Se há equipa que conseguiu manter o nível da época anterior para esta, é a Racing Bulls. É justo dizer que o equilíbrio do pelotão mudou radicalmente, com o horizonte competitivo a alterar-se profundamente. Mas a Racing Bulls manteve as premissas do ano passado: um carro que se adequa às necessidades da equipa, uma dupla jovem e com capacidade para marcar muitos pontos.
A equipa de Faenza tinha terminado 2025 em sexto lugar do Mundial de Construtores, com 92 pontos, separada da Aston Martin por uma margem mínima de apenas três pontos. Para 2026, a Racing Bulls apostou numa dupla totalmente nova: Liam Lawson, regressou à equipa depois de uma passagem fugaz pela Red Bull e conseguiu manter o lugar na equipa, enquanto Yuki Tsunoda foi relegado para piloto de reserva, Isack Hadjar foi promovido, e Arvid Lindblad se tornou no único estreante da grelha e, aos 18 anos, o quarto piloto mais jovem da história a competir na categoria. Também vimos mudanças na liderança, com Alan Permane a assumir a liderança técnica após a saída de Laurent Mekies para a Red Bull, assumindo o lugar de Christian Horner em 2025, mudanças que agora começam a assentar.
Um início sólido
A Racing Bulls concluiu a pré‑época de 2026 no Bahrein com um dos programas de trabalho mais consistentes do pelotão, consolidando o estatuto de potencial outsider na luta pelo topo do meio da tabela. Depois de alguns problemas de fiabilidade na fase inicial dos testes, a equipa recuperou na segunda semana, culminando com um dia histórico de Arvid Lindblad, que completou 165 voltas no Bahrain International Circuit — o maior número de voltas alguma vez registado por um piloto num único dia de testes de pré‑temporada em Sakhir. Os bons indicadores iriam refletir-se no arranque da temporada.
Lindblad surpreendeu na primeira corrida em Melbourne, terminando oitavo e tornando-se o terceiro piloto mais jovem da história a pontuar na F1, atrás apenas de Verstappen e Antonelli. Lawson respondeu na China, com pontos na sprint e na corrida principal, repetindo o feito no Japão. Ao fim das primeiras três etapas, a Racing Bulls ocupava o sétimo lugar do Mundial. Mas não foi o arranque que fez a diferença nesta primeira metade da temporada. Foi a consistência da equipa.

O único momento verdadeiramente mau da temporada aconteceu em Miami, onde a equipa ficou sem pontuar com os dois carros. A partir daí, a Racing Bulls foi somando pontos com uma frequência que nenhuma outra equipa do meio da grelha conseguiu igualar: chegou à pausa de verão como a única equipa fora do top 4 a ficar sem pontuar com ambos os carros apenas uma vez em toda a temporada.
Foi essa consistência, mais do que qualquer pico isolado de desempenho, que permitiu à Racing Bulls ultrapassar a Alpine na luta pelo top 5. Nas últimas cinco corridas antes das férias, a equipa de Faenza somou 31 pontos, contra apenas 11 da Alpine.
Lawson redimido, Lindblad a superar expectativas
Liam Lawson vive a temporada de redenção que precisava depois de uma passagem atribulada pela Red Bull principal em 2025. Com 43 pontos ao fim de 11 corridas, o neozelandês terminou oito corridas entre os dez primeiros e alcançou o sexto lugar em Mónaco e na Inglaterra, os seus melhores resultados isolados do ano. Tem na sua contabilidade apenas uma desistência (falha técnica) e está no nono posto, ligeiramente acima do colega de equipa. Lawson foi uma das desilusões de 2025, pois o seu potencial indicava que poderia ter sucesso na Red Bull. A despromoção “à lá Gasly” fez temer o pior e o piloto sofreu para recuperar confiança, mas aos poucos, foi crescendo e esta temporada tem feito uma campanha sólida.

Arvid Lindblad, pelo seu lado, tem sido uma das surpresas mais agradáveis do ano. Apesar da juventude, o britânico impressionou pela maturidade, velocidade e regularidade. O melhor elogio que se lhe pode fazer é que não se nota a diferença de experiência face ao colega de equipa. O jovem piloto radicado em Portugal, entrou na equipa certa, no momento certo, e tem agarrado a oportunidade com as duas mãos. Com 23 pontos somados até à pausa, Lindblad superou largamente aquilo que se esperava de um piloto na primeira temporada, e está a cimentar o seu lugar na F1 com sucesso. Lindblad pode ser mesmo o trunfo do futuro da Red Bull, se mantiver a evolução que evidenciou até agora.
Com uma dupla em forma, um carro competitivo e um excelente trabalho desenvolvido ao nível das melhorias implementadas no VCARB03, 2026 tem tudo para ser uma época francamente positiva para a Racing Bulls. Ninguém espera que façam muito mais, até porque, a acontecer este ano, corriam o sério risco de ofuscar a equipa principal, a Red Bull. Assim, no seu campeonato, a estrutura de Faenza está bem e recomenda-se.
Notas
- Racing Bulls – Nota 7
- Liam Lawson – Nota 7
- Arvid Lindblad – Nota 8
Fotos: MPSA










