No palmarés do Rali de Portugal, só há um piloto que venceu a prova enquanto ela contou para o WRC, foi o caso de Joaquim Moutinho, em Renault 5 Turbo, no fatídico ano de 1986, pelas razões que todos conhecem: A saída das equipas oficiais do rali na sequência do grave acidente de Joaquim Santos, em Ford RS 200. Antes disso, em 1967, Carpinteiro Albino (Renault 8 Gordini) e 1969, Francisco Romãozinho (Citroën DS Proto) inscreveram o seu nome na lista de vencedores pre-era Mundial. Dez anos depois de Joaquim Moutinho, em 1996, Rui Madeira (Toyota Celica 4WD) também venceria, mas nesse ano o Rali de Portugal (e também o Monte Carlo) ficou de fora do WRC devido ao sistema de rotatividade implementado pela FIA, com a prova contar só para a F2. Após 2001, quando a prova saiu do Mundial, em 2003, 2004 e 2006 foi a vez de Armindo Araújo inscrever o seu nome da lista de vencedores, mas depois de Joaquim Moutinho, pelas razões já referidas, nunca um piloto português venceu a sua prova quando ela contou para o WRC.
Portugueses: Uma classificação à parte
Para quem sempre seguiu o Rali de Portugal, um dos pontos de interesse sempre foi a classificação reservada ao melhor português. Quer participasse no campeonato Nacional de Ralis, ou não (como foi o caso de Rui Madeira em 1998 e 1999, por exemplo) o lugar de melhor português sempre foi muito cobiçado e neste contexto há boas histórias para contar. Se excluirmos os tais anos antes do WRC, de ausência do WRC ou o ano de 1986, teremos de recuar ao ano de 1973 para ver um português no pódio: Francisco Romãozinho (Citroen DS21) foi terceiro nesse ano e um pódio só seria repetido em 1976 por Manuel Queiroz Pereira (Opel Kadett GT/E), numa altura em que os carros das principais equipas ainda não ficavam a milhas das viaturas dos pilotos portugueses.
Fora do pódio, o melhor foi Carlos Torres (Ford Escort RS1800), em 1982, no ano em que a vitória pertenceu a Michele Mouton, em Audi Quattro, a única mulher que alguma vez venceu uma prova do WRC, desde sempre, curiosamente, a nova “chefe” da competição, recentemente nomeada pela FIA.
O Mundial de Ralis deu um grande ‘pulo’ no início dos anos 80, fase em que se entrou na década de ouro da modalidade, e a partir daqui as dificuldades dos pilotos portugueses, em obter uma boa classificação no Rali de Portugal foi aumentando. Antes disso em 1975 (Pedro Cortez (Datsun 260Z) e 1979, Carlos Torres (Ford Escort RS2000) obtiveram dois quintos lugares, mas a partir daqui o grande destaque tem que se dado a dois grandes ‘monstros’ dos ralis portugueses: Fernando Peres e Carlos Bica. Em determinada altura, cada um deles chegou a realizar o Rali de Portugal com máquinas bem competitivas, como foi o caso de 1990, quando Bica foi o quinto de cinco Lancia nos cinco primeiros lugares do Rali de Portugal. Aos comandos de um lindíssimo Lancia Delta HF Integrale 16v, com as cores da Tabaqueira, o piloto português bateu carros oficiais, como o Mazda 323 4WD de Hannu Mikkola, um dos finlandeses voadores.
Quatro anos depois, em 1994, foi a vez de Fernando Peres guiar um excelente Ford Escort RS Cosworth, carro semelhante ao que, no ano anterior, tinha vencido a prova pelas mãos de François Delecour. Ainda que tenha ficado a 26 minutos do quarto lugar de Carlos Sainz, o que fica registado na história é o quinto lugar, uma das melhores classificações de sempre de um português quando o Rali de Portugal contou para o mundial e teve os grandes ‘lobos’ oficiais em prova.
No palmarés em baixo pode comprovar outras boas classificações, das quais destacamos o sexto lugar de Carlos Bica (Lancia Delta HF 4WD) em 1989, ou o também sexto lugar de José Miguel Leite Faria (Ford Escort RS1800) em 1985, pelo grau de dificuldade.
Em meados de 80, início de 90, os pilotos portugueses começaram a cair para posições mais perto ou para lá do top 10, com algumas honrosas exceções. Por exemplo os oitavos lugares de Inverno Amaral (Renault 11 Turbo) em 1988, Joaquim Santos (Toyota Celica GT-4) em 1992 e Jorge Bica (Lancia Delta HF Integrale) no ano seguinte.
Rui Madeira trilhou caminho luso
Mais recentemente, ainda na década de 90, um piloto fez as delícias dos adeptos portugueses, e antes do anúncio de Armindo Araújo, que tem agora um projeto de três anos para o WRC, só um piloto correu de forma menos esporádica no WRC, Rui Madeira. Em 1994 e 1995 ainda no Grupo N, culminando com a sua vitória na Taça FIA de Grupo N, e a partir de 1996, até 1999. O eterno problema dos patrocínios só lhe permitiu realizar em quatro anos, um ano inteiro de WRC. Treze provas.
Apesar de Armindo Araújo levar outra bagagem, fruto de vários anos de PWRC, o que Rui Madeira passou, ao correr contra os principais pilotos do WRC não irá ser diametralmente diferente do que passará Armindo Araújo. Certo dia, num Rali da Finlândia de 1996, uma prova que todos reputam de dificílima para os estreantes, Rui Madeira tinha como termo de comparação outros pilotos que tinham carros semelhantes, o Toyota Celica GT-Four. Já no início da fase descendente da sua carreira, Juha Kankkunen continuava a ser muito rápido, especialmente na sua prova, e foi ele o primeiro termo de comparação de Rui Madeira: “Quando vi o tempo dele no final da primeira especial – ndr 2ª PE Parkkola, com 22.48 km – nem queria acreditar, pois levámos um minuto. Tínhamos vindo muito depressa, e estava absolutamente espantado, pois achava que o troço me tinha corrido às mil maravilhas. Afinal, quando vi o tempo do Andrea Dallavilla, também num Toyota Celica GT-Four da Grifone como nós, percebi que o que estava mal naquele filme não era eu, mas sim o super-Kankkunen. O Dallavilla era um excelente piloto e tinha levado mais de dois minutos. Portanto, o problema não foi meu, mas sim do ritmo em que os finlandeses andavam naquele rali. Fiquei mais descansado, e no final fui nono, o Kankkunen segundo atrás do Tommi Makkinen, e eu dei dez minutos ao Dallavilla.”, referiu Rui Madeira.
O Rali de Portugal era sempre uma excelente oportunidade para Rui Madeira obter uma boa classificação, e para lá da vitória de 1996, onde bateu um Sr. que ainda hoje ganha ralis no IRC, Freddy Loix, teve outros boas oportunidades. Não existam dúvidas que Rui Madeira, se devidamente apoiado, poderia ter construído uma história bonita no WRC. Não foi assim, mas agora, Armindo Araújo tem boas hipóteses de escrever mais umas páginas no livro de ouro da competição. Até onde pode ir é uma completa incógnita.
Rui Madeira, no Rali de Portugal chegou a vencer troços à geral, em 1997, quando os homens da equipas oficiais estavam em prova. Venceu quatro provas de classificação, quer na zona de Fafe, quer em Arganil. Foi o melhor português no Rali de Portugal por quatro vezes, em 1995(Mitsubishi Lancer Evo II – 9º), 1998 (Toyota Celica GT-Four – 9º), 1999 (Subaru Impreza WRC98 – 9º) e 2001, (Ford Focus RS WRC – 11º). Noutras posições no top 10, destaque para o nono posto de Armindo Araújo (Mitsubishi Lancer Evo IX) em 2009, ano em que venceu no PWRC pela primeira vez, sendo a prova portuguesa o arranque para uma boa época.
O melhor português no Rali de Portugal (*)
2010 14º Armindo Araújo Mitsubishi Lancer Evo X
2009 9º Armindo Araújo Mitsubishi Lancer Evo IX
2007 17º Bruno Magalhães Peugeot 207 S2000
2001 11º Rui Madeira Ford Focus RS WRC 01
2000 11º Adruzilo Lopes Peugeot 206 WRC
1999 9º Rui Madeira Subaru Impreza WRC98
1998 9º Rui Madeira Toyota Celica GT-Four
1997 10º Adruzilo Lopes Peugeot 306 Maxi
1996 1º Rui Madeira Toyota Celica 4WD
1995 9º Rui Madeira Mitsubishi Lancer Evo II
1994 5º Fernando Peres Ford Escort RS Cosworth
1993 8º Jorge Bica Lancia Delta HF Integrale
1992 8º Joaquim Santos Toyota Celica GT-4
1991 10º Carlos Bica Lancia Delta HF Integrale 16v
1990 5º Carlos Bica Lancia Delta HF Integrale 16v
1989 6º Carlos Bica Lancia Delta HF 4WD
1988 8º Inverno Amaral Renault 11 Turbo
1987 9º Joaquim Santos Ford Sierra RS Cosworth
1986 1º Joaquim Moutinho Renault 5 Turbo
1985 6º José Miguel Leite Faria Ford Escort RS1800
1984 8º Jorge Ortigão Toyota Corolla
1983 9º Joaquim Santos Ford Escort RS1800
1982 4º Carlos Torres Ford Escort RS1800
1981 8º Pedro Queiroz Pereira Opel Kadett GT/E
1980 7º Carlos Torres Ford Escort RS2000
1979 5º Carlos Torres Ford Escort RS2000
1978 8º Carlos Torres Ford Escort RS2000
1977 6º Manuel Queiroz Pereira Opel Kadett GT/E
1976 3º Manuel Queiroz Pereira Opel Kadett GT/E
1975 5º Pedro Cortez Datsun 260Z
1974 8º Francisco Romãozinho Citroen GS
1973 3º Francisco Romãozinho Citroen DS21
1972 6º Giovanni Salvi Porsche 911
1971 8º Gomes Pereira Opel 1904
1970 4º José Lampreia Datsun 2000 Proto
1969 1º Francisco Romãozinho Citroën DS Proto
1968 3º António Peixinho Morris Cooper S
1967 1º Carpinteiro Albino Renault 8 Gordini
(*) Em 1996 a prova só contou para a F2, e entre 1967 e 1972 a prova não tinha entrado no Mundial de Ralis. 1986 foi o ano do acidente e da retirada das equipas oficiais.
NOTA: A fotogaleria não é só dos pilotos portugueses melhores classificados no Rali de Portugal.











