A contagem decrescente terminou, e meio século de espera está a chegar ao fim. A Ferrari está de regresso à classe principal do Campeonato do Mundo de Resistência da FIA (WEC), depois de cinquenta anos desde a sua última participação nas corridas de resistência ao mais alto nível. A ocasião histórica está marcada para sexta-feira, 17 de março, quando o Hypercar da equipa italiana, o Ferrari 499P fará a sua estreia nas 1000 milhas de Sebring, a prova de abertura do WEC.
Desde o anúncio, em fevereiro de 2021, do regresso da Ferrari à classe de topo do WEC até à sua estreia na classe Hypercar, a 17 de março de 2023, o 499P passou por várias fases de desenvolvimento, tendo envolvido mais de 30 engenheiros e 24 mil quilómetros de testes somados pelos dois carros italianos.
“Do simulador à pista, aplicámos uma nova metodologia de trabalho para entregar um hipercarro rápido e fiável”, explicou Giuliano Salvi, Ferrari GT & Sports Race Cars Race e Testing Manager. “Podemos falar de três fases principais: no simulador, no banco de ensaios, e na pista. Desenvolvemos o ‘concept car’ do 499P no simulador. Depois começámos a trabalhar em simultâneo no banco de ensaios, recolhendo e analisando cada entrada dos testes do simulador. Quando o carro atingiu um certo nível de maturidade, começámos a trabalhar em pista”.
Os circuitos para os testes foram escolhidos de acordo com as suas características e para maximizar o tempo limitado disponível: Fiorano, Imola, Mugello e Vallelunga; mais Paul Ricard, Aragão e Portimão (três pistas europeias adequadas para testes de resistência). Portimão acolherá também uma ronda do WEC. Os dois carros realizaram um total de mais de 24.000 quilómetros antes de março. “Para os Hypercar, após a homologação do veículo, há um número limitado de testes de pista. Por conseguinte, tentamos aproveitar todas as oportunidades para integrar eficazmente todos os sistemas e melhorar o nível de fiabilidade dos componentes do automóvel”, disse o responsável da Ferrari.
A interação contínua entre o digital e real permitiu afinar os vários componentes do 499P, utilizando dois carros em simultâneo e empregando uma equipa de 30 engenheiros. Durante o desenvolvimento, o trabalho de pista foi responsável por cerca de 70% do esforço, e os restantes 30% ocorreram no simulador. Segundo Salvi, A primeira fase de desenvolvimento centrada na “gestão eletrónica”, “para coordenar o sistema híbrido de 800 volt num layout 4WD, compreendendo um motor elétrico na frente e um motor de combustão interna na traseira. Tendo identificado os problemas, resolvemo-los para que o programa pudesse ser tão contínuo quanto possível”. O responsável explicou que “as áreas que se revelaram mais desafiantes foram a eletrónica, a parte relacionada a unidade motriz híbrida e o sistema de quatro rodas motrizes”. No entanto, “teste após teste, melhoramos o seu funcionamento”, ainda que mesmo após o início do campeonato o seu desenvolvimento não seja estanque, estando a equipa sempre à procura de melhorar o Hypercar.
Os dois Le Mans Hypercars italianos foram confiados a Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen, que partilharão o cockpit do protótipo com o número 50, e Alessandro Pier Guidi, James Calado e Antonio Giovinazzi no número 51.
Foto: Ferrari










