Segundo o Dirtfish, Cyril Abiteboul vai ser o novo diretor da equipa da Hyundai no WRC, passando a ocupar o lugar que teve este ano Julien Moncet, que substituiu Andrea Adamo de forma provisória.
Abiteboul juntou-se à Renault em 2001, começando por… gerir o site da Renault F1. Foi nomeado Gestor de Desenvolvimento de Negócios da equipa em 2007 e passou a ser diretor executivo da Renault Sport F1 em 2010. Foi para a Caterham F1 em setembro de 2012, substituindo Tony Fernandes e em julho de 2014, regressou à Renault, como diretor-geral da Renault Sport F1. Em 2021 passou para a Alpine, mas não durou muito tempo, rumando à Mecachrome, fornecedora de motores de Fórmula 2, como conselheiro do ‘motorsport’. Agora, pelos vistos, junta-se à Hyundai World Rally Team como chefe de equipa em 2023.
Abiteboul não tem experiência nos ralis, mas tem-na a liderar pessoas, e ao mais alto nível, e é isso que é preciso numa equipa do Mundial de Ralis, tendo naturalmente, que ter bons conselheiros que o possam ajudar a tomar as melhores decisões táticas ou estratégicas. Contudo, maioritariamente, a sua gestão é de pessoas e do trabalho que fazem. Andrea Adamo fazia isso muito bem, segundo alguns ‘bem demais’ muitas vezes…
Isto faz parte duma completa reformulação da gestão na Hyundai Motorsport, até porque o diretor de logística da equipa, Pablo Marcos, também saiu, e quanto a Julien Moncet, o futuro é incerto, pois o seu trabalho no motor foi fantástico, tendo-se exposto a ‘safar’ a equipa durante um ano, num período muito conturbado. No mínimo, seria injusto mandarem-no embora…
Muitos já juntam o facto (para já não oficial) de Cyril Abiteboul rumar à Hyundai já de olho na F1, pois há muito que correm rumores no paddock da Fórmula 1 que um novo construtor, para além dos candidatos conhecidos, poderá ingressar na categoria em 2026, e há quem diga que é a Hyundai, que há muito é um grande construtor, que tem vindo a crescer em número de vendas que, muito embora tenha primado pela discrição, poderá ter interesse em ingressar na categoria máxima do desporto automóvel. O construtor coreano é, presentemente, o quarto que mais vende a nível mundial, apenas atrás de Toyota, Grupo Volkswagen e Honda, o que lhe garante capacidade financeira para investir num programa com a exigência da Fórmula 1, até porque é um dos ‘major players’ do mercados dos elétricos, onde tem uma gama extensa e de qualidade, não perdendo para ninguém, ou seja, a maior parte do investimento está feita, libertando recursos para outras áreas.
Para além disso, tendo no seu portfólio também a KIA, o objetivo dos coreanos é que a Hyundai suba ao estatuto de ‘premium’ e é aqui que entra a Fórmula 1.
Presentemente, a marca coreana está presente oficialmente no Campeonato do Mundo de Ralis – no TCR é uma presença apenas com apoio financeiro – mas dificilmente lá poderá alcançar o seu desiderato de ser vista como uma concorrente das marcas alemã – Mercedes, BMW, Audi – ou da Alfa Romeo, uma vez a competição não tem a visibilidade da Fórmula 1 e, para além disso, está a bater-se com a Ford e com a Toyota, marcas estão longe de ser vistas com premium.
Existe ainda algum desencanto da parte dos homens da Hyundai, com a forma como o campeonato é gerido e não só pelo que este pode ser um primeiro passo nesse caminho, mas só o tempo o dirá…








