Nada mudou na classificação geral na penúltima especial do Safari, Oliver Solberg lançou um forte ataque para vencer a PEC 19, assumir a dianteira nas contas do super domingo e ainda assim deixar Takamoto Katsuta a um passo da sua primeira vitória no WRC, com 42,0 segundos de margem sobre Adrien Fourmaux e apenas a Power Stage de Hell’s Gate por disputar.
SS19 arrancou com o cenário já montado: piso muito mais cavado do que na primeira passagem, regos profundos, pedras expostas e a memória fresca de Ogier a admitir que “quase capotou” ali de manhã. Evans é o primeiro a marcar tempo, descrevendo uma especial “bastante diferente, com muito mais aderência”, sem grande certeza sobre a qualidade da sua prestação, mas com um registo de referência que coloca pressão em quem vem atrás.
Pouco depois, Neuville surge na luta, mais rápido no primeiro parcial, mas acaba por perder 2,7 segundos para o galês, resumindo o equilíbrio precário da especial: “É muito duro e muito irregular. Há regos profundos que ajudam a rodar melhor do que de manhã, mas é muito fácil capotar. Tenho de ter muito cuidado.”
É então que o espetáculo sobe de intensidade. Ogier entra em modo ataque, a saltar de rego em rego, “aos saltos por toda a estrada”, mas recusa ir ao limite do risco num troço em que sabe bem como a linha entre o ganho e o desastre é ténue. Ainda assim, regista um grande tempo, 2,8 segundos melhor do que Evans, admitindo apenas: “É possível aqui, mas está cheio de regos. Eu não tento isso.” Parecia a volta do campeão – até Solberg aparecer. O norueguês lança-se a fundo, empurra o Toyota para lá do desconforto e corta a meta 4,4 segundos mais rápido do que Ogier, assumindo a liderança de Super Sunday por 0,8 segundos. “Foi bom. Claro que arrisquei, então o que é que acham que viemos aqui fazer, não viemos só para conduzir. Já conheço o Seb Ogier, ele não vem aqui para perder”, dispara, a explicar numa frase a psicologia de um duelo decidido por décimas.
Mais atrás, Jon Armstrong volta a cumprir a missão de trazer o único Puma da M‑Sport inteiro ao fim, ainda que 18,4 segundos fora do melhor tempo. Lappi vive um pequeno susto com um alerta de temperatura do óleo, mas chega ao final tranquilo, 39,6 segundos atrás de Solberg, garantindo que “não há alarmes, está tudo bem”, numa tarde em que o objetivo é apenas segurar o quarto lugar geral. Pajari também baixa o ritmo, 30,6 segundos mais lento do que Solberg, admitindo que está “a ir mesmo em segurança” para proteger o lugar no pódio: “Está tudo bem, nada com que stressar.” Katsuta completa o bloco dos Toyota com mais uma passagem em modo gestão: 18,3 segundos perdido para Fourmaux, mas com mais 42,0 segundos na mão. “Nada de especial. Não estou propriamente nervoso. Só as pedras me preocupam. Devo ficar bem”, diz, como quem sabe que o maior inimigo agora é um erro gratuito.
Em WRC2, o enredo também aquece. Robert Virves continua na frente, mas vê Gus Greensmith cortar 14,7 segundos na diferença, reduzindo a margem para 31,5 segundos antes da Power Stage. “Foi bastante aceitável. Esperava condições mais fáceis, mas na segunda passagem isto vai estar muito mau”, antecipara o estónio, consciente de que a gestão podia ser tão decisiva como a velocidade. Greensmith, por seu lado, sente que fez “uma boa especial”, apenas com um erro inicial para evitar uma secção mais dura, ainda a lamentar que “o andamento não parece estar lá” apesar de estar a tentar. Mais atrás, Fabrizio Zaldivar e Andreas Mikkelsen fazem tempos idênticos na luta pelo terceiro lugar da classe, com o norueguês a manter 8,8 segundos de atraso e a prometer “arriscar até ao fim” na última passagem.
Quando os carros regressam à assistência, o quadro é claro: Solberg e Ogier preparam um duelo de alta voltagem pela Super Sunday, Virves e Greensmith têm ainda uma batalha aberta em WRC2 e, acima de tudo, Takamoto Katsuta está a uma Power Stage de transformar um dia de puro controlo e medo das pedras numa consagração há muito desejada no Safari.












