Mārtiņš Sesks viveu um fim de semana de emoções extremas no Rali da Arábia Saudita, última prova do Mundial de Ralis de 2025, ao passar de candidato firme à vitória a um abandono dramático na manhã decisiva. Ao volante do Ford Puma Rally1 da M-Sport, o letão assinou uma das exibições mais impressionantes da sua ainda curta carreira na categoria máxima, antes de ver um possível triunfo escapar-lhe nas derradeiras especiais.
De regresso ao Rally1 pela primeira vez desde o Rali da Finlândia, e navegado por Renārs Francis, Sesks mostrou velocidade desde o shakedown e começou logo forte na Super Especial de quarta-feira à noite, com o terceiro melhor tempo. Na quinta-feira, perante troços completamente novos para todos, respondeu com categoria: venceu a PEC2 – o seu primeiro triunfo em especiais desde a Letónia em 2024 – repetiu a dose na PEC3 e construiu uma vantagem inicial de 7,3 segundos sobre Adrien Fourmaux. Nem um pequeno erro na PEC4 travou o ímpeto, e um novo melhor tempo após a assistência manteve-o no comando, até um furo tardio na PEC6 lhe custar 12,9 segundos e o atirar para terceiro no final do dia.
Na sexta-feira, Sesks voltou ao ataque. Ficou a apenas uma décima do melhor registo na PEC10, recuperou o segundo lugar e reduziu a desvantagem para 4,2 segundos. À tarde, beneficiou do tempo perdido por Fourmaux para assumir a liderança, chegando a dispor de 22,1 segundos de margem. A última especial do dia foi caótica, com furos generalizados. Sesks também furou, mas arriscou não parar, opção que se revelou acertada quando Fourmaux sofreu o mesmo problema mais à frente. Uma penalização aplicada ao francês acabaria por promover o letão ao comando à entrada do derradeiro dia, com Thierry Neuville a apenas 3,4 segundos.
No sábado, a abordagem foi mais cautelosa e Sesks caiu para segundo por escassa diferença de dois segundos, mantendo-se, ainda assim, em plena luta pela sua primeira vitória no WRC. Tudo mudou na penúltima especial: um furo logo no início obrigou-o a parar para trocar a roda e um segundo furo pouco depois implicou nova paragem.
Sob calor intenso do deserto, o tempo perdido ultrapassou os sete minutos. Um problema mecânico subsequente impediu-o ainda de arrancar para a Power Stage, consumando um abandono amargo após um rali em que demonstrara andamento de topo, grande controlo em condições extremas e o potencial competitivo do Puma Rally1.
Apesar da desilusão, Sesks preferiu sublinhar os sinais positivos: admitiu sentir algum alívio por ele e por Renārs ao confirmarem que têm ritmo e capacidade para “fazer as coisas da forma certa”, mostrando-se satisfeito com o que a dupla e a equipa conseguiram depois de tanto trabalho. “Bem, acho que é um alívio para mim e para o Renārs termos ritmo e podermos fazer as coisas da maneira certa. Estou feliz com o que mostramos junto com a equipa depois de todo o trabalho árduo que foi feito. Foi um prazer estar de volta.”, resumiu o letão, num fim de semana em que o resultado não refletiu a verdadeira dimensão da sua prestação.










