Anos de tentativa, um sonho por cumprir: Kris Meeke e o Rali da Madeira. Voltou a cair, mas continua a acreditar e vai voltar. Portanto, um sonho adiado, mas nunca abandonado…
Ainda não é desta que Kris Meeke concretiza o objetivo que há muito persegue: vencer o Rali da Madeira à geral.
A prova ainda decorre, é certo, mas a realidade atual — 69º classificado, a mais de uma dúzia de minutos da frente — torna esse sonho, para já, altamente improvável. Ainda assim, no desporto automóvel, há sempre espaço para o inesperado. Muito inesperado…
A ligação de Meeke à Madeira já atravessa mais de uma década e meia, marcada por tentativa, frustração e uma ambição que nunca esmoreceu. Em 2009, na sua primeira experiência, percebeu rapidamente a dimensão do desafio: “na Madeira devem existir pelo menos 5000 curvas e são todas ‘cegas’. Só com muito conhecimento do traçado poderia ter discutido tempos com os pilotos que foram mais rápidos!”. Foi quinto da geral, mas ficou claro que este não era um rali qualquer.
Em 2010, o cenário repetiu-se, com dificuldades em encontrar o ritmo certo e um desfecho antecipado devido a problemas mecânicos no Peugeot 207 S2000. Depois disso, o percurso levou-o ao WRC, afastando-o temporariamente das estradas madeirenses — mas nunca da ideia de lá voltar para vencer.
O regresso aconteceu em 2023, já com o Team Hyundai Portugal no CPR. Meeke mostrou velocidade, chegou à frente do rali e assumiu riscos elevados para lutar pela vitória. Mas, mais uma vez, a Madeira não perdoou: um acidente colocou um ponto final nas aspirações.
Em 2024, os problemas começaram cedo, logo na super especial, com um princípio de incêndio a comprometer desde início o resultado. Ainda assim, recuperou posições e terminou em sétimo no CPR, mas o azar voltou a bater à porta — e, nessa altura, até perdeu a liderança do campeonato, que acabaria por cair para Armindo Araújo.
Apesar de nunca ter vencido à geral na Madeira, Meeke já provou o seu valor ao conquistar o CPR em 2025. Nessa edição, esteve na luta pela liderança até um furo em Palheiro Ferreiro 2 o afastar da discussão principal. Foi aí que mudou o foco: abdicou da geral para pensar no campeonato. Ainda assim, o título acabaria por escapar nos últimos metros da temporada, para Dani Sordo.
Agora, em 2026, depois do acidente da manhã, continua em prova, mas com uma abordagem diferente — mais consciente, mais estratégica, sem abdicar do sonho. “Agora o resultado não me importa, estou em prova simplesmente para ganhar experiência. Este é um rali que eu quero mesmo, mesmo vencer – talvez o quisesse demais esta manhã, mas pronto, é a vida, jogámos a nossa cartada. De qualquer forma, é o que é, fico com a experiência e espero voltar cá outra vez para tentar vencer.”
Mais do que um objetivo, vencer na Madeira tornou-se quase uma obsessão — uma história inacabada que Meeke se recusa a deixar por escrever. Porque há ralis que se correm… e há ralis que se sentem. E para Kris Meeke, este é, claramente, um deles.








