O finlandês Sami Pajari assumiu a liderança Rali do Paraguai no final de uma extenuante e imprevisível primeira etapa em piso de terra na América do Sul. Num dia em que a liderança mudou repetidamente de mãos e os furos dizimaram o pelotão principal, o piloto da Toyota fechou o dia com uma vantagem de 11,9 segundos sobre o neozelandês Hayden Paddon. O líder do campeonato, Elfyn Evans, encerra os primeiros lugares do pódio provisório, a 56,3 segundos da frente.
A jornada inaugural arrancou com aparato em Encarnación, mas depressa se transformou numa autêntica prova de sobrevivência devido às condições severas do piso e à vaga de furos que afetou quase todos os concorrentes da categoria Rally1. Beneficiando de uma gestão resiliente no primeiro bloco competitivo, Hayden Paddon ascendeu a uma inesperada liderança ao meio-dia, desfrutando de uma margem de 23,9 segundos que parecia sólida antes de regressar à assistência.

A reviravolta no troço ‘Rainha’ de Yerbatera
Contudo, a situação alterou-se drasticamente durante a tarde, impulsionada pelas passagens na classificativa mais longa do rali, Yerbatera. Adrien Fourmaux impôs forte ritmo e Paddon sofreu a primeira delaminação no pneu dianteiro direito em Nueva Alborada, permitindo a Elfyn Evans ascender provisoriamente ao comando por escassos cinco décimos de segundo. A liderança do britânico durou pouco, pois na segunda passagem por Yerbatera o pneu traseiro direito do seu Toyota GR Yaris desintegrou-se por completo, forçando-o a completar o troço apenas com a jante.

A gestão cirúrgica de Pajari
Aproveitando as ‘debacles’ alheias e mantendo-se imune a grandes percalços — apesar de ter lidado com uma fuga de água pela manhã —, Sami Pajari ascendeu ao topo e segurou a liderança após a super especial no Autódromo Alfredo Scheid. «Foi muito limpo para mim», explicou o jovem finlandês sobre a sua prestação imaculada nos troços. «Acho que ter um furo é uma lotaria. Tenho de estar contente com o que fizemos. Ainda é cedo neste rali e já muita coisa aconteceu», concluiu, antecipando maiores dificuldades para as próximas especiais.
A resiliência de Paddon e as aspirações de Fourmaux
A ocupar o segundo posto na sua primeira aparição de topo em terra no WRC desde 2018, Hayden Paddon admitiu o caráter rocambolesco do dia. «Acho que toda a gente teve problemas, por isso, se conseguirmos sair de dois troços com furos e continuarmos a uma distância tangível, tivemos azar mas sorte ao mesmo tempo», refletiu o piloto da Hyundai. «Foi um dia difícil, e o mais assustador é pensar que este vai ser o dia mais fácil do rali», acrescentou.
Apesar de ter perdido muito tempo devido a um duplo furo na traseira e a trocas de pneus, Adrien Fourmaux demonstrou inconformismo com o quarto lugar final. «Conhecem-me, não vou desistir», sublinhou o francês. «Vou atacar até ao fim e ver onde podemos chegar».

Problemas na concorrência direta
A tabela classificativa reflete os inúmeros incidentes mecânicos e saídas de estrada registados desde os primeiros quilómetros de competição. Takamoto Katsuta sofreu um aparatoso capotanço logo ao segundo quilómetro da abertura, enquanto Thierry Neuville abandonou com danos na suspensão traseira do seu Hyundai e Sébastien Ogier viu o seu dia terminar na terceira especial devido a uma falha na reparação provisória da suspensão.
Por seu turno, Oliver Solberg perdeu preciosos minutos quando o motor da sua viatura calou numa travagem e recusou arrancar, exigindo o empurrão do público antes de enfrentar um furo suplementar que o relegou para a oitava posição. Entre os concorrentes nacionais e regionais, o destaque vai para o desempenho do favorito da casa Diego Domínguez, consolidando o comando destacado na divisão WRC2 na sexta posição da geral.
O rali prossegue com a etapa mais longa do fim de semana, que inclui mais de 137 quilómetros cronometrados distribuídos por nove especiais, com previsões meteorológicas a apontar para a chegada iminente de chuva intensa.
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