Poder-se-á dizer que já se viu de tudo um pouco no Dakar, mas talvez nada que se equipare àquilo que Philippe Croizon vai protagonizar na edição de 2016. O francês, amputado de mãos e pernas, vai alinhar na mais dura prova de todo-o-terreno num buggy adaptado para o efeito.
Parece impossível? De facto sim e Croizon reconhece-o: “Quando explicamos que um homem que não tem braços nem pernas (…) quer conduzir um carro na prova mais dura do mundo, o Dakar, a primeira tendência é dizer ‘não, não é possível’. É uma reação normal, somos ignorantes nesse aspeto, no medo face à incapacidade, mas se mudarmos o nosso ponto de vista, podemos consegui-lo.”
“Podemos dizer que é um novo desafio mas eu diria que é, sobretudo, um novo desejo”, explicou o francês para quem propor-se a realizar o ‘impossível’ não é novidade, ele que em 2013 atravessou o Canal da Mancha a nado, quando se propôs nem sabia nadar, mas conseguiu.
Neste momento o seu buggy está em processo de fabrico, especialmente no que ao banco adaptado diz respeito. “Como irei estar sentado dentro do carro entre 10 a 12 horas, talvez mesmo 15, sem poder mexer-me, preciso de dispor de um sistema de alimentação e de evacuação, para que também possa urinar”, explicou.
Nesta sua participação o piloto irá integrar a Team Tartarin-Croizon, dirigida pelo experiente Yves Tartarin, que tem no currículo 20 participações no Dakar. A equipa conta com cerca de 10 elementos e um camião de assistência, tendo também um segundo carro em prova. O orçamento estimado desta participação é de 500 mil euros.












