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Francisco Romãozinho: o piloto que fez história com o ‘Boca de Sapo’…

José Luis Abreu by José Luis Abreu
5 Abril, 2026
in AutoSport Histórico, Newsletter, pv2, Ralis, WRC
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Antes de Sébastien Loeb nascer, já outro senhor dos ralis se evidenciava ao volante de um Citroen. Francisco Romãozinho fez história com o “Boca de Sapo”…

Por Nuno Branco

Francisco Romãozinho pertence a uma geração de pilotos cujo amadorismo era largamente compensado pelos dotes de pilotagem, pelo espírito aventureiro e sobretudo pela paixão.

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Começou a correr no início da década de 60, numa altura em que, com o mesmo carro, se fazia o rali ao Sábado e a rampa ao Domingo e rapidamente mostrou que tinha talento. Os primeiros sucessos surgiram com os Cooper (Mini), mas o ponto de viragem da sua carreira, dá-se em 1969.
Nesse ano, sagra-se campeão nacional de velocidade em grupo 1, com um Cooper S e inicia uma estreita relação com a Citroen, conduzindo o DS 21 nos ralis nacionais. Fazendo dupla com “Jocames”, vence a Volta a Portugal e o Rali TAP. Nesta altura, tinha já o apoio oficial da marca francesa e experiência suficiente para colocar o pesado “Boca de Sapo” na luta pelas vitórias, sobretudo nas provas mais longas e desgastantes.

Romãozinho sabia poupar a mecânica, manter um ritmo regular e atacar no momento certo. Com estas características, Madame Cotton, então responsável pelo departamento de competição da Citroen, não hesitou em apoiar oficialmente, durante vários anos, o português que, embora tivesse uma ligação profissional à marca, era “convocado” com mérito próprio.

Em 1971 e 72, alinhou no TAP com versões “protótipo” dos DS ao lado de nomes como Bochnicek e Waldegard, desistindo em ambas as edições. No ano seguinte, voltou ao DS 21 convencional e já com o habitual navegador José Bernardo, alcançou o terceiro lugar na primeira edição “mundialista” do TAP, logo depois dos Alpine Renault. Nesta altura, pouco tempo lhe sobrava para os ralis e Romãozinho competia quase exclusivamente no rali de Portugal.

Em entrevista à RTP em 1974, confirmava a decisão de última hora em alinhar no TAP. Com um GS 1220, foi oitavo classificado e o melhor português. No ano seguinte, num GS melhorado, agora com 1300 cc, repetiu o oitavo lugar e a partir de 1977 alinhou com o CX, fazendo em 78, equipa com Henri Toivonen. Em 1983, com um Visa Chrono de Grupo B, não chegou ao fim do seu último Rali de Portugal.

Romãozinho viria também a fazer parte do primeiro capítulo da história do Todo-o-Terreno em Portugal, participando em 1987,com um Visa, no primeiro Rali Maratona de Portalegre. Chegou a andar na frente, provando que quem sabe, nunca esquece…

Ao volante do DS 21, Romãozinho obteve os maiores sucessos da carreira.
No TAP de 73, voou em Quiaios e chegou ao pódio

Chuva, lama e polémica
O Rali de 1969 foi um dos mais duros de sempre. Devido às péssimas condições atmosféricas, apenas quatro concorrentes chegaram classificados ao Estoril, mas o líder, Tony Fall, apresentou-se no último controlo com a namorada a bordo do Fulvia e César Torres não hesitou em desclassificá-lo. Rumores apontam para que a verdadeira razão da eliminação terá sido uma suspeita reparação ao Lancia na descida da Lousã. A vitória acabou por sorrir a Romãozinho, cujo DS 21 se adaptou na perfeição ao inferno das florestais do nosso país.

Monte Carlo 1972
Uma armada lusa partiu da sede do ACP em Lisboa para participar no Rallye Monte Carlo. Dela faziam parte Colaço Marques, Américo Nunes e Francisco Romãozinho que, sem experiência no Rali monegasco e nas suas armadilhas, embarcaram numa aventura com destino ao Principado. A prova foi marcada pelos problemas na caixa de velocidades dos Alpine Renault, que abriram caminho para a vitória de Sandro Munari, em Lancia Fulvia. Romãozinho, navegado por Heitor de Morais, protagonizou naquela época uma das mais marcantes prestações portuguesas além fronteiras, levando o DS ao 19º lugar e 4º do Grupo 2.

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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