» Textos: Nuno Branco

 

Rali de Portugal, Luis Moya: “Fafe era tão emocionante como o Turini!”


Durante anos, foi a outra face do sucesso de Carlos Sainz, cantando as notas a “El Matador” com rara intensidade. Dono de uma simpatia e disponibilidade invulgares, Luís Moya falou-nos de muita coisa, dos seus projectos atuais e de uma carreira recheada de sucessos, contando histórias que, ainda hoje, o fazem arrepiar-se quando as recorda. De tudo, retirámos o que se refere ao Rali de Portugal…

Participaste em várias edições do Rali de Portugal, onde certamente terás boas e más recordações…

Nunca esquecerei a edição de 1995. Estávamos na Subaru e discutimos a vitória com o Juha Kankkunen até ao último metro. Lembro-me que disputámos o último troço, Lousã-Relvas, sem travões à frente e tivemos que recorrer várias vezes ao travão de mão. Pensávamos que íamos perder o rali, mas o instinto matador do Carlos, levou-nos à vitória…

Como galego que és, como te sentes quando visitas Portugal?

Em Portugal, sempre me senti em casa e costumo dizer que é um país desconhecido. Tem locais fabulosos, fora dos grandes centros e o rali permitia-nos conhecer esses sítios magníficos. Ainda hoje, quando tenho saudades de uma posta de bacalhau, passo a fronteira e vou a Valença do Minho, onde se come um divinal bacalhau na brasa.

Já que falamos de Fafe, passaste lá inúmeras vezes durante os anos em que fizeste o rali de Portugal. Que memórias guardas dessa zona tão carismática?

Fafe era espectacular. Em primeiro lugar, era como correr em casa. Muitos amigos da Galiza estavam lá para me apoiar e quando arrancava para a classificativa, sentia que iniciava um troço especial. Aquela sequência da descida, com milhares de pessoas na encosta, a entrada no asfalto com vários adeptos a acenar-nos e terminando no salto, era simplesmente magnífica. Para mim era um local mítico, tão emocionante como o Col du Turini. Ainda hoje fico com “pele de galinha” quando recordo esses tempos.

Vejo um brilho no teu olhar quando recordas esses momentos…

É verdade. Era um momento tão apaixonante que, dificilmente, alguém como eu, que adora os ralis e os vive com tamanha intensidade, mesmo após estes anos que passaram, poderá ficar indiferente. Toda aquela gente, a quantidade de carros e o tráfego á volta dos troços era uma coisa sem igual no mundo inteiro.

E de Arganil, que recordações guardas?

Lembro-me que, nos primeiros anos, a zona estava repleta de árvores e era muito difícil orientarmos-nos nos treinos. Perdíamos-nos com facilidade e como não existiam mapas muito detalhados, eu desenhava os meus próprios mapas e, de ano para ano, ia acrescentando estradas. Depois, as árvores desapareceram e a orientação tornou-se muito mais fácil. Nessa altura apercebemos-nos também da beleza daquelas serras e das ravinas que tornavam Arganil num local igualmente especial.

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