Stig Blomqvist superou adversidades e conquistou título mundial num Rali da Costa do Marfim marcado por caos e resistência. Ironicamente, foi a primeira vez que o Audi Sport Quattro – a versão curta do Audi Quattro – terminou uma prova.
Stig Blomqvist garantiu o seu título mundial de forma heróica, num Rali da Costa do Marfim cheio de desafios, onde enfrentou condições extremas, problemas de percurso e uma concorrência reduzida, mas muito persistente.
Apesar de críticas sobre um possível favorecimento da Audi, o evento provou ser um verdadeiro teste de sobrevivência para carros, pilotos e organizadores, consolidando o Sport Quattro e Blomqvist no topo do automobilismo mundial de ralis da altura…
Stig Blomqvist teve de sobreviver à Costa do Marfim para ser campeão, percorrer 400 km num percurso solitário com um carro que nunca tinha durado tanto tempo, contra uma concorrência que não lhe deu qualquer oposição ou estímulo, mas disso já o sueco tinha de sobra face às dificuldades que tinha para enfrentar no rali.
A sobrevivência do Rali da Costa do Marfim era um verdadeiro milagre dos ralis da altura. Apesar das previsões de que o evento acabaria devido às novas regras na altura do Apêndice 3, os organizadores mostraram determinação. Para alcançar o mínimo de cinquenta carros, recorreram novamente aos ‘táxis’ – veículos normais de estrada disfarçados de competidores.
A prova tinha muitas peculiaridades e desafios. Havia uma clara flexibilização dos requisitos: por exemplo, uma alteração nas regras, permitindo que os carros do Grupo N não precisassem mais de ‘olhos de reboque’.
Essa flexibilização fez com que muitos competidores migrassem do Grupo A para o Grupo N, buscando vantagens competitivas.
A prova teve uma início caótico, logo após a largada em Abidjan, um grande número de carros abandonou a prova, sendo retirados da competição. Afinal já não eram 50…
A taxa de abandonos ‘imediatos’ foi tão alta que o pelotão líder ficou significativamente reduzido.
A equipa Audi, com Stig Blomqvist e Hannu Mikkola, era a grande favorita, contando com carros competitivos e uma estratégia bem definida.
Contra eles, havia um Nissan 240RS para Shekhar Mehta, o queniano que tinha tido muitas vezes azar nesta prova (oito participações anteriores, mas só tinha terminado uma vez) e um Opel Manta 400 emprestado ao piloto local Alain Ambrosino. Outro concorrente interessante era Dave Horsey com uma pick-up Peugeot 504, que participou na esperança de obter mais pontos no campeonato africano. Já tinha vencido o Rali do Zimbabué. Ir do Quénia para a Costa do Marfim não foi tão fácil como o mapa poderia sugerir – o carro acabou por ter de ser transportado de avião via Europa.
De resto, o que não faltou foram dificuldades enfrentadas pelos pilotos durante o Rali da Costa do Marfim, especialmente no que diz respeito à organização e às condições do percurso.
A prova foi realizada numa região com muita vegetação e chuvas frequentes, tornando as estradas escorregadias e difíceis de navegar.
A falta de reconhecimentos foi um problema: Blomqvist e outros pilotos não conseguiram realizar um reconhecimento completo do percurso, especialmente na Floresta de Tai, devido às condições climáticas e à falta de tempo.
Houve imensos erros nos mapas e instruções fornecidos aos pilotos, causando confusão e levando a que alguns troços fossem cancelados.
As condições climáticas e a necessidade de reparações em algumas estradas resultaram em mudanças constantes no percurso, dificultando muito a vida dos competidores.
As chuvas intensas tornaram o terreno ainda mais desafiador, com trechos lamacentos e visibilidade muito reduzida.
Vários pilotos enfrentaram problemas mecânicos nos seus carros, como a quebra da correia da ventoinha no Nissan 240 RS de Shekhar Mehta.
Depois da chuva e da lama, com a secagem das pistas, a poeira tornou-se num novo grande problema, prejudicando a visibilidade e dificultando as ultrapassagens.
Por fim, o cansaço que resultou da longa duração da prova, combinada com as condições adversas, o que levou os pilotos ao limite físico e mental.
Face ao que vemos e lemos hoje, com as queixas dos pilotos, por aqui se vê como os tempos são bem diferentes no WRC…
Este Rali da Costa do Marfim foi marcado por uma série de desafios, tanto para os pilotos quanto para os organizadores. As condições climáticas adversas, os erros no roadbook e as mudanças constantes no percurso tornaram a prova extremamente difícil e imprevisível. Apesar de tudo disso, Blomqvist conseguiu superar todas as dificuldades e conquistar o título mundial.









