tivemos praticamente problemas nenhuns, exceto a questão do way point”.
MINI – o segredo da longevidade
Com a MINI a provar mais uma vez que é o carro a bater, assinando a sua quarta vitória consecutiva, este ano, pelas mãos de Nasser Al-Attiyah, Filipe Palmeiro aponta o ‘segredo’:
“Acho que o MINI tem uma excelente fiabilidade, porque se formos a analisar, em termos de performances, neste momento as coisas estão muito equilibradas, ou talvez até haja alguma vantagem para a concorrência, mas depois nós nunca paramos, a questão é essa, em termos de fiabilidade e resistência, e aquilo que se calhar diferencia o MINI dos outros é que nunca para. No Dakar por vezes perdemos num terreno, ganhamos no outro, mas o principal é não parar, acho que é isso que marca a diferença”, afirma.
Nesse sentido, Filipe Palmeiro dá o exemplo da Peugeot: “Se formos a analisar as equipas que estiveram no Dakar, e acho que é o caso da Peugeot este ano, não e fácil chegar ao Dakar ver e vencer, leva tempo, tem que se ter muitos quilómetros e muita experiência, as evoluções que são feitas têm que ser muito testadas, muito viáveis. Às vezes fazem-se evoluções e tem que se voltar atrás, tem que se perceber que se calhar não era aquilo o correto e anular, porque não são fiáveis, portanto acho que têm que se fazer muitos km e muitos testes antes de chegar ao Dakar. Quanto há experiência, não é num ano, em dois ou três que e possível chegar a este nível”.
Num carro muito similar à versão de 2014, o português apontou ainda as principais evoluções neste novo Mini ALL4 Racing: “Há ali dois ou três pormenores que fizeram a diferença, não há muita coisa, não houve mudanças de fundo, como há dois anos, quando mudámos o chassis e o centro de gravidade. Este ano o teto do carro era completamente diferente, tirámos alguns quilos da parte de cima do carro. Os radiadores que estavam em cima vieram ligeiramente mais para baixo, o que fez alguma diferença em termos de centro de gravidade, e houve algumas diferenças nos braços de suspensão que tornaram o carro mais macio e mais fácil de utilizar, menos agressivo em termos de suspensão para nós. Aacho que foram essas as principais mudanças”.
Já quanto ao seu futuro: “Como é normal nunca tenho muito a certeza daquilo que vou fazer mas, aquilo que foi falado é que vou continuar com o Boris Garafulic, durante o ano, e em principio vamos ao Abu Dhabi Desert Challenge, que é uma das primeiras provas da Taça do Mundo de Todo-o-Terreno. O objetivo é fazermos três ou quatro provas para tentarmos evoluir um pouco mais o MINI e ver o que conseguimos fazer no Dakar”.










