Depois de um ano ‘confinado’ o RallySpirit Altice regresso em força, trazendo de novo a Portugal belas máquinas dos míticos Grupos B. Sendo parte integrante do calendário do ‘Slowly Sideways Europe’, a prova portuguesa continua a fazer o seu caminho. Como sempre, não faltou espetáculo…

Caiu o pano sobre mais uma edição do RallySpirit, uma prova que continua a levar muitos milhares de adeptos dos ralis, do passado, presente e futuro, à estrada. O plantel não enganava, e mesmo que os andamentos de alguns não tenham sido, por vezes, o que a maioria dos adeptos esperava, o espetáculo foi mais uma vez grandioso.
Apesar de não ter tido este ano um nome mais sonante, teve um melhor plantel de carros de sonho, o que coloca o RallySpirit cada vez mais perto do melhor que se faz a este nível por toda a Europa. É claro que neste momento não faz qualquer sentido comparar o RallySpirit com o Eifel Rallye ou o RallyLegend, mas lá chegará.
É bom que o adepto seja exigente, mas também convém ser realista. Reviveu-se novamente o passado, não faltaram carros icónicos com as decorações originais, o que como sempre é meio caminho andado para o sucesso de um evento como o RallySpirit.
Foram dois dias de grandes emoções na estrada, com mais de 80 equipas e muitos milhares de aficionados do desporto automóvel. No plano desportivo, destaque para os triunfos de Ernesto Cunha/Valter Cardoso (Subaru Impreza STI) na Categoria Spirit e para Pablo Pazó/Ezequiel Simões (Talbot Sunbeam Lotus) na Categoria Históricos.
Conduzir um automóvel de quase 500 cv não é para todos e fazê-lo sentado ao volante de uma das máquinas que escreveram a história do Campeonato do Mundo de Ralis, muito menos. Um privilégio só ao alcance de alguns felizardos pilotos, que fazem questão de devolver a história de carros como o Audi Sport Quattro, o MG Metro 6R4, o Ford RS 200 ou o Lancia Stratos, ao seu habitat natural: os troços de ralis, em vez de os colocarem num qualquer museu, partilhando, assim, com milhares de adeptos, as emoções vividas na geração de ouro dos Grupo B, dos anos 80. É este, afinal, o espírito do RallySpiritAltice, que proporcionou uma emocionante viagem ao passado e a fundiu com o presente, onde máquinas mais modernas como os Porsche 991 GT3 ou o Skoda Fabia R5, também aceleraram o ritmo cardíaco dos entusiastas para quem os ralis são uma festa, mesmo em tempo de convalescença pandémica.
Como sempre, não foram só as grandes máquinas fizeram aumentar a adrenalina pois modelos como o Renault 4, Mini Cooper ou SEAT Marbella, alguns com histórico no WRC, também não foram poupados nos aplausos e ovações divididos entre os troços de Santo Tirso e os belos cenários da Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia, e do Passeio Alegre, na Foz do Douro, no Porto. Uma palavra de apreço também, à X Racing e ao Clube Automóvel de Santo Tirso, pela prova que colocaram na estrada.
A ideia das Boucles Barcelos foi boa. Sem tempos cronometrados, disputada em perseguição, tal coo acontece em alguns troços do Eifel, foi uma mais valia.

Triunfos luso-espanhóis
Houve também competição. No final do primeiro dia, a diferença entre os dois primeiros classificados das duas principais categorias, Spirit e Históricos, era de apenas 0,1s!
Com o acumular de quilómetros, as diferenças cresceram e após as sete classificativas, entre os concorrentes da Categoria Históricos, foi a dupla espanhola Pablo Pazó/Ezequiel Campos a impor a lei, com o Sunbeam Talbot Lotus, inscrevendo o seu nome pela segunda vez no quadro de honra da prova. O piloto castelhano venceu todas as especiais da segunda etapa, o suficiente para ascender à liderança na sexta classificativa e daí desalojar a equipa Rui Ribeiro/Pedro Fernandes.
Rui Ribeiro/Pedro Fernandes, foram segundos, superiorizando-se à dupla Joaquim Costa/José Costa que completou o pódio, num dos seis Ford Escort que concluíram a prova entre os 10 primeiros classificados.
Na outra categoria, a Spirit, reservada a máquinas com preparação mais liberal, o triunfo foi para Ernesto Cunha/Valter Cardoso a começarem a desenhar a vitória desde os primeiros quilómetros, mas apenas a confirmá-lo ao longo da derradeira etapa, quando tornaram o Impreza STI inatingível para a concorrência.
Na sua primeira vitória no RallySpirit Altice, o piloto não escondia o sorriso por detrás da vitória: “estou muito contente com o triunfo não só porque o Subaru é um carro ‘delicioso’ de conduzir, mas sobretudo porque a vitória foi obtida num evento maravilhoso e que tem um ambiente e uma moldura humana incrível.”
A dupla Armando Costa/Sérgio Rocha acabou por se entreter a lutar com outro Mitsubishi Lancer EVO VI, o de Pedro Leal/Nuno Mota Ribeiro, com ambas as duplas a darem mais um tónico de emoção à parte final da prova e a terminarem separadas por apenas 1,5s.
Venha mais e melhor em 2022!
Pedro Ortigão: “Tornar o evento num dos melhores Rally-Legends do mundo”
Caiu o pano sobre o RallySpirit Altice 2021, e para Pedro Ortigão, responsável da X Racing, já começou a contagem decrescente para a edição de 2022: “O RallySpirit Altice foi, mais uma vez, um êxito, numa edição particularmente difícil de organizar atendendo às circunstâncias que vivemos, mas onde conseguimos colocar na estrada um evento merecedor dos maiores elogios, tanto por parte das equipas como do público, que mais uma vez foram inexcedíveis na paixão que demonstraram pelos ralis e pela prova. Penso que temos condições para evoluir ainda mais, no futuro, tornando o evento num dos melhores Rally-Legends do mundo, quer pela nossa paixão pelos ralis, quer pela forma como acolhemos os participantes”.











