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Rali Safari: o teste mais selvagem e imprevisível do WRC

José Luis Abreu by José Luis Abreu
9 Março, 2026
in Ralis, WRC
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WRC/PEC13: Kalle Rovanperä a caminho de novo triunfo no Rali Safari

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Prova mais dura do WRC volta a pôr máquinas e pilotos no limite…

O Safari Rally Quénia volta a assumir-se como uma das provas mais exigentes e imprevisíveis do Campeonato do Mundo de Ralis, combinando troços de extrema dureza, clima instável e condições de terreno que podem mudar em segundos. Mais do que um rali de velocidade pura, o desafio africano continua a ser um exercício de sobrevivência mecânica e de gestão de risco, em que a fiabilidade e a disciplina ao volante contam tanto como o andamento absoluto. Este é claramente um evento de carácter único em que cada quilómetro pode esconder armadilhas de areia, pedras, sulcos profundos ou autênticos lagos de lama.

Terreno brutal, mecânica no fio da navalha
O Quénia continua a ser um teste mecânico severo, com pisos de terra quase sempre muito degradada, zonas de ‘fesh‑fesh’ e longas secções em que a prioridade é preservar o carro. Para enfrentar estas condições, as equipas montam alturas ao solo mais elevadas e suspensões mais macias, tentando encontrar um compromisso entre robustez e tração.

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Há, porém, zonas onde os pilotos são obrigados a “andar em bicos de pés” para evitar danos sérios, navegando entre pedras, buracos e trilhos escavados pela chuva, que é sempre uma forte possibilidade nos dias da prova. A ameaça de aguaceiros torrenciais e passagens de água profundas adiciona uma camada extra de incerteza, como ficou demonstrado no terceiro dia da edição anterior, em que alguns troços se transformaram em autênticos pântanos.

Elfyn Evans chega líder e com histórico favorável
Pelo segundo ano consecutivo, Elfyn Evans e Scott Martin vão abrir a estrada no Safari, depois de assegurar a liderança do campeonato na prova anterior. O galês chega ao Quénia com um registo forte: venceu a prova na última edição e soma vários pódios em ralis recentes, tendo terminado fora do top‑2 em apenas uma das últimas sete rondas do WRC: “É um rali especial por muitas razões. A velocidade é incrível e o desafio é enorme”, destacou Evans, consciente de que partir na frente significa também varrer a linha de corrida e enfrentar, em primeira mão, a areia solta e os sulcos mais traiçoeiros.
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Toyota quer prolongar domínio absoluto em solo africano
A consistência de Evans é reforçada pela superioridade mecânica da Toyota, que permanece invicta no Safari desde o regresso da prova ao Mundial em 2021. A marca japonesa soma já cinco vitórias consecutivas no Quénia neste novo ciclo, capitalizando um pacote técnico robusto e uma preparação muito orientada para a fiabilidade.

A formação contará com Sébastien Ogier para a sua segunda aparição num programa parcial de 10 ralis, piloto que já triunfou duas vezes no Safari e que procura voltar ao topo depois de um terceiro lugar em Monte Carlo, aquém das expectativas do campeão do mundo em título.
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Oliver Solberg em busca de confirmação após “reality check”
Depois de um arranque de época fulgurante, Oliver Solberg sofreu um verdadeiro reality check na Suécia, onde perdeu a liderança logo na terceira especial do rali caseiro. Uma recuperação controlada garantiu o quarto lugar, mas a prova serviu para recordar ao jovem sueco os riscos de forçar demasiado em condições extremas.
​
No Quénia, Solberg regressa a um terreno que já conhece e onde sente na pele o perigo do fesh‑fesh, essa areia extremamente fina que pode engolir um carro em segundos se o piloto sair da trajetória ideal. As expectativas são elevadas, numa ronda que poderá ser o teste mais exigente da sua ainda curta carreira nos Rally1.

Katsuta persegue redenção e primeira vitória
Para Takamoto Katsuta e Aaron Johnston, o Safari tem sabor a assunto pendente. Um violento acidente na última especial do ano passado terminou de forma dramática uma prova em que o japonês tinha mostrado ritmo para lutar pelos lugares cimeiros.

Apesar desse revés, Katsuta concluiu todas as outras participações no Quénia e coleciona já três pódios na prova africana, além de ter liderado na Suécia antes de problemas de pneus lhe estragarem o fim de semana. Uma primeira vitória no WRC em solo africano seria o capítulo perfeito numa narrativa de redenção para um dos pilotos mais populares do pelotão. E não só!

Pajari em crescendo e mais candidatos ao pódio
Sami Pajari e Marko Salminen estrearam‑se no Safari na época passada, terminando num sólido quarto lugar. O finlandês reforçou esse crescimento com o segundo pódio da carreira no WRC na ronda anterior, prova de uma evolução assente em consistência e velocidade pura. ​A confiança ao volante é apontada como chave para libertar todo o potencial do jovem piloto, que surge assim como mais um nome da Toyota a apontar ao pódio no Quénia.
​
Hyundai procura respostas num cenário de incerteza
Do lado da Hyundai, o início de ano levantou dúvidas: a diferença de desempenho entre o i20 N Rally1 e o Toyota GR Yaris parece ter aumentado, e nenhuma das formações da marca coreana conseguiu intrometer‑se no domínio absoluto da Toyota na Suécia: “Está a ser o período mais difícil da minha carreira”, admitiu Thierry Neuville, preocupado com o fosso competitivo e com a incapacidade de travar a sequência de bons resultados da rival japonesa.
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Adrien Fourmaux foi quem mais longe levou as cores da Hyundai na prova nórdica, com um quinto lugar, mas o francês foi claro sobre o caminho a seguir: “Para mim, só pode significar que temos um problema nos amortecedores. Não o vamos resolver hoje, nem amanhã, mas temos mesmo de trabalhar nisso.”
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Caos pode abrir portas à Hyundai
Apesar da falta de andamento em condições normais, a natureza caótica do Safari pode oferecer uma oportunidade à Hyundai, como demonstrou a dobradinha de Neuville e Fourmaux no Rali da Arábia Saudita, outra prova de elevada taxa de desistências.

Esapekka Lappi e Janne Ferm completam a formação da marca para a sua segunda aparição da temporada, depois de um rali em que exibiram bom ritmo antes de ceder posição ao colega de equipa na fase final. O último Safari de Lappi terminou com problemas de transmissão, furos e um pára‑brisas partido, pelo que o finlandês espera que a selva queniana seja desta vez menos cruel.
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M‑Sport Ford chega pressionada, mas com margem para surpreender

A M‑Sport Ford apresenta duas duplas totalmente irlandesas, com Josh McErlean e Eoin Treacy a liderarem a formação numa ronda em que pretendem reagir a um fim de semana difícil na Suécia. Um erro de afinações, com pressões demasiado baixas nos pneus, resultou numa sequência de furos que comprometeu a prova logo no segundo dia. Jon Armstrong nunca competiu no Quénia, mas tem sido, juntamente com Shane Byrne, uma das duplas mais consistentes da M‑Sport em 2026. Já McErlean e o co‑piloto Eoin Treacy ainda procuram capitalizar a experiência acumulada ao mais alto nível, sabendo que manter a cabeça fria pode ser decisivo na prova mais dura do ano.

Um dos maiores desafios do desporto motorizado
Entre mecânica levada ao limite, clima imprevisível, fauna selvagem e troços que oscilam entre o pó profundo e a lama extrema, o Rali Safari/Quénia mantém o estatuto de um dos desafios mais duros de todo o desporto motorizado.

O percurso deste ano é mais compacto, com quatro dias e 350,52 quilómetros competitivos, centrado no parque de assistência no Lago Naivasha, a cerca de duas horas de carro a noroeste da capital, Nairobi. Após o shakedown na quinta-feira de manhã, o rali começa à tarde com as especiais Camp Moran e Mzabibu. Ambas os troços são repetidos para encerrar a sexta-feira, que também apresenta um trio de classificativas ao redor do Lago Naivasha, realizados duas vezes antes e depois do serviço do meio-dia. No sábado, as equipas seguem para o norte, para o Lago Elmenteita, para um trio de troços repetidos, enquanto duas especiais são realizadas duas vezes para formar a etapa final de domingo, com a segunda passagem por Hell’s Gate servindo como Power Stage, que encerra o rali.

Tags: Rali SafariWRC
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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