Ainda agora se estreou a nova era de carros de Rally1 no WRC, mas a FIA e o Promotor já andam a pensar no próximo passo. Em declarações ao Dirtfish, Robert Reid, Vice-Presidente para o desporto da FIA, já disse que o passo que foi agora dado é importante, mas há que dar o próximo bem mais rapidamente.
Não é novidade para ninguém que o WRC está muito atrasado em termos de mudança tecnológica. O WEC tornou-se híbrido em 2012, a Fórmula 1 em 2014, mas o WRC só em 2022.
Contudo, o WRC tem agora uma janela de oportunidade diferente, pois numa altura em que a indústria anda “aos papéis” quanto aos passos a dar, o WRC pode tornar-se numa ótima plataforma para experiências.
Não é novidade para ninguém que a indústria, inevitavelmente, anda atrás das decisões políticas, mas os construtores têm muita dificuldade em ter palavra a dizer nessas decisões, e por isso têm que lidar com factos consumados.
Carlos Tavares, CEO do Grupo Stellantis, já alertou diversas vezes para os principais problemas relacionados com a eletrificação demasiado acelerada da indústria automóvel e numa numa altura em que a União Europeia pressiona os governos a “apertar” as medidas contra os combustíveis fósseis e motores a combustão, Carlos Tavares alertou para as dificuldades que isto está a causar aos fabricantes de automóveis, por causa dos custos. É muito caro onerar o cliente final com 50% de custos adicionais face a um veículo convencional [combustão] e esta eletrificação acelerada não dá tempo para os fabricantes desenvolverem da melhor forma a tecnologia elétrica e é daqui que o WRC pode tirar dividendos, pois se os fabricantes andam à procura do caminho, o WRC pode ajudá-los a encontrá-lo.
Portanto, há aqui uma grande oportunidade para a FIA e para o desporto automóvel, poder ser um perfeito banco de ensaios de muitas soluções diferentes para a indústria: gás hidrogénio, hidrogénio líquido, híbrido, EV, combustíveis fósseis sustentáveis, e-fuel, combustível 100% sintético, tudo isto tem que se experimentado pois há capacidade da indústria em encontrar soluções diferentes. A resposta está longe de se reduzir somente aos carros elétricos, mas para isso é preciso que o WRC pense já no próximo passo a dar.
Veja-se o caso da Audi no Dakar que fez regressar uma velha ideia: o extensor de alcance, um carro elétrico cuja bateria é carregada com um motor a gasolina. O motor serve só para alimentar as baterias. Com a tecnologia de hoje nenhuma ‘Tesla da vida’ (ou a Mercedes, pois o EQS tem até 785 km de autonomia) faria este Dakar com a sua tecnologia.
O que a Audi fez é simples: quando a bateria do RS Q e-tron se esgota, o motor arranca automaticamente e mantém as rotações num ponto fixo para o recarregar. Muito perguntam-se se isto faz sentido? Se é eficiente? A verdade é que o Audi RS Q e-tron tem um depósito de gasolina de 300 litros, enquanto a maioria dos carros Dakar transportam 600 litros.
Tudo isto para dizer que há muitas soluções diferentes, é preciso é testá-las, e perceber as que fazem mais sentido… para a indústria. Portanto, o WRC tem aqui uma bela oportunidade, tal como já se está a fazer no Dakar, de ser um ‘farol’ para a indústria automóvel. Imagina o WRC com diversos tipos de tecnologia em luta uns com os outros? No Dakar já acontece…










