O Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) prepara-se para introduzir um novo regulamento em 2027, com o objetivo de reduzir custos e atrair mais construtores. No entanto, persistem dúvidas quanto ao impacto real destas mudanças no futuro da modalidade.
As novas regras estabelecem um teto orçamental de 345 mil euros para os carros da categoria principal, que passarão a basear-se, em grande medida, nos atuais modelos Rally2. Apesar desta tentativa de tornar o campeonato mais acessível, a adesão dos fabricantes tem sido limitada.
Até ao momento, apenas a Toyota desenvolveu um carro em conformidade com o novo regulamento. A M-Sport Ford mantém o foco na evolução dos seus modelos Rally2, enquanto a Hyundai ainda não definiu a sua estratégia para o futuro. Existe ainda a possibilidade de entrada de novas estruturas, e a subida de marcas que agora competem no WRC2.
A incerteza é agravada pela situação organizativa do campeonato, que procura atualmente um novo promotor, sem que tenha sido alcançado um acordo definitivo. Este contexto levanta dúvidas sobre a direção estratégica da modalidade a médio prazo.
Além disso, a redução de custos poderá ter impacto no desempenho dos carros, tradicionalmente um dos elementos distintivos do WRC. A eventual diminuição da potência levanta preocupações quanto à atratividade do campeonato, tanto para pilotos como para o público.
Adrien Fourmaux manifestou dúvidas e algumas preocupações. Em declarações ao site da RTBF, afirmou que “para já, apenas um fabricante parece estar comprometido com estes regulamentos. É necessário perceber onde estaremos em 2027, o que não é simples”.
“ Se isto não atrair mais fabricantes, teremos de encontrar outra solução. Penso que precisamos de trabalhar no lado promocional do desporto – neste aspeto, ainda estamos um pouco presos aos anos 2000”.
Quanto aos Rally2, o francês não esconde a falta de entusiasmo:
“Já fizemos alguns testes com um carro de Rally2 e nota-se imediatamente a quebra de performance. Ainda é um ótimo carro de conduzir, mas dá vontade de voltar a algo mais potente”, disse Fourmaux.
“Resta saber se os pilotos mais experientes da modalidade ainda estarão interessados – podemos perder alguns deles, ou isso pode marcar um novo começo para o rali. Para a Hyundai, pode ser complicado; já devíamos estar a realizar mais testes. Se a Hyundai ainda estiver presente no próximo ano, acredito que será com um carro da Rally2. O que não quero é que a categoria Rally2 sofra por causa desta situação.”











