Naquela que se espera que seja uma de suas últimas entrevistas antes de deixar de ser Team Manager da Toyota Gazoo Racing, Jarmo Lehtinen revelou ao Autosport qual é a opinião da TGR relativamente à maneira como gostariam que o calendário do WRC fosse delineado para o próximo ano. Este é um assunto que não reúne consensos, e a FIA e o promotor estão a trabalhar nele:
“Enquanto tivermos o formato atual de ralis, o meu sentimento pessoal é que 13 ou 14 ralis são o máximo aceitável. Catorze provas é financeiramente o limite em termos logísticos, e mais do que isso obriga a investir muito mais dinheiro. Não podemos falar sobre mais ralis, muito menos de longa distância, sem que se pense no seu formato. Será que precisamos de três dias de rali, podemos fazer as provas num período mais curto? Pessoalmente, eu não gosto nada disso, o DNA dos ralis mudaria muito se nós passarmos a ter ralis sprint de um ou dois dias. Eu sei que houve conversas sobre o facto de podermos estar a ter um calendário demasiado concentrado na área do Mediterrâneo e a isso acresce ainda a questão de possíveis eventos na Turquia e na Croácia. Eu colocaria a Polónia na mesma discussão. Pessoalmente sinto que os países da Europa Oriental merecem um evento. Existe uma base de fãs realmente grande e o rali é um desporto bastante forte nessa região do mundo, mas infelizmente, a Polónia tem alguns problemas neste momento, financeiros e de segurança, e por algum motivo a organização não tem sido muito consistente. Eu corri na primeira edição do Rali da Polónia, foi realmente brilhante, mas desde aí foi decrescendo e eu não gostei mesmo nada do que vi neste ano. A zona é boa, os troços não são maus e essa parte do mundo merece uma prova, a Polónia, a Estónia, talvez a Lituânia? Por que não a Croácia? A Croácia seria um bom lugar para os adeptos italianos. Não acho que deva haver mais provas de asfalto, nesse aspeto penso que agora existe um bom equilíbrio. Eu continuo a considerar o Monte Carlo um rali de asfalto, a localização da Córsega como ilha não é ideal, mas tem as melhores estradas de asfalto do mundo, e para mim do ponto de vista de um concorrente, é um rali fantástico. Quanto à Alemanha, é algo completamente diferente e único, na verdade não é um rali típico de asfalto, quanto a mim, mas é classificado como asfalto (ndr, devido aso três tipos de piso completamente distintos). A Catalunha é outro rali fantástico, gosto muito de seus troços tipo pista, absolutamente fantásticos. Não há ralis que ficaria feliz se não continuassem no WRC. Todos eles têm os seus lados bons e maus. Não cabe aos organizadores tornar as organizações mais consistentes mas sim à FIA e ao Promotor criar condições para que isso suceda, e eles precisam de pessoas inteligentes o suficiente para respeitar os organizadores locais e suas situações específicas. Não é uma situação de preto ou branco, mas de um modo geral penso que as coisas estão a caminhar de uma boa maneira. Houve muitos desenvolvimentos positivos quanto aos ralis destes últimos dois anos e espero que isso continue”, disse Lehtinen, a primeira de quatro opiniões que recolhemos das quatro equipas.
Martin Holmes











