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WRC, Rali da Catalunha 1995: O dia em que Colin McRae desobedeceu a David Richards


Todos os rali do mundial têm histórias para contar. O Rali da Catalunha não é exceção, e o que se passou há duas décadas e meia vale a pena recordar…

Para este Rali da Catalunha de 1995 havia grandes novidades, já que Carlos Sainz estava de regresso, agora apenas cinco pontos atrás de Colin McRae no campeonato, e mais determinado que nunca para compensar o tempo perdido devido à lesão e vencer um terceiro título mundial. E, sendo a Catalunha o evento no seu país natal, não havia mais importante prova para ele vencer. Seria um rali deveras dramático. Juha Kankkunen, líder do campeonato, bateu enquanto liderava, daí que no final do segundo dia Sainz liderava e McRae era segundo.
A equipa estava preocupada porque o Toyota de Didier Auriol estava próximo, daí que os pilotos da Subaru não podiam abrandar o ritmo. Ordens de “Manter posições” já tinham sido dadas mais cedo na temporada pela Mitsubishi, e agora a Subaru tinha que fazer o mesmo em Espanha. A questão era como fazê-lo para proteger a dobradinha. Obviamente, tinham de ser dadas o mais tarde possível no último dia. McRae tomou o comando a quatro especiais do fim, aumentando as suspeitas de Sainz que McRae estaria secretamente combinado com a Subaru para desobedecer às ordens, aumentadas ainda mais quando a equipa ordenou a McRae que abrandasse no final de uma especial e este ignorou. McRae insistiu que Sainz receberia a vitória graças a uma penalização voluntária num controlo mais tarde. “Era uma forma muito mais segura, havia muito menos hipóteses de cometer um erro. Secretamente, também pensava que David Richards poderia mudar de ideias…” Sainz considerou a demora de McRae em penalizar insustentável. Estava obcecado pela desconfiança da equipa, e decidiu precisamente naquela altura que iria deixar a equipa no final da época, mesmo que fosse campeão, e mesmo não tendo planos imediatos para se juntar a outra formação.
A pontuação máxima de Sainz na Catalunha colocou-o a par de Colin na liderança do campeonato, pelo que o título de Pilotos iria ser vencido pelo que ficasse na frente no Rali RAC, e se nenhum deles conseguisse uma boa pontuação, então os pilotos da Toyota Kankkunen e até Auriol poderiam entrar na luta. No entanto, quinze dias antes da prova britânica a FIA descobriu irregularidades nos turbocompressores dos Toyota e excluiu-os do campeonato. Assim, os Toyota não alinharam no último evento. Nos Construtores, a batalha estava também muito cerrada, com a Mitsubishi a sair de Espanha com apenas dois pontos de avanço sobre a Subaru, e a Toyota não muito longe. Mas, em Inglaterra, os dois Mitsubishi abandonaram por acidente. McRae teve que parar para mudar um pneu furado (o pneu estava demasiado danificado para a mousse trabalhar) e perdeu dois minutos, o que só aumentou a sua motivação. Depois, no final do segundo dia, bateu numa pedra e danificou a suspensão. Sainz liderou grande parte do terceiro dia, mas na última especial McRae retomou o comando e manteve-o durante o quarto dia, vencendo a prova por 36 segundos. A Subaru acabou por vencer ambos os títulos.