Regressa este fim de semana o Circuito de Vila Real, um evento mítico que remonta aos ano 30 do século passado, e que depois de 16 anos de interregno entre 1991 e 2007, voltou a fazer um hiato de dois anos em 2012 e 2013. Agora, aí está novamente o Circuito de Vila Real, para já ‘apenas’ com as corridas nacionais, mas há vontade de alargar esse âmbito num futuro próximo, caso seja possível reunir todas as condições para o efeito.
A Velocidade em Portugal teve o seu ponto alto nos anos 70, muito por ‘culpa’ dos fabulosos circuitos onde se disputava, e com a falta de pistas permanentes – o Estoril nasceu em 1972 mas foi caso único – traçados como o de Vila Real ou Vila do Conde davam cartas, especialmente o primeiro, praticamente um caso único dado a sua espectacularidade, com curvas rápidas e descidas vertiginosas feitas a fundo que constituíam um verdadeiro desafio aos limites de pilotos e máquinas. A origem do Circuito remonta a 1931 – inserido nas Festas da Cidade – quando Aureliano Barrigas e um conjunto de amigos ‘descobriu’ um traçado de 7.150 metros desde o centro de Vila Real até ao famoso Palácio de Mateus. Gaspar Sameiro, irmão do conhecido piloto Vasco Sameiro foi o primeiro vencedor, em 1934 arrancaram as corridas de motos e só em 1950 o palmarés da prova é enriquecido com uma vitória estrangeira, do italiano Piero Carini.
Em 1958 foi a vez de Stirling Moss entrar na história do circuito, mas o período áureo das corridas de Vila Real deu-se nos finais dos anos 60 e início dos anos 70, com a chegada dos Fórmula 3 e dos Sport-Protótipos, que resultaram em magníficas corridas e colocaram Vila Real verdadeiramente no ‘mapa-mundi’ dos motores a nível mundial. Mais tarde, por ali passaram nomes como David Piper, Jorge de Bagration, Vic Elford, Ronnie Peterson e nas motos, Angel Nieto, Carl Fogarty e Joey Dunlop. As imagens da Avenida Almeida Lucena, a reta da meta, onde estavam as bancadas e tribunas e a passagem na Ponte Metálica sobre o rio Corgo proporcionaram imagens épicas da era romântica das corridas de automóveis. A vigésima edição do circuito, disputada em 1973, foi a última com projeção internacional, pois no que restou das décadas de 70, 80 e princípios de 90, as corridas em Vila Real passaram a ser apenas de carácter nacional. Nos automóveis, a última edição do Circuito Internacional de Vila Real foi ganha por Carlos Gaspar, ao volante de um Lola T290. Mais tade, depois de um grave acidente o Circuito fecharia portas em 1991, reaparecendo depois em 2007 com uma nova versão, mais adaptada às exigentes normas de segurança.
Agora, depois de dois anos de interregno, regressa o mais carismático dos circuitos portugueses. Nos vídeos que se seguem pode recordar alguns dos seus melhores momentos.










