Os irmãos Rui e Paulo Ramalho estiveram em evidência na Rampa da Penha, prova inaugural do Campeonato Nacional de Montanha que, no último fim de semana, teve lugar e cujas origens remontam já ao longínquo ano de 1929.
As previsões meteorológicas não eram favoráveis para todo o fim-de-semana e efectivamente isso veio a comprovar-se, embora ainda que no sábado os pilotos conseguissem realizar a 1ª subida de prova com o traçado praticamente seco e retirar o máximo partido dos seus carros, contudo, no domingo a chuva marcou presença copiosamente durante todo o dia, complicando em muito o trabalho das equipas e dos pilotos nas restantes subidas de prova. Independentemente das desagradáveis condições do tempo, o público marcou presença em força, como é habitual em Guimarães.
Paulo Ramalho tinha como objectivo discutir as primeiras posições nesta prova, iniciando com algumas cautelas as primeiras subidas de treinos para adquirir ritmo e adaptação às zonas do traçado que ainda se encontravam molhadas ao início da tarde, para na 1ª subida de prova no final da tarde de sábado e com o traçado quase totalmente seco, imprimir um andamento forte. Na sequência deste esforço, o piloto do Porto terminava o dia de sábado na 2ª posição provisória, tendo apenas à sua frente o seu irmão Rui a pouco mais de 1 segundo de distância, portanto, tudo decorria conforme pretendido, ainda para mais, estando as duas primeiras posições na posse dos dois pilotos da equipa PRMiniracing.
Na manhã de domingo e com a chuva a marcar presença de forma rigorosa, obrigou os pilotos a utilizarem pneus de chuva nos seus carros e a redobrarem os cuidados, dado que a possibilidade de despiste era uma realidade. Assim sendo, nestas condições todos os pilotos pioraram os seus tempos comparativamente a sábado, não conseguindo o piloto portuense manter a vantagem que detinha do dia anterior face a alguns dos seus adversários que utilizavam carros de tração às quatro rodas, denotando ainda alguma falta de ritmo nestas condições adversas. Face a isto, Paulo Ramalho terminaria na quinta posição da geral, no cômputo do somatório da sua subida de sábado com a melhor subida de domingo a pouco mais de 4 décimas de segundo do quarto classificado e a cerca de 2 segundos da terceira posição.
Rui, tal como o seu irmão tinha como objectivo discutir um lugar do pódio, sabendo no entanto a forte concorrência dos pilotos dos carros de tração total, que em condições de chuva têm melhores argumentos técnicos.
O piloto mais jovem da equipa por motivos profissionais não teve possibilidade de realizar a primeira subida de treinos de sábado, alinhando directamente na segunda subida de treinos e obtendo logo o melhor tempo da geral com bastante facilidade e naturalidade. Para a derradeira subida de sábado, primeira de prova, Rui manteve o ritmo endiabrado e a liderança, deixando imediatamente atrás de si o seu irmão Paulo.
No domingo, Rui Ramalho tal como o seu irmão, prescindiu de realizar a primeira subida de treinos livres para não correr riscos desnecessários devido à chuva forte que se fazia sentir, guardando-se para as duas últimas subidas de prova que restavam.
Se assim pensou, melhor o fez, dado que na penúltima subida de prova Rui fez uma subida isenta de erros e riscos, tentando perceber as reações do seu Juno e o estado da pista, para na derradeira subida imprimir ainda mais o ritmo e surpreender tudo e todos com o melhor crono absoluto e com isso vencer esta Rampa da Penha, tirando partido da aprendizagem acumulada no ano passado.
O piloto dedicou esta primeira vitória a todos os patrocinadores e a todos os elementos da equipa, sem os quais nada disto teria sido possível.









