A entrada do Defender no Campeonato Mundial de Rally-Raid da FIA, com a participação no Dakar 2026 na categoria Stock, representa um movimento estratégico que visa resgatar o espírito aventureiro e acessível dos primórdios do mítico rali. A categoria Stock, com regulamentos que permitem a participação de veículos mais próximos dos modelos de produção, alinha-se com a identidade da marca.
O projeto com Peterhansel e Metge sublinha a ambição de demonstrar a robustez e capacidade dos veículos Defender em condições extremas, ao mesmo tempo que oferece uma plataforma para o desenvolvimento e inovação. A equipa não só procurará o melhor desempenho desportivo, mas também a promoção da categoria Stock e a inspiração para uma nova geração de entusiastas do todo-o-terreno.
A ideia, passa por tentar revitalizar a antiga categoria T2, que tantos grandes pilotos ajudou a crescer no Todo-o-Terreno. Os SSV vieram mudar muito a panorama do TT, mas os “carros do dia-a-dia” do fora de estrada continuam a ter uma penetração mínima na Europa, mas muito grande noutras latitudes no mundo, especialmente nos EUA. O mercado europeu tem assistido a um domínio crescente da tipologia SUV, embora os veículos puramente todo-o-terreno mantenham uma quota muito mais restrita, mas no mercado global, a procura é muito impulsionada por regiões onde o terreno e o estilo de vida exigem maior robustez.
Neste particular, claramente a América do Norte lidera o mercado de veículos off-road puros, detendo cerca de 66% da quota global em 2024. Nos EUA, projeta-se que o segmento de “light trucks” (que inclui SUVs e pick-ups 4×4) represente quase 80% de todas as vendas de veículos novos até 2027.
Este novo capítulo na carreira de Peterhansel e a aposta do Defender na categoria Stock realçam uma tendência crescente no mundo dos rally-raids: a valorização de uma abordagem mais próxima das raízes da competição, onde a fiabilidade do veículo e a perícia do piloto na gestão dos desafios do terreno se sobrepõem à supremacia tecnológica dos protótipos. A participação de um ícone como Peterhansel neste formato poderá inspirar outros fabricantes e pilotos a explorar o potencial da categoria Stock, contribuindo para uma diversificação e revitalização da modalidade, que se mantém um teste derradeiro à resistência humana e mecânica.










