Tem havido nos últimos tempos muita discussão que teve origem num elemento da FIA, que com as suas declarações, colocou toda a gente, em todo o lado, a falar do futuro do WRC. O diretor técnico da FIA, Xavier Mestelan Pinon deixou no ar a possibilidade de não haver sistema híbrido no Rally1 para lá de 2024, LEIA AQUI mas isso abriu uma caixa de Pandora, porque colocou em “pé de guerra”, passe o exagero e fique a ideia, o mundo do WRC, porque deixou claro que a FIA está a falhar redondamente ao não ter ainda, um caminho claro para o WRC. Pode parecer um ‘big deal’ estar a falar-se da ‘powertrain’ e que sistema híbrido os carros podem ou não ter, mas a discussão é muito maior do que isso, porque o Mundial de Ralis, WRC para os mais conhecedores, é muito mais do que isso, e sendo verdade que os adeptos hardcore entendem a discussão entre ter ou não sistema híbrido e a importância que isso tem para a política do desporto, a verdade é que os adeptos em termos gerais estão perfeitamente a marimbar-se para isso, querem é um desporto que os entusiasmante, querem saber das histórias, conhecer os pilotos, e se um adepto hardcore paga a Rally.TV para seguir uma qualquer prova de uma ponta à outra, já os restantes adeptos o que precisam é de coisas que os entretenha.
Dando como exemplo a F1 anda agora à procura de criar histórias. Por ali sentia-se que a sexta-feira não criava histórias. O que fizeram? Inventaram uma qualificação à 6ª Feira, uma corrida Sprint ao sábado e a corrida principal no domingo.
O que sucede no WRC? Nós, aqui no AutoSport conseguirmos dizer-lhe ao ‘milímetro’ quais são os picos de interesse, e também de…desinteresse. Basta olhar para a curva do tráfego. Os picos são na 6ª feira de manhã, no começo do rali o entusiasmo é maior, e depois esse interesse vai esmorecendo. De seguida, dependendo do que vai acontecendo na classificação ou com os incidentes, há picos de interesse, mas só mesmo na PowerStage se nota uma grande diferença. E isto diz que o WRC tem que encontrar um formato que ‘descubra’ formas de chamar à atenção muito mais vezes. E essa é que é a discussão difícil.
Há outro ponto muito importante: é claro para toda a gente que o WRC se está a afastar das pessoas, não apenas dos espectadores mas do público fisicamente. A criação de autênticos fortes em pleno parque de assistência, para isso tem contribuído.
Há que ir ao encontro das pessoas, e por pessoas entenda-se público, consumidores e investidores.
Ainda hoje em conversa com Jari-Matti Latvala, eles nos dizia: “nos anos 2000 o WRC criou muito interesse”. É verdade, chegou a haver sete equipas oficiais ou pouco menos que isso em 2007 e até aí houve seis vários anos, mas quando lhe dissemos que “o mundo mudou muito desde aí, o público de hoje se calhar precisa de algo diferente”, isso deixou-o a pensar que se calhar é mesmo por aí, é preciso pensar nos ralis como um todo e não colocar a ‘powertrain’ no centro da discussão e é aqui que a FIA está a falhar.
Pense qual é a grande disciplina de topo que não tem um caminho perfeitamente definido para uma boa quantidade de anos? A F1 tem, o WEC tem, o Dakar tem. E o WRC? andamos a discutir o que fazer para lá de 2024? Expliquem isso a um CEO de um qualquer construtor de automóveis para ver o que ele responde…
Embora os construtores possam ter visões diferentes sobre o futuro do WRC numa perspetiva técnica, uma coisa é certa: todos estão de acordo na ideia de que o WRC precisa de um abanão, e urgente…











