Thierry Neuville no Rali da Croácia: Sem filtro. Sem desculpas!

Por a 22 Abril 2026 08:51

Thierry Neuville esteve a escassos quilómetros de devolver a Hyundai às vitórias no WRC, mas um erro na derradeira especial do Rali da Croácia ditou a perda de um triunfo que parecia fechado e redefiniu o desfecho de uma prova marcada por tensão crescente, desgaste mecânico e incidentes sucessivos. No meio do colapso da liderança belga, Hayden Paddon e John Kennard asseguraram o terceiro lugar para a Hyundai, num resultado inesperado e de forte carga simbólica para a dupla neozelandesa.

Neuville comandou até ao golpe final

A Hyundai entrou no último dia com motivos para acreditar num ponto de viragem na temporada. Neuville e Martijn Wydaeghe chegaram à especial decisiva com 1m15,4s de vantagem, depois de um fim de semana em que o belga assumiu o papel de referência da equipa e consolidou a liderança com autoridade nas classificativas em asfalto.

Mas a vantagem acumulada revelou-se insuficiente perante um único erro. Na última especial, Neuville perdeu a traseira do Hyundai i20 N, embateu num bloco de betão e danificou de forma irreparável a suspensão dianteira direita, comprometendo de imediato a vitória. “Não tenho explicação neste momento”, admitiu o piloto, já no final, depois de pedir desculpa à equipa por uma falha que, nas suas palavras, deixou escapar um triunfo de que a estrutura “precisava”.

Um presente desperdiçado

A reação de Neuville espelhou a dimensão do revés. “Não há desculpas para mim face a toda a equipa. Precisávamos daquela vitória e ela estava ali, como um presente, como uma oferta, e não a aproveitámos”, afirmou o belga, num desabafo que sublinhou o peso competitivo e emocional do momento.

A perda da prova prolongou também um arranque de época aquém das expectativas da Hyundai, que continua sem vencer em 2026 apesar dos sinais de progresso mostrados na Croácia. A equipa tinha encontrado ritmo desde sexta-feira e via nesta ronda uma oportunidade clara para travar o domínio da Toyota, mas saiu da prova com um sentimento oposto: velocidade sem recompensa.

Paddon capitaliza e devolve a Hyundai ao pódio

Se a desilusão tomou conta da frente da equipa, Hayden Paddon e John Kennard representaram o lado mais resiliente do fim de semana. A dupla terminou em terceiro lugar e garantiu um pódio que marcou o regresso de Paddon ao top 3 do WRC pela primeira vez desde 2018, enquanto Kennard voltou a um pódio mundial pela primeira vez desde 2016.

O próprio resultado teve um tom agridoce. “Não é a forma como se quer consegui-lo”, reconheceu Paddon, admitindo estar “destroçado pela equipa”, embora destacando também a importância de voltar ao pódio vários anos depois. A consistência do neozelandês ao longo da prova, num rali descrito pela Hyundai como “implacável”, acabou por ser decisiva para salvar um resultado relevante em termos coletivos.

Fourmaux saiu mais cedo após novo contratempo

Adrien Fourmaux também viveu um fim de semana de sobressaltos e acabou afastado da luta por pontos de maior expressão. Depois de um furo logo na segunda especial, o francês abandonou no sábado, na 12.ª classificativa, quando saiu largo numa curva à direita e danificou a suspensão traseira esquerda do Hyundai.

Na explicação do acidente, Fourmaux assumiu o erro e detalhou a sequência que levou ao impacto. O piloto disse que travou com duas rodas na gravilha, não conseguiu abrandar o suficiente, tentou evitar um corte no interior e acabou por não ver o poste na saída, embatendo e perdendo uma roda; “estou muito envergonhado”, afirmou, lamentando a perda de “bons pontos para o campeonato”, segundo a transcrição fornecida pelo utilizador.

Um episódio insólito fora da estrada

O abandono de Fourmaux teve ainda um episódio invulgar fora do contexto competitivo. Elementos do público terão recolhido componentes do carro, incluindo a roda solta após o acidente, numa situação relatada pela equipa no local e marcada por frustração. Essa dimensão paralela, embora lateral à disputa desportiva, ajudou a ilustrar o ambiente caótico que por momentos rodeou a prova.

Hyundai sai com sinais mistos

O balanço final da marca sul-coreana foi, por isso, duplo: houve velocidade para vencer e consistência suficiente para segurar um pódio, mas também erros e contratempos que impediram um resultado mais robusto. A Croácia mostrou uma Hyundai mais competitiva em asfalto, mas também confirmou que a recuperação desportiva da equipa continua dependente da capacidade de transformar andamento em execução até ao fim.

Para Paddon e Kennard, o terceiro lugar devolve visibilidade e confiança a uma dupla experiente. Para Neuville, fica um dos episódios mais duros da sua carreira: liderou, controlou e esteve a um passo da vitória, mas viu o rali escapar quando já parecia resolvido.

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