Thierry Neuville venceu, pela primeira vez em 19 meses de WRC. O último triunfo tinha sido no Rali de Mone Carlo de 2020.
Eras o favorito, qual é o sentimento de ganhar em casa, no primeiro rali belga do WRC?
“A sensação é boa! Todos esperavam que ganhássemos, ou que fizéssemos um bom rali. O plano era entrar para ganhar. Eu estive sempre a controlar o rali, e isso fez-me sentir bastante confortável desde o início. Sabia que não precisava de andar mais depressa. Podia tê-lo feito, se fosse necessário, mas estava realmente preocupado com este fim-de-semana. No último dia ainda tive receio de ser atingido por qualquer problema e de não conseguir assegurar a vitória. Mas isto foi realmente importante para a equipa. Conseguir um duplo pódio, e ser muito forte durante todo o fim-de-semana. Foi importante para ambos os campeonatos”.
Competiste aqui inúmeras vezes. O que pensas da subida do Rali de Ypres ao WRC e dos troços utilizados?
“Antes de mais, gostaria de dar os parabéns aos organizadores. Eles não tinham qualquer experiência com o WRC antes, e conseguiram um bom evento, e fizeram um trabalho soberbo. Boa organização, bons troços e eu gostei muito de conduzir o carro nestes troços. É sempre rápido, há muitas zonas escorregadias e quando se está em sexta velocidade, um pouco de lado em estradas estreitas, dá-nos a impressão de velocidade e de quão rápido podem ser estes carros. Isso foi realmente divertido durante todo o fim-de-semana. Vindo até Spa, o circuito mais agradável do mundo, num WRC, também foi divertido. Gostei muito da parte na pista de corridas, pois a aderência era muito alta e é preciso adaptar a condução, pois os nossos carros são muito macios, altos e derrapam um pouco demais. Deslizar a alta velocidade foi muito divertido…”
É a tua primeira vitória com o Martijn Wydaeghe. É um grande passo para ele o WRC. Pode dizer algumas palavras e descrever a vossa relação agora?
“Todos esperavam que tivéssemos uma época difícil após a mudança tardia de navegador. O Martijn está super-motivado e a fazer um excelente trabalho. Desde o início, senti que sempre o fez quando começámos a competir juntos. Sentimo-nos confortáveis juntos no carro. Por vezes, ele pode dar-me um pequeno ‘empurrão’ nos preparativos do rali. Isso é bom. Estou no ‘jogo’ há muito tempo e às vezes temos alguns hábitos, e é bom aprender coisas novas, novas formas de pensar. Gosto disso, e faz-me sentir novamente mais jovem. Parece funcionar”.
Thierry, tens agora 14 vitórias no WRC. Onde classificas esta tua vitória, em que recebeste o troféu de vencedor, de uma lenda belga como Jacky Ickx?
“É uma sensação fantástica. É uma vitória que tanto desejava. É também importante para o campeonato. Conseguimos garantir mais pontos para o campeonato, muito mais que o Elfyn e o Sébastien. Foi um bom fim-de-semana. Não só pela vitória, mas para encurtar a margem no campeonato. Também como equipa, com o 1-2. Houve outras vitórias em que ninguém esperava que ganhássemos, que vencemos, tivemos lutas até ao último troço, pelo que esses também foram destaques na minha carreira.
Jacky, conheço-o há mais de 10 anos e é uma das pessoas que me envia mensagens regularmente. Recebi uma ontem à noite com muitos emojis e outras coisas. Ele acreditava e eu sabia que ele estava a dizer. Então respondi-lhe: “vejo-te amanhã” e ele sabia o que eu queria dizer…”
Como seria esta prova se estivesse a chover e enlameado como tantas vezes sucedeu?
“Há pouco disse a alguns jornalistas que me perguntavam se a prova deveria estar no calendário. Eu disse “definitivamente, mas apenas se o tempo estiver bom”. Com chuva é muito duro. Há tantas coisas que não se podem ver, e demasiadas surpresas. Poderia funcionar, mas seria necessário um bom sistema ‘anti-corte’ (ndr, curvas passíveis de ser ‘cortadas’) porque, caso contrário, seria realmente lamacento e pareceria mais um rali de terra e lama com pneus de asfalto. Gosto do evento e gosto muito dele no verão, mas não no inverno…”












