As derrotas sofridas pela Red Bull nos três últimos Grandes Prémios deverão ter alterado a estratégia da equipa tecnicamente liderada por Adrian Newey e as pequenas modificações previstas no RB7 para a primeira corrida pós-férias passarão a grandes alterações, o que vai obrigar a Red Bull a ‘trabalhos forçados’, antecedendo as duas semanas de paragem obrigatória.
Claro está que tanto a Ferrari como a McLaren não irão ficar de braços cruzados, tudo farão para continuar a manter o crescendo de forma, e as horas extraordinárias de trabalho serão uma constante. Ou seja, as três principais equipas envolvidas no Mundial, bem como todas as outras, irão exigir aos seus técnicos, mecânicos e demais funcionários um esforço adicional como contrapartida a uma norma regulamentar que é difícil de explicar. De facto, a Fórmula 1 entrar de férias durante quase todo o mês de agosto, tem tanta lógica quanto os campeonatos nacionais de futebol pararem no período de Natal e Ano Novo.
Há quem invoque a favor da paragem a necessidade de dar descanso às equipas, compreendendo pilotos e todos os outros elementos, algo que se afigura falacioso. Os pilotos de Fórmula 1 são (quase todos) generosamente pagos para correr e, melhor ainda, adoram fazê-lo, pelo que um interregno a meio do campeonato durante quase trinta dias, tradicionalmente de bom tempo e de férias para os muitos espetadores que poderiam aproveitar o seu tempo livre para deslocações a diferentes circuitos, não parece ser uma boa solução para a vitalidade, divulgação e saúde financeira da F1.
Já no que diz respeito aos demais elementos das equipas, relativamente aos técnicos mais cotados, o discurso pode e deve ser idêntico ao dos pilotos, e quanto aos mecânicos a situação poder-se-ia resolver também com facilidade aumentando, de forma contida, o quadro de pessoal para permitir que fosse possível o gozo de férias. Poder-se-á argumentar que este tipo de situação conduziria a custos elevados nas estruturas das equipas, mas será que os vencimentos anuais de meia dúzia de mecânicos será incomportável, quando comparado com a R&D de uma pequena asa que até poderá não trazer grandes melhorias, com a opulência das motorhomes e outros tantos gastos de enorme futilidade que são apanágio da atual F1? Haja bom senso.
Rui Freire









