Teo Martín considera que a regulamentação técnica projetada para o Campeonato do Mundo de Ralis a partir de 2027 levanta sérias dúvidas de viabilidade competitiva e financeira. Em declarações à revista espanhola Todo Racing, o preparador e responsável de equipa classificou o novo enquadramento como “uma trapalhada” e defendeu que a FIA deveria ter evoluído a atual base dos Rally2, em vez de avançar para uma mudança mais profunda.
“Sinceramente, acho que é uma trapalhada”, afirmou Martín, sustentando que os Rally2 representam “a melhor regulamentação que alguma vez houve nos ralis”, por proporcionarem carros com desempenhos mais equilibrados e maior peso do talento do piloto no resultado final. Na sua perspetiva, a solução passaria por manter essa plataforma e introduzir melhorias cirúrgicas, nomeadamente na aerodinâmica e na restrição do turbo, para criar um degrau competitivo acima dos Rally2, mas sem desvirtuar o conceito.

Rally2 no centro do debate
Segundo Teo Martín, o atual panorama técnico poderia ter sido aproveitado para alargar a base competitiva do Mundial e facilitar a entrada de novas estruturas e construtores. O espanhol sublinhou que marcas como Toyota, Hyundai, Skoda, Ford e Lancia já operam neste ecossistema e considerou que uma regulamentação mais aberta poderia atrair mais equipas privadas e até novos fabricantes, incluindo oriundos da indústria automóvel chinesa.
O preparador mostrou também reservas quanto ao desempenho inicial dos novos carros em desenvolvimento, afirmando que, pelos testes realizados até agora, estes “não são para já mais rápidos do que os Rally2”. A partir daí, criticou a hipótese de a FIA vir a compensar essa diferença com medidas artificiais, como a imposição de peso aos Rally2 mais competitivos. “Isso, para mim, era uma loucura”, disse, defendendo antes ajustamentos técnicos nos novos regulamentos para garantir maior rapidez e coerência desportiva.

Custos agravam pressão sobre equipas privadas
Além das questões técnicas, Teo Martín apontou o aumento dos custos operacionais como um dos principais entraves para os privados. O responsável mostrou-se particularmente cético perante a possibilidade de as equipas terem de disputar todas as provas do calendário para depois contabilizarem apenas os sete melhores resultados.
“Isto é uma loucura”, afirmou, argumentando que essa solução agravaria uma estrutura de custos já pressionada pelo preço dos pneus, do combustível, das viagens e da hotelaria. Na entrevista, defendeu que a realidade financeira atual torna cada vez mais difícil sustentar programas completos no WRC sem apoio de fábrica.

Continuidade com a Toyota
Apesar das críticas, Teo Martín admitiu que a marcha-atrás no processo regulatório será difícil, até porque fabricantes como a Toyota já investiram significativamente no desenvolvimento dos novos carros. “A Toyota gastou muito dinheiro” e “está constantemente a fazer testes”, assinalou.
Nesse contexto, Martín indicou que a sua estrutura continuará ligada à Toyota, enquanto aguarda para perceber de que forma o enquadramento técnico e desportivo será fechado para a próxima fase do Mundial de Ralis.










