O dado central está confirmado: o Vodafone Rally de Portugal não integrará o Campeonato do Mundo de Ralis em 2027. A prova chegou a estar projetada para 13 a 16 de maio, mas foi retirada na fase final de preparação do calendário, após alterações promovidas com o objetivo declarado de tornar a temporada mais diversa em termos geográficos e intercontinentais. Pelo menos é essa a razão oficial.
O calendário completo de 2027 ainda não foi oficialmente publicado pela FIA ou pelo WRC. A informação disponível indica uma temporada de 14 rondas e a estreia já confirmada do Rally Scotland, mas a composição final e as datas das restantes provas continuam por anunciar.
Assim, ainda não é possível afirmar com segurança qual prova entrou diretamente no lugar de Portugal, mas desconfiamos que o WRC 2027 irá ter duas novas provas.
O que mudou…
A decisão contraria um anúncio feito em maio de 2025 pelo próprio ACP e pelo Rally de Portugal. Nessa altura, foi comunicado um acordo com o promotor que alegadamente garantia a presença da prova em 2026, 2027 e 2028; Simon Larkin, então diretor de eventos do promotor, chegou a classificar Portugal como uma prova estratégica para o campeonato. E não foi por acaso. Entrevistamos Simon Larkin nessa altura e entre as muitas coisas que nos disse, sobressaiu uma: “Se todas as provas fossem como o Rali de Portugal, eu poderia ficar em casa”
O novo comunicado não explica como esse compromisso foi alterado, rescindido ou substituído. O facto de o ACP dizer agora que iniciou conversações para avaliar a possibilidade de regresso em 2028 sugere que a presença nesse ano deixou de poder ser tratada como garantida, embora não sejam conhecidos os termos jurídicos ou comerciais do acordo anterior.
O novo promotor, adquirido pela Cosmobilis e pela Park Square Capital no verão de 2026, apresentou uma estratégia de crescimento internacional, maior alcance mediático e procura de novos mercados. Éric Boullier reconheceu existir uma lista extensa de países interessados, mas sublinhou que as escolhas têm de ponderar logística, custos das equipas e sustentabilidade.
Nenhum desses itens torna plausível que Portugal tenha sido sacrificado para abrir espaço a uma nova geografia ou reequilibrar o número de rondas europeias. Só há um ponto em que Portugal pode ter um déficit face a muitas outras provas: dinheiro!
Contudo, toda a leitura anterior é contextual e não uma confirmação: até à divulgação do calendário e de eventuais explicações adicionais, não há prova pública de que Escócia, Estados Unidos, Itália/Roma ou outra candidatura tenha ocupado especificamente a vaga portuguesa.
O fator Viseu
A saída surge quando estava em preparação uma mudança estrutural da prova. A partir de 2027, Viseu deveria substituir Matosinhos como centro operacional, porque as obras previstas na Exponor inviabilizariam a continuidade do parque de assistência naquele local.
A Câmara de Viseu aprovou um contrato com o ACP para 2027 e 2028. O acordo previa o centro de operações e uma classificativa no concelho.
Haverá prova em 2027?
A formulação rigorosa, neste momento, é dizer, como é óbvio, que não haverá Rali de Portugal a contar para o WRC em 2027. A exclusão do calendário mundial não equivale automaticamente à confirmação de que não se realizará qualquer edição da prova, como é lógico.
Há precedentes de edições realizadas fora do WRC: em 1996 a prova contou para o Mundial FIA de 2 Litros; entre 2002 e 2006 realizou-se sem integrar o Mundial principal; e em 2008 fez parte do Intercontinental Rally Challenge durante a rotação do calendário.
Não foi, porém, ainda anunciado se o ACP equaciona uma edição em 2027 integrada noutro campeonato, como evento-candidato ou apenas de âmbito nacional.
Enquadramento histórico
O Rali de Portugal entrou no primeiro Mundial, em 1973, como terceira ronda da temporada. Desde então, ficou fora do WRC em 1996, entre 2002 e 2006, em 2008 e em 2020, quando a edição foi cancelada devido à pandemia.
Após o regresso de 2007, a prova passou pelo IRC em 2008 e voltou definitivamente ao WRC em 2009. A ausência de 2027 interromperá, portanto, uma presença competitiva contínua desde 2009, ressalvado o cancelamento excepcional de 2020.
Portanto, agora resta aguardar por explicações, e informações quanto ao futuro do evento. Para já, é apenas e só um enorme balde de água fria para os adeptos do Rali de Portugal.
O novo promotor entrou com pompa e circunstância, e a primeira grande medida é deixar o Rali de Portugal, uma das melhores e mais tradicionais provas do Mundial de Ralis, fora do calendário. Começam bem…












Sem dúvida uma (muito) triste notícia!! Por um lado, nem dá p’ra acreditar. “Balde de água fria” especialmente para Viseu… Por outro lado, por mais que elogiam o rali, Portugal infelizmente não deixa de ter um menor interesse comercial face a outros países… mas terá que haver uma explicação!