Toto Wolff admitiu que a Mercedes beneficiou do momento em que foi acionado o Virtual Safety Car no Grande Prémio de Espanha. Esse momento acabou por ser decisivo para a vitória de Kimi Antonelli no Madring. O chefe de equipa da Mercedes reconheceu que a McLaren tinha demonstrado velocidade para vencer, mas elogiou a execução da equipa alemã e a corrida de Antonelli, que terminou à frente de Max Verstappen e Norris para conquistar a oitava vitória da temporada.
“Na maior parte das vezes, tivemos azar com os VSC e os Safety Car este ano. Hoje, os deuses das corridas estiveram connosco”, afirmou Wolff. “Chamámos literalmente o Kimi às boxes quando saiu o VSC. Foi azar para a McLaren, porque foram rápidos. Mas o Kimi guiou muito, muito bem.”
Wolff explicou que a chamada para colocar Antonelli nas boxes resultou de uma reação imediata da estrutura estratégica da Mercedes. O responsável austríaco descreveu uma cadeia de comunicação rápida, desde a leitura do incidente com o Aston Martin até à ordem transmitida ao piloto italiano.
“O processo foi excelente hoje. O grupo de estratégia tinha essa hipótese em mente”, explicou. “Alguém disse: ‘O Aston Martin não vai sair dali depressa’, a estratégia falou com o Bono [Pete Bonnington], o Bono confirmou e o Bono falou com o Kimi. Toda essa conversa aconteceu em três segundos.”
Wolff considerou que a equipa de Woking tinha duas opções plausíveis: abdicar já da liderança ou prolongar o stint na esperança de uma nova neutralização que lhe permitisse recuperar a posição.
“Há duas escolas: parar e abdicar da liderança, ou manter o piloto em pista durante mais algum tempo e esperar por uma bandeira vermelha ou por um incidente”, referiu. “Acho que eles queriam lutar pela vitória, tal como a Ferrari.”
O responsável da Mercedes elogiou também a postura de Antonelli, que voltou a demonstrar tranquilidade numa corrida de elevada pressão. Wolff admitiu, porém, que por vezes o italiano leva essa serenidade a um nível excessivo, recordando o momento em que tocou no muro nas voltas finais e pediu à equipa que verificasse o carro.
“Acho que ele é muito frio — às vezes, demasiado frio”, afirmou Wolff. “Quando roça no muro a cinco voltas do fim e diz pelo rádio ‘verifiquem o carro’, pensamos: ‘A sério, outra vez? Linhas brancas, muros…’ Mas talvez seja assim que se mantém concentrado. Quase que a juventude o ajuda, porque tem 20 anos. Pode ficar neste desporto durante mais 20 anos, com tantas oportunidades. Está muito acima de todas as nossas expectativas, e das dele próprio. Está apenas a deixar as coisas acontecerem.”
Para Wolff, a capacidade de lidar com a pressão é uma característica difícil de ensinar e que Antonelli já demonstrava antes de chegar à Fórmula 1. “Acho que também existe um fator genético. Ou se nasce tranquilo ou não”, comentou. “Vê-se isso nas fórmulas de promoção ou no karting: há pilotos que lidam mais facilmente com a pressão. Ele levou isso a outro nível. Estamos a falar de Fórmula 1. Vemos pilotos jovens a desfazerem-se na Fórmula 2. Ele limita-se a fazer o trabalho dele.”
Apesar de Antonelli ter reforçado a liderança no campeonato, Wolff recusou qualquer sinal de complacência. O chefe da Mercedes lembrou que George Russell continua a ser um piloto capaz de lutar na frente e que a natureza da Fórmula 1 obriga a equipa a manter-se concentrada, sem antecipar as contas finais.
“Ele ainda tem um colega de equipa que pode ser muito rápido. Como equipa, demos um bom passo em frente”, afirmou. “Não queremos tirar o pé do acelerador, ser complacentes ou estacionar demasiado cedo. Isto é automobilismo: é um desporto mecânico e as coisas podem falhar. Não olhamos para os pontos.”
A Mercedes sai assim de Madrid com uma vitória e com Antonelli ainda mais forte na frente do campeonato. Wolff reconhece que a sorte favoreceu a equipa num momento essencial, mas sublinha também que a rapidez de reação no muro das boxes e a gestão de Antonelli foram fundamentais para converter a oportunidade num triunfo.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA










