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WRC: Quem bate os franceses no asfalto? | AutoSport

WRC: Quem bate os franceses no asfalto?

Por a 22 Janeiro 2023 14:49

Em casa manda ‘a França’, tal como voltaram a provar Sébastien Loeb e Sébastien Ogier nos mais recentes ralis de Monte Carlo. Tem sido assim, na maioria das vezes, na prova do mundial de ralis, com os pilotos franceses a ditarem o ritmo. Porém, as exceções também existem e são essas que recordamos nas próximas linhas…

Por muito que Sebastien Loeb e Sebastien Ogier e, antes deles, Didier Auriol, possam protestar, e mesmo ‘desmentir’ com factos, os franceses estão mais felizes no piso mais duro.
Os resultados do Rali de França, seja no Rali de Monte Carlo quando está mais seco, na Alsácia, ou nas veneradas estradas da Córsega, evidenciam isso mesmo.
O título Rali de França pode só se ter tornado oficial nos últimos anos, mas em todas as rondas francesas a contar para o Campeonato do Mundo desde 1973, apenas oito não-franceses venceram a prova.
Cada uma das ocasiões foi memorável! 2004 foi um ano menos bom para França, quando o rali nacional ainda estava na Córsega, Loeb foi o único piloto francês a terminar no top cinco. Nenhum francês liderou o rali naquele ano, com a liderança a alternar entre o belga François Duval e o seu companheiro de equipa da Ford, Markko Märtin, da Estónia, que venceu.
No entanto, Loeb venceu o seu primeiro Mundial… naquele evento. Foram dez longos anos de espera até que um piloto francês vencesse o Mundial, depois do título de Didier Auriol em 1994, pelo que o triunfo de Märtin ficou algo ofuscado.
Duas semanas depois, Märtin e o seu co-piloto Michael Park venceram o Rali da Catalunha, a sua última vitória num rali. 2004 foi o segundo ano consecutivo em que os estrangeiros dominaram o principal evento francês.
2003 ficou famoso, não só por essa razão, mas muito mais pelo estilo com que o norueguês Petter Solberg venceu a prova! Certamente se recordam de toda a atividade nas vésperas do rali na Alemanha em 2014, quando toda a equipa Hyundai teve de trabalhar toda a noite para reparar o carro do eventual vencedor Thierry Neuville após o seu acidente no shakedown? Não foi nada comparado com os esforços pós-shakedown da Prodrive para consertar
o Subaru Impreza WRC de Solberg após o seu despiste e choque com um poste de eletricidade de betão, ao contrário de uma “suave” aterragem nas vinhas por parte de Neuville.
O chefe da Prodrive, David Lapworth, afirmara que nunca havia visto tão grandes martelos e fortes correntes serem usadas para endireitar um carro! Depois, como Thierry, Petter conseguiu vencer o rali.
Em 2014, Jari-Matti Latvala aproveitou bem os problemas de caixa de velocidades no VW Polo WRC do seu colega de equipa Sébastien Ogier e triunfou no Rali de França/Alsácia. Os outros quatro foram ganhos por Loeb (2) e Ogier (2).
Na Córsega, nos tempos mais recentes em que o WRC ficou mais ‘aberto’, nos últimos cinco anos de Rali da Córsega no WRC, Jari-Matti Latvala venceu em 2015 e Thierry Neuville em 2017 e 2019, ele que sempre foi um especialista de asfalto, tal como os franceses. Sébastien Ogier ganhou em 2016 e 2018.
Olhando para trás, encontramos Jesús Puras como vencedor em 2001. Foi uma grande ocasião para a marca francesa, a Citroën, que conseguiu a sua primeira vitória no WRC com um carro de quatro rodas motrizes e motor turbo, mas foi preciso um espanhol para a conseguir!
Puras foi um piloto de renome dos seus dias, principalmente para os espanhóis, quando finalmente se tornou conhecido num contexto em que apenas sobressaía Carlos Sainz. Seria a única vitória de Puras no WRC, numa carreira de 25 anos que começou com um Renault 5 em 1982 e acabou num Ferrari em 2007.
Colin McRae venceu por duas vezes consecutivas a Córsega, em 1997 e 1998, nos dias de glória da Subaru, das duas vezes com mudanças de condições meteorológicas, e das duas vezes com controvérsia!
Em 1997, o escocês liderava após a primeira etapa e depois após a última especial, com Gilles Panizzi, François Delecour e Carlos Sainz na luta pela vitória de permeio.
Foi uma vitória por um fio de cabelo. E, no decorrer do evento, o seu carro foi pesado e estava exatamente no limite mínimo do peso, precisamente naquele quilograma!
No ano seguinte, Colin venceu de novo, mas desta vez abaixo do mínimo permitido.
McRae já tinha sido provisoriamente excluído a meio do rali por estar com um pneu que apresentava uma superfície de contacto inferior ao permitido, que a direção da equipa conseguiu revogar alegando ser resultado de danos de um furo prévio noutro pneu. McRae conseguiu gradualmente recuperar o tempo perdido e liderou sem apelo nem agravo os últimos dois dias até ao fim.
Tudo isto cinco anos depois da última vitória estrangeira – Carlos Sainz em Toyota em 1991. Foram tempos interessantes, quando a sorte e domínio da Lancia se começava a desvanecer e a Toyota estava na sua curva ascendente.
Foi a primeira vitória no evento de um construtor não-Europeu e no rali os pneus de superfície assimétrica começaram a ser amplamente usados, não apenas para a chuva, e os travões arrefecidos a água se tornaram obrigatórios.
As provas eram muito mais longas, com mais de 600 Km de especiais. Em 1983 Markku Alén tornou-se no primeiro nórdico a vencer o Tour de Corse, e repetiu o triunfo no ano seguinte. Em 1983, o evento era considerado um território no qual os pilotos não-Latinos estariam sempre perdidos.
E Alén atravessava um período de crise na sua carreira, já que a sua longa ligação como piloto à Fiat e Lancia estava ameaçada pelo regresso à marca do bicampeão Walter Röhrl. Alén e Röhrl foram os pilotos mais rápidos do evento e os Lancia 037 ocuparam os quatro primeiros lugares – com o finlandês a bater o alemão! Em 1984 as circunstâncias eram diferentes. Röhrl tinha ido para a Audi para pilotar o seu novo e compacto Sport Quattro e a Peugeot apareciam com os seus modelos de nova geração, de motor turbo e quatro rodas motrizes, com o qual Ari Vatanen liderou até se despistar, com Alén a vencer num carro que parecia subitamente muito ultrapassado.
Uma realidade menos conhecida é que, no primeiro Tour de Corse, muito antes dos dias do Rali de França se tornarem célebres, a prova foi vencida por uma senhora, Gilberte Thirion que, de facto, era belga, mas ao menos pilotava um carro francês – um Renault Dauphiné!
O primeiro construtor estrangeiro a vencer o evento foi o Lancia Fulvia de Sandro Munari em 1967 e foi também Sandro que teve a honra de ser o primeiro vencedor do Rali de França no WRC, agora ao volante de um Lancia Stratos, após uma fabulosa luta com Bernard Darniche.
Eram os tempos em que o rali durava 24 horas, os dias em que apenas onze equipas das 87 inscritas terminavam, mas com um percurso competitivo muito mais curto do que nos anos 80, quando a soma das especiais passava dos 1000 Km!
Esta é a história de pilotos que conseguiram derrotar a força francesa no Rali de França. E o lendário Tour de Corse… O Tour de Corse vive ainda, mas para já não no WRC, ao mesmo tempo que é também realizada uma prova para históricos. Talvez um dia volte, pois é uma prova absolutamente icónica no WRC.

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