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Dakar Argentina/Chile/Peru: Grande maratona começa hoje

José Luis Abreu by José Luis Abreu
31 Dezembro, 2011
in TT
A A
Dakar Argentina/Chile/Peru: Grande maratona começa hoje

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Com a ausência da Volkswagen, o favoritismo nos autos é agora da da MINI, KTM nas motos, Kamaz nos camiões… e Patronelli nos quads. Os portugueses estão este ano pouco, mas bem representados, através de Helder Rodrigues, Carlos Sousa, Ricardo Leal dos Santos, Francisco Pita, Rúben Faria, Pedro Bianchi Prata e Paulo Gonçalves.

Ao todo, serão 15 dias (de 1 a 15 de janeiro), 14 etapas (seis na Argentina, cinco no Chile e três no Peru) e mais de 8.300 quilómetros de percurso. Pouco menos de 500 concorrentes partem amanhã de Mar del Plata, na Argentina, e do Atlântico ao Pacífico, rumam até Lima, no Peru, onde termina o Dakar 2012. recorde a magnífica história da prova.

1979 – A estreia

Com 170 concorrentes e 10 mil quilómetros pela frente através a Argélia, Nigéria, Mali, Burkina Faso e Senegal, Cyril Neveu inscreve o seu nome como primeiro vencedor, enquanto o primeiro carro termina, à geral… em quarto! Um sucesso e os resultados ficam para segundo plano. Já presente, Hubert Auriol, director do Dakar entre 1994 e 2003.

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1980 – Os camiões surgem

A grande novidade é uma classificação específica para camiões, mas no Prólogo os 15 primeiros lugares são ocupados por motos! Os inscritos aumentam (são agora 216) e Neveu volta a vencer nas duas rodas, enquanto Kotulinsky se impõe nos automóveis e Ataquat faz o mesmo nos camiões.

1981 – De Rolls-Royce…

René Metge (Autos) e Hubert Auriol (Motos) vencem, mas a edição de 1981 fica marcada pela chegada de todo o tipo de veículos: 4×4, buggies, side-cars) e… um Rolls-Royce! Thierry de Montcorgé inscreve um Rolls-Royce com patrocínio da Christian Dior (!) e gasta 2 mil horas a prepará-lo. Claro, ficou pelo caminho…

1982 – Estreia portuguesa

Três anos depois da estreia, o dobro dos concorrentes! Os irmãos Marreau, mais conhecidos como as “raposas do deserto” oferecem a vitória à Renault, enquanto Neveu volta a vencer, agora aos comandos de uma Honda. Estreia dos portugueses: José Megre é 45º, Pedro Cortez termina logo atrás.

1983 – Sem descanso

Pensada sem dia de repouso, uma tempestade de areia leva à anulação de várias especiais… e a três dias sem competição! Jacky Ickx (Autos) e Auriol (Motos) são os grandes vencedores, enquanto os irmãos Marreau trocam os Renault 4 e 20 por um 18 4×4. Megre (47º) e Cortez (42º) regressam.

1984 – Novos horizontes

Com 427 inscritos, Sabine leva o Dakar para a Costa do Marfim, Guiné Serra Leoa e Mauritânia. Com Metge a obter uma segunda vitória nos carros, Ickx convence a Porsche a participar e a marca alemã estreia-se com um sexto posto. E lembram-se de Montgorgé? Depois do Rolls, aposta num proto de 6 rodas. Mesmo resultado… Última participação para a dupla Megre (42º)/Cortez (34º).

1985 – Aristocracia presente

Da Praça da Concorde para Versailles, o príncipe Alberto do Mónaco – e irmã Carolina – participam numa edição marcada pela vitória da Mitsubishi, graças a Patrick Zaniroli, e pelo Mercedes 190 de seis rodas de Jean-Pierre Fontenay, com uma asa traseira pensada para atingir 220 km/h no deserto…

1986 – O luto

Metge e Neveu voltam a vencer, mas ninguém se vai lembrar disto. O helicóptero onde seguia Sabine e outras 4 pessoas despenha-se contra uma duna durante uma tempestade de areia, no Mali. As cinzas de Sabine são espalhadas no deserto, onde é erigida uma lápide em sua memória.: a árvore de Thierry Sabine.

1987 – A dor de Auriol

Entrada de leão da Peugeot e Ari Vatanen, com o Peugeot 205 T16 a conseguir a primeira vitória na primeira tentativa! No entanto, este primeiro Dakar sem o seu fundador fica marcado pela imagem do sofrimento de Hubert Auriol, então líder nas Motos, a terminar a penúltima etapa com os dois tornozelos partidos.

1988 – O roubo do Peugeot!

Edição histórica do Dakar. Lista de inscritos com 603 concorrentes (183 motos, 109 camiões e 311 automóveis), estreia de um tal Peterhansel e um dos mais célebres episódios da prova: o roubo do Peugeot 405 T16 de Vatanen! Desclassificado pela organização, o carro apareceria dias mais tarde, mas já Juha Kankkunen assegurava o segundo triunfo para a marca.

1989 – Estreia da Líbia

Mais um país na rota do Dakar, a Líbia. Com Ari Vatanen a vingar-se do ano anterior, Stéphane Peterhansel não engana ao terminar a sua segunda participação no quarto lugar, numa prova ganha por Gilles Lalay. Nos carros, só o quarto lugar de Guy Fréquelin impede um domínio da Peugeot no pódio (Ickx foi segundo).

1990 – Au revoir Peugeot

Pela primeira vez, uma equipa russa participa com uma viatura russa: é a estreia da Kamaz no Dakar. Nos carros, é o adeus da Peugeot, já que a marca francesa decide abandonar o seu envolvimento no Dakar, mas fá-lo como sempre quis: três primeiros lugares, três Peugeot! Nova vitória de Vatanen.

1991 – Citroën e Schlesser

Rei morto… rei posto! A Peugeot dá lugar à Citroën e três dos quatro pilotos do leão estão de regresso. Para não variar, Ari Vatanen volta a vencer – quarto sucesso! -, numa prova que contou com um motard de… Harley-Davidson e Peterhansel obtém a primeira vitória do seu palmarés. Schlesser estreia um… Schlesser!

1992 – Auriol faz história

Ano de mudanças: Paris-Dakar… Cidade do Cabo! Uma prova transcontinental, com vitória histórica para Auriol. Depois das motos (81 e 83), o sucesso nas quatro rodas. Mas nem a entrada em cena do GPS evita a dureza da prova: tempestade de areia na Mauritânia, guerra no Chade e cheias na Namíbia. Peterhansel de novo.

1993 – Adeus TSO

A última edição do Dakar nas mãos da Thierry Sabine Organization. No seu segundo ano, Bruno Saby vence e oferece à Mitsubishi o tão procurado primeiro triunfo, tendo como navegador Dominique Serieys. Peterhansel continua imbatível nas duas rodas e Auriol é o único piloto a ter estado presente nas 15 primeiras edições.

1994 – Marques & Villar

Vatanen aposta no Mundial de Ralis e a Yamaha boicota a prova, deixando “Peter” apeado. Aos comandos do Citroën ZX, Pierre Lartigue consegue a primeira vitória na estreia da ASO como organizador. Nas duas rodas, Edi Orioli vence na estreia de Paulo Marques (abandono) e Bernanrdo Villar (23º).

1995 – O novo patrão

Depois de piloto de motos e carros, só faltava a Auriol ser director de prova. Lartigue toma-lhe o gosto e volta a vencer, com Peterhansel a vingar-se do ano sábatico a que a Yamaha o obrigara no ano anterior. Marcel Hugueny torna-se o decano do Dakar, com 81 anos! Jacques Lafitte e Philippe Alliot trocam a F1 pelo Dakar.

1996 – A estreia de Sousa

E vão três para Lartigue. Domínio avassalador do francês nos últimos três anos, enquanto Orioli volta a impor-se nas duas rodas (4ª vitória), depois de Peterhansel perder muito tempo (3 horas) num reabastecimento em Marrocos, com gasolina de fraca qualidade. Primeira vitória para a Kamaz.

1997 – Regresso ao Ténéré

Percurso com um regresso ao passado e primeira vitória para um japonês: Kenshiro Shinozuka. Também Jutta Kleindschmidt dá nas vistas ao ser quinta e tornando-se a primeira mulher a ganhar uma etapa. Na ocasião, aos comandos de um buggy do namorado… Schlesser. Nas motos, quinta vitória para Peterhansel.

1998 – Parabéns a você

Dez anos depois da estreia, Stéphane Peterhansel consegue, finalmente, colocar um ponto final nas suas participações em duas rodas, obtendo o sexto triunfo, mais um que o compatriota Cyril Neveu. Também na 20ª edição da mítica africana, Jean-Pierre Fontenay obtém a vitória nos carros.

1999 – Domínio francês

17 anos depois da última vitória de um Renault, Jean-Louis Schlesser leva o seu buggy ao lugar mais alto do pódio. Ao mesmo tempo, outro francês (Richard Sainct) oferece à BMW a primeira vitória nos últimos 14 anos. Kleindschmidt passa pela liderança e Peterhansel estreia-se aos comandos de um automóvel.

2000 – Ameaças terroristas

Num ano que contou com 11 participantes em quad – entre os quais Ricardo Leal dos Santos – e novas vitórias de Schlesser e Sainct, a edição de 2000 ficou sobretudo marcada pelas ameaças terroristas que levaram a organização a suspender a prova durante cinco dias, terminando no Egipto.

2001 – Viva o sexo fraco!

Depois da primeira especial e da liderança, Jutta Kleindschmidt consegue, finalmente, vencer… num ano aziago para Sousa que, com melhor sorte, até poderia ter ganho. Foi quinto. Fabrizio Meoni impõe-se nas duas rodas.

2002 – “Peter” quase, quase…

Hiroshi Masuoka consegue a primeira vitória no Dakar, com Meoni a repetir o primeiro lugar do ano anterior. Depois de no ano passado ter estado perto de vencer, Sousa repete igualmente a posição, voltando a terminar a prova no quinto posto.

2003 – A última de Sainct

O Dakar festeja a sua 25ª edição. Sainct vence e junta-se aos grandes nomes da prova com três vitórias, enquanto Masuoka volta a vencer, mas é Peterhansel a dar nas vistas, por pouco não se tornando apenas o segundo piloto a vencer em duas e quatro rodas. Sousa consegue o seu melhor resultado: 4º. Regresso da VW…

2004 – Mitsubishi x 10

Com Sousa ausente – venceu a Taça do Mundo no ano anterior, mas o orçamento ficou curto -, Peterhansel consegue a ambicionada vitória, tal como Nani Roma. O espanhol teve que esperar pela nona participação para o conseguir! Primeira vitória de um diesel (Luc Alphand em BMW) e estreia de Colin McRae.

2005 – Born in the USA

Ainda sem o carro que o tornará famoso, Robby Gordon troca as pistas da Nascar pela areia do Dakar. Com Sousa de regresso com um sétimo lugar e Guerlain Chichérit a vencer o “Volante Dakar” (menos de 30 anos), Peterhansel voltou a vencer e Cyril Despres estreou-se nas duas rodas – morre Meoni.

2006 – Olá Portugal!

Finalmente, o Dakar passa por Portugal. 300 mil pessoas passam por Lisboa para ver de perto a caravana da prova, em ano de estreias: Carlos Sainz faz o seu primeiro Dakar e Luc Alphand obtém a primeira vitória. Também Rúben Faria dá nas vistas, ao vencer a segunda especial. Só foi pena o resto…

2007 – Somos os melhores…

… por cá, pelo menos! Nova partida de Portugal e os “nossos” não perdem tempo. Carlos Sousa vence a primeira classificativa, enquanto Hélder Rodrigues e Rúben Daria fazem o mesmo nos dois dias. Mesmo sem o saber, Peterhansel obtém a sua última vitória no Dakar aos comandos de um Mitsubishi (a nona da carreira, terceira nos carros). Sousa é sétimo.

2008 – Terrorismo anula Dakar

2009 – No fim do Mundo

Depois do fiasco do ano anterior, rumo à América do Sul. Razões para queixas teve a BMW – Al Attiyah fez batota e foi afastado pela equipa quando era forte candidato à vitória – e, sobretudo, a Mitsubishi. Três dias, três abandonos, sobrando apenas Nani Roma. Ah, é verdade: primeira vitória de um diesel, o do VW de Giniel de Villers.

2010 – A primeira de Carlos Sainz

Carlos Sainz venceu finalmente o Dakar, mas com grande réplica por parte de Nasser Al-Attiyah, não roubando a glória ao espanhol por pouco e depois de muito “bate boca” pelo meio. Entre a comitiva nacional, Carlos Sousa foi sexto e Helder Rodrigues quarto nas duas rodas. A VW reservou o pódio, depois da BMW ter estragado tudo logo de início. Salvou-se o inevitável Peterhansel, mesmo assim com muitos problemas pelo meio.

2011 – Estreias e recordes com vitória de Nasser al-Attiyah

Nasser Al-Attiyah obteve o primeiro triunfo no mítico Dakar, enquanto a VW monopolizou o pódio. Marc Coma averbou a terceira vitória e Vladimir Chagin fez história com a conquista do seu sétimo Dakar, um recorde absoluto. Mas para as cores nacionais, o que interessa mesmo é que Hélder Rodrigues foi terceiro – o melhor resultado português de sempre – e Leal dos Santos terminou em sétimo.

79-82

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2010-2011

Tags: Dakar
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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