Os campeões sem coroa: eternos segundos…


O título de campeão passou-lhes ao lado, em alguns casos por mais de uma ocasião. Foram muitas vezes os ‘campeões do povo’, pela forma como cativaram o imaginário dos fãs. Vitórias não lhes faltaram. Apenas mesmo assinar o livro das estatísticas…

Ao longo das últimas décadas do automobilismo, foram vários os pilotos que eram apontados como favoritos ao título, mas que, por uma razão ou por outra, não conseguiram os seus intentos, apesar de nunca baixarem os braços, época após época. Tiveram carisma, arrastaram legiões de fãs e deixaram a sua marca na respetiva disciplina, com lutas titânicas e vitórias memoráveis. Foram os ‘campeões do povo’, pois o título é das poucas realizações que lhes faltou.

O nome Markku Alen é um típico caso de um piloto que perseguiu o título de Campeão do Mundo de Ralis durante mais de uma década. ‘Eternamente’ ligado ao grupo Fiat, com quem obteve os maiores feitos da sua carreira – traduzidos em 19 vitórias no Mundial –, o finlandês chegou a vencer a Taça FIA de pilotos, em 1978, o último ano em que apenas havia título de Marcas. Daí em diante, Alen foi duas vezes Vice-Campeão (1986 e ‘88) e quatro vezes terceiro classificado (1979, ’83, ’84 e ’87). Só o Rali de Portugal venceu-o por cinco vezes, razão pela qual é muito popular entre os aficionados nacionais. Talvez o título que mais lhe custou perder foi o de 1986, no trágico ano que ditou o final dos fantásticos carros de Grupo B. Os resultados do Rali de Sanremo ficaram suspensos, e foi já durante o inverno que se confirmou a anulação da classificação da ronda italiana, deixando Markku Alen sem o seu título, atribuído a Juha Kankkunen. Afinal, fora campeão por apenas 11 dias…
Sandro Munari foi outro piloto que marcou os ralis, mas mais na década de 1970, estando intimamente ligado a um dos modelos mais icónicos da modalidade: o Lancia Stratos HF. Foi com este compacto e ágil bilugar de motor Ferrari e tração traseira que o italiano averbou as suas sete vitórias no Mundial.

No entanto, tal como Alen, na altura não havia atribuição de título de Campeão aos pilotos e, um ano antes do finlandês, foi ele a vencer a Taça FIA de Pilotos. Avançando no tempo, não poderíamos deixar de referir outro ‘campeão sem título’ dos ralis, estando este bem presente no atual cenário do WRC: Mikko Hirvonen. Desde que se estreou no Mundial como piloto da Ford, em 2003, o finlandês foi quatro vezes Vice-Campeão (2008, ’09, ’11 e ’12), ficando por duas vezes em terceiro (2006 e ’07). E isto, apesar das suas 14 vitórias. É caso para dizer que Hirvonen teve o azar de encontrar no seu caminho um tal de Sebastien Loeb…

Exemplos das pistas Sir Stirling Moss foi um dos grandes rivais de Juan Manuel Fangio na F1, na década de 1950, tendo falhado o título por quatro vezes, entre 1955 e ’58. Moss era conhecido por preferir automóveis britânicos, mas estes eram menos competitivos que os dominantes Mercedes e Maserati, razão apontada para nunca ter conseguido o título. Ainda assim, defendeu as cores das equipas alemã e italiana, correndo a partir de 1957 pela Vandevell e pela Rob Walker Racing Team, com quem terminaria a sua carreira na F1, em 1961. Nas últimas três temporadas na disciplina máxima terminou sempre em terceiro classificado no campeonato.
Carlos Reutemann obteve na F1 12 vitórias e seis pole positions entre 1972 e ’82, temporadas durante as quais correu pela Brabham, Ferrari,Lotus e, finalmente, pela Williams. Piloto muito popular (sobretudo entre o público feminino), ‘Lole’, como era conhecido, terminou por três vezes em terceiro – em 1975, ’78 e ‘ 80 –, mas foi ao serviço da Williams que o argentino mais perto chegou ao título, em 1981. Apesar de, na fase final do campeonato, se encontrar no topo da tabela, a falta de apoio da equipa condicionou o seu andamento, vindo a perder o título por um ponto para a Nelson Piquet.

Bob Wollek: O campeão que Le Mans não quis
Bob Wollek é conhecido como o ‘eterno segundo’ de Le Mans, por ter obtido aí a segunda posição em 1978, ’95, ’96 e ’98, falhando sempre a vitória em 30 participações nas clássicas 24 Horas. Muito conotado com a Porsche, por ter sido ao volante dos carros germânicos que mais conduziu – o que lhe valeu a alcunha de ‘Sr. Porsche’ –, o francês raras vezes foi chamado a correr pela equipa oficial. Ainda assim, ‘Brilliant Bob’ (outra alcunha) sagrou-se, ao longo da sua longa carreira, campeão de DRM (1982 e ‘83), venceu as 24 Horas de Daytona por quatro vezes (1983, ’85, ’89 e ’91) e ganhou inúmeras provas de GT e sport-protótipos, quer à geral, quer à classe. Faleceu aos 57 anos, quando se preparava para uma última participação nas 12 Horas de Sebring, ao volante de um… Porsche.