Há muitos portugueses no Rali Dakar, uma realidade habitual que vai além das equipas nacionais. Mesmo fora das estruturas portuguesas, sempre existiram muitos lusitanos na prova da ASO a desempenhar as mais variadas funções. Pedro Almeida, antigo diretor do Rali de Portugal, foi nos últimos anos Diretor de Prova do Dakar, sendo uma das figuras mais qualificadas e conhecedoras das regras e regulamentos a nível mundial.
Antes, como se sabe, foi navegador de grandes pilotos de ralis em Portugal, como Mário Silva, Giovanni Salvi, Carlos Torres ou Francisco Romãozinho, entre outros.
Trabalhou com o ACP no Rali de Portugal ainda nos anos 90, como Responsável pela Segurança, e foi posteriormente Diretor do Rali de Portugal até 2018, momento em que passou a pasta a Horácio Rodrigues.
Posteriormente, rumou ao Qatar, onde trabalhou com a federação local no desenvolvimento do desporto motorizado e como diretor de eventos. Sendo membro da Comissão de Todo-o-Terreno da FIA, foi com naturalidade que David Castera o chamou para assumir o cargo de Diretor do Rali Dakar, função que desempenhou até ao ano passado.
Agora, a convite da Toyota Gazoo Racing South Africa, equipa onde milita João Ferreira, assume o cargo de diretor desportivo.
Em declarações à Sport TV, explicou a mudança: “Ingressei na equipa Toyota SVR com as funções de diretor desportivo, aproveitando a minha experiência anterior como diretor do Dakar. A competição automóvel, os desportos motorizados e, em particular, o todo-o-terreno, envolvem uma regulamentação muito extensa e complexa. Nem sempre os pilotos, sujeitos ao stress da competição, tomam as decisões acertadas face aos regulamentos.”
“A minha função aqui começa por ser essa mesma: formá-los e informá-los sobre a melhor forma de explorar os regulamentos de uma maneira positiva, sem correr riscos de sofrer penalizações. Portanto, é isso que faço, desde o briefing inicial até aos briefings diários, procurando que percebam os erros que outros cometeram, para evitar que eles próprios os cometam no futuro”, disse.
Pedro Almeida recordou ainda o ano em que o ‘Dakar alagou’: “Houve um ano em que as condições atmosféricas foram terríveis e um dos bivaques ficou completamente alagado, submerso, impossível de utilizar. Foi necessário, ao David Castera e a mim, montarmos um esquema alternativo em 24 horas que permitisse a realização da prova, mesmo naquelas condições incríveis. Isto só é realmente possível com a estrutura organizativa de um rali como este Dakar, porque uma coisa é tomar a decisão, mas depois é preciso ter mil pessoas por trás capazes de a implementar. Foi talvez um dos momentos mais difíceis que passei aqui no Dakar.”









