A Mercedes introduziu modificações no software de gestão de energia antes do Grande Prémio da Hungria deste fim de semana, com o objetivo de resolver um problema encontrado no código do carro de George Russell, que ficou exposto na Bélgica.
Um reflexo do mundo em que vivemos e, em especial, da indústria automóvel, em que linhas de código podem fazer a diferença entre ganhar e perder. O fim de semana de Russell em Spa foi marcado por falta de velocidade em reta comparativamente ao companheiro de equipa Kimi Antonelli, o que lhe custou várias décimas de segundo por volta na qualificação. A causa estava relacionada com o facto de a bateria ficar sem energia mais precocemente na aproximação à chicane final, embora não existisse uma resposta óbvia para explicar por que motivo Russell sofria mais este efeito. Segundo Toto Wolff, o défice de tempo entre os dois carros situou-se entre duas e duas décadas e meia em modo de qualificação, uma diferença ainda mais acentuada nas simulações de corrida longa.
Antes do Grande Prémio da Hungria, surgiram mais detalhes sobre aquilo que a Mercedes encontrou, assim como uma explicação mais pormenorizada sobre o que correu mal na primeira volta. Segundo a The Race, o problema que Russell enfrentou na qualificação estava relacionado com um elemento no código da sua unidade motriz, que fazia com que a utilização de energia fosse concentrada no início da volta. Isto significava que, como parte dos ajustes feitos pelos algoritmos para gerir a energia ao longo da volta, existia uma tendência maior para utilizar energia extra na aproximação a Les Combes, o que, aliado a algumas diferenças na forma como Russell e Antonelli geriam a recuperação e o uso da bateria no setor intermédio, o deixava com falta de potência na aproximação à chicane final.
Depois de identificar o problema no código, exposto na Bélgica, a Mercedes implementou medidas a partir deste fim de semana para tentar garantir que não se repetem problemas semelhantes. A utilização de energia não deverá, aliás, ser um fator tão determinante na Hungria, já que se trata de um traçado com um perfil muito mais rico em energia.
A Mercedes esclareceu também o que correu mal na primeira volta, em que tanto Russell como Antonelli sofreram falta de energia na aproximação a Les Combes. O problema foi provocado por um erro de software, que fez com que nenhum dos dois carros recuperasse tanta energia como o previsto na entrada de La Source. Depois, com energia extra da bateria a ser consumida à saída da curva para compensar o atraso do turbo, nenhum dos pilotos teve a energia que esperava na reta Kemmel.
A abordagem diferente, a Eau Rouge, criou mais discrepâncias. Russell fez Eau Rouge a fundo, o que o coloco numa taxa de redução de energia (mais uma particularidade do regulamento técnico) que o deixou preso a uma velocidade de 308 km/h durante algum tempo. Antonelli, por sua vez, teve de levantar o pé do acelerador depois de ser ultrapassado por Max Verstappen, o que o colocou num modo de motor ligeiramente diferente, com um pouco mais de potência disponível, atingindo assim uma velocidade máxima superior à de Russell, o suficiente para lhe permitir passar Verstappen na liderança. Dois casos em que os regulamentos técnicos e as particularidades deste regulamento afetaram duas corridas de forma diferente.








