Aos 35 anos, Esapekka Lappi anunciou que põe termo à carreira profissional já este ano, após o derradeiro rali em Porvoo, encerrando um percurso de 95 ralis do WRC, dois triunfos e múltiplos títulos nacionais e internacionais, ERC 2014, WRC2 2016, e dois títulos finlandeses de ralis em 20212 e 2025.
Esapekka Lappi é um dos “flying Finns” da geração mais recente do Mundial de Ralis, um piloto que, com apenas dois triunfos absolutos no WRC mas um palmarés muito sólido nas categorias de apoio, se afirmou como figura relevante do campeonato, tendo agora anunciado que a sua carreira profissional termina no final de 2026.
Aos comandos de carros de topo como o Toyota Yaris WRC, Citroen C3 WRC, Ford Fiesta WRC e por fim o Hyundai i20 N Rally1, o finlandês construiu uma boa trajetória no pináculo dos ralis.
Origem e primeiros títulos
Nascido em Pieksämäki, na Finlândia, a 17 de janeiro de 1991, Lappi seguiu a tradição de muitos compatriotas ao iniciar‑se nos ralis ainda muito jovem. A sua carreira começou em 2007, em provas de rally sprint, ao volante de um Opel Astra GSI 16v, numa fase ainda essencialmente nacional, em que o objetivo passava por ganhar experiência e ritmo competitivo nas estradas finlandesas. Essa aprendizagem rápida desembocou num primeiro grande marco em 2012: nesse ano, Lappi conquistou o título do Campeonato da Finlândia de Ralis, vencendo todas as sete provas do calendário e afirmando‑se de imediato como um talento dominante no panorama doméstico.
Escalada internacional e consagração em WRC2
O passo seguinte foi a internacionalização, em grande parte apoiada pela ligação de fábrica à Škoda. Com a marca checa, Lappi passou a dividir o programa entre o Europeu de Ralis (ERC), o Campeonato do Mundo (WRC) e outras séries regionais, ganhando bagagem competitiva em diferentes tipos de piso e contexto. Em 2014, essa aposta foi recompensada com o título europeu de ralis, prova de que o finlandês conseguia transportar o domínio nacional para palcos mais exigentes. Dois anos depois, em 2016, Lappi assinou uma temporada de referência na categoria WRC2, somando várias vitórias e consistência suficiente para se sagrar campeão do mundo de pilotos nessa divisão, o seu primeiro título oficial no universo WRC.
Chegada ao WRC e vitória em casa
O contacto com o Mundial de Ralis começou em 2011, quando Lappi se estreou no WRC no Rali da Finlândia, aos comandos de um Citroën C2 R2 Max. A verdadeira afirmação no topo, porém, só chegaria em 2017, já como piloto de fábrica da Toyota, na fase de regresso da marca japonesa à elite da disciplina. Ao volante do Toyota Yaris WRC, Lappi adaptou‑se rapidamente ao novo regulamento técnico e, apenas no seu quarto rali ao mais alto nível, conquistou uma vitória sensacional em casa, no Rali da Finlândia, perante o público finlandês e frente a adversários muito mais experientes. Esse triunfo valeu‑lhe a primeira de duas vitórias absolutas no WRC e simbolizou a transição definitiva do estatuto de promessa para o de protagonista. A temporada seguinte, em 2018, consolidou essa imagem: Lappi somou pódios, ajudou Toyota a garantir o título de construtores e terminou o campeonato de pilotos em quinto lugar, o seu melhor resultado global numa época do WRC.
Estatuto competitivo e fases difíceis
Ao longo da carreira mundialista, Esapekka Lappi acumulou números que ajudam a enquadrar o seu peso competitivo: 95 partidas no WRC, duas vitórias, 15 pódios e um total de 76 triunfos em troços, incluindo cinco vitórias em Wolf Power Stage, indicadores de uma velocidade de ponta capaz de marcar a diferença nos momentos decisivos. Estes valores, aliados ao título WRC2 de 2016 e aos sucessos no ERC e no campeonato finlandês, posicionam‑no como um piloto de referência, ainda que sem coroas na classificação principal do Mundial. Depois da fase de ascensão com a Toyota, Lappi viveu anos mais complexos, com passagens por Citroën e M‑Sport Ford na classe de topo, períodos em que os resultados nem sempre traduziram o talento reconhecido, e um regresso temporário às categorias de apoio que foi descrito como uma passagem pelo “exílio” do WRC2.
Regresso ao topo, triunfo na Suécia e novo domínio nacional
O ponto de viragem surgiu em 2021, com uma participação privada em Rali da Finlàndia que reavivou a sua carreira e abriu portas ao regresso à elite com a Toyota em 2022, numa função de part‑time, partilhando o terceiro Yaris Rally1 com Sébastien Ogier. Nessa fase, voltou a subir ao pódio e demonstrou que continuava a ser uma peça importante em programas de construtores.
Em 2023, Lappi transferiu‑se para a Hyundai, onde consolidou a sua reputação de piloto rápido e fiável, acumulando quatro pódios ao serviço da equipa e contribuindo com pontos valiosos para a luta pelo título de fabricantes. A época de 2024 ficou marcada por um momento particularmente emblemático: a vitória em Rally da Suécia, a segunda da sua carreira no WRC, conquistada sete anos depois do triunfo no Rali da Finlândia e estabelecendo o recorde do maior intervalo entre vitórias na história do campeonato. Em paralelo, quando não surgiu um lugar a tempo inteiro na classe Rally1 para 2025, Lappi recuou ao Campeonato da Finlândia, ao volante de um Škoda Fabia Rally2, assinando uma série de cinco vitórias consecutivas que lhe garantiram novo título nacional treze anos após o primeiro, reforçando o seu domínio em casa.
Últimas temporadas, Safari e despedida
Em 2026, Esapekka Lappi regressou ao WRC como piloto parcial da Hyundai, integrando um esquema de rotação no terceiro Hyundai i20 N Rally1 e combinando esse programa com nova presença no campeonato finlandês. Ao longo de cinco ralis do Mundial nessa temporada, o melhor resultado foi um quarto lugar no Safari Rally Kenya, fechando o seu ciclo mundialista iniciado em 2011 com os ralis da Estónia, Finlândia e Chile, terminando com um sexto lugar.
Em simultâneo, Lappi conquistou novamente o título de campeão da Finlândia, assegurado antes da ronda final, o que confirmou a sua capacidade de manter um nível elevado mesmo fora de um programa integral de fábrica.
A “bomba” surgiu numa conferência de imprensa de segunda‑feira, já com a temporada avançada: o finlandês, então com 35 anos, anunciou que não continuaria a sua carreira como piloto profissional, indicando que a prova de Porvoo, do Campeonato da Finlândia de Ralis, seria a sua última participação programada, ainda que não exclua eventuais presenças pontuais no futuro.
Legado no WRC
No balanço, Esapekka Lappi deixa o WRC com um legado que ultrapassa os números puros: duas vitórias emblemáticas na Finlândia e Suécia, 15 pódios e dezenas de troços ganhos confirmam‑no como um especialista em pisos rápidos e em ralis de alto compromisso. A combinação entre títulos em WRC2, no ERC e no campeonato finlandês desenha o percurso de um piloto completo, capaz de vencer em quase todas as camadas da pirâmide dos ralis.
Conhecido pela sua personalidade frontal e pelo ritmo agressivo mas controlado, Lappi construiu uma imagem de profissional respeitado no parque de assistência e junto dos adeptos, inspirando muitos jovens finlandeses que o viram passar dos sprints regionais ao topo do mundo.
Ao anunciar o final da carreira profissional ainda em plena capacidade competitiva, encerra um capítulo importante da presença finlandesa moderna no WRC, permanecendo como referência de dedicação, resiliência e velocidade bruta numa era de grande exigência técnica e humana nos ralis.










