George Russell viu a sua corrida na Bélgica comprometer-se logo na primeira volta, mas a origem do problema não esteve em qualquer toque de um adversário: foi uma anomalia de ‘battery deployment’ que o deixou sem a resposta normal de potência na reta de Kemmel e acabou por condenar o arranque e a gestão da volta inicial.
No vídeo em baixo, está perfeitamente explicado no canal Yelistener do Youtube com recurso a telemetria. A informação mostra ainda que Russell já tinha sentido um problema semelhante na qualificação, onde a perda de desempenho na fase final da volta lhe custou a hipótese de largar da primeira fila.
O falhanço técnico
Segundo a análise, o Mercedes de Russell saiu da curva 15 à mesma velocidade que o carro de referência nas imagens, mas a diferença começou a notar-se mais à frente, com uma queda prematura da energia elétrica. Essa discrepância reduziu a velocidade a Russell antes e depois de Blanchimont e acabou por lhe custar cerca de 0,24 segundos no derradeiro setor da pista, na qualificação.
Na corrida, o padrão repetiu-se de forma mais severa: as luzes traseiras começaram a piscar logo após a saída da curva 1, sinal de que o motor já estava a limitar a entrega de potência proveniente da bateria. O sistema de controlo terá interpretado, de forma errada, que o carro se encontrava em modo de poupança, o que provocou uma gestão anormal da energia ainda numa fase muito precoce da volta.
Antonelli e Verstappen também foram afetados
Russell não foi o único a sofrer uma questão de ‘deployment’ no arranque. Andrea Kimi Antonelli e Max Verstappen também enfrentaram limitações semelhantes, embora por razões diferentes.
No caso de Verstappen, o problema teve a ver com uma distribuição incorreta de potência: energia excessiva entre T1 e Eau Rouge e insuficiente na reta de Kemmel. Já no carro de Russell, a análise aponta para uma leitura errada da unidade eletrónica, que terá desencadeado um corte e posterior recuperação de energia no momento errado.
Impacto no resultado
A consequência prática foi clara: Russell perdeu eficácia na aceleração, ficou exposto na zona mais rápida do traçado e viu a sua corrida terminar logo na primeira volta. O vídeo refere mesmo uma diferença de velocidade de 24 km/h entre os episódios analisados, suficiente para explicar a vantagem ou desvantagem observada em reta.
Em síntese, a Bélgica não puniu Russell por erro de condução nem pelo incidente de pista. O que o comprometeu foi uma falha de gestão energética, já sentida na qualificação e agravada no momento mais sensível da corrida.
Daí a razão do que Russell diz assim que sai de pista com o toque de Hamilton. Nada relativo ao incidente, mas sim ao que sucedeu com o deployment da bateria…










