“Delecour vai passar a gritar abaixo as pistas de ralicross“. Foi o que o Autosport escreveu num dos seus ‘Diários do Rali’ no Rali de Portugal de 1994, publicando um foto de François Delecour de vassoura na mão. Tudo porque o francês, pelo segundo ano consecutivo, abandonou em Lousada. E na segunda, teve lugar um enorme coincidência, pois tudo sucedeu quando o AutoSport entrevistava o chefe da equipa Ford, Colin Robinson: “Ontem, na pista de Lousada pelas 10h31m da manhã assim aconteceu. Quase de forma premonitória, o ‘patrão’ da equipa Ford, afirmava isso mesmo à reportagem do Autosport, exatamente na altura em que os seus dois carros entravam, lado a lado ‘ao serviço’ da pista de Lousada. “Claro que temos uma tática, mas isto dos ralis é sempre uma lotaria. A qualquer momento, pode dar-se um facto novo, que obriga a repensar a situação.
Colin Robinson acabava de proferir estas palavras… e o locutor de serviço em Lousada, ‘gritava’ nos altifalantes: “Delecour está parado no meio da pista” Desalentado, o inglês logo exclamou: “Vê?” O TAP/Rali de Portugal acabava de perder o seu líder, logo no início da etapa.
Parado no meio do troço, o carro de Delecour foi depois rebocado para a zona de assistência, onde, entretanto, o piloto francês já explicava o sucedido aos técnicos e ao grupo de jornalistas franceses que seguem as suas pisadas no Mundial: “Já parece uma sina! Pela segunda vez fico aqui. Já ontem, na última classificativa tinha sentido que o motor perdia algumas rotações e ‘cantava’ de uma maneira estranha. Disse isso aos técnicos da Ford, mas a verdade é que todos nós, na equipa, não demos muita atenção ao facto”.











