Mārtiņš Sesks entra no segundo e último dia do Rally 6 Cities North of Portugal na melhor posição para conquistar a vitória, mas os 10,5 segundos de vantagem sobre Roope Korhonen estão longe de lhe permitir uma abordagem de simples controlo. Depois de uma primeira etapa marcada por furos, acidentes e problemas mecânicos, o desfecho da prova deverá depender tanto da rapidez como da capacidade de sobrevivência nas exigentes classificativas de terra.
A luta pelo triunfo tem nos dois pilotos da Team MRF Tyres os principais protagonistas. Sesks terminou o dia com quatro vitórias em especiais, mas Korhonen também demonstrou argumentos para discutir a liderança, ao impor-se em três troços. O finlandês perdeu tempo na última especial de sábado, onde alargou a trajetória e terminou com um furo, mas mantém-se suficientemente próximo para pressionar o letão desde os primeiros quilómetros de domingo.
Para Sesks, o desafio será encontrar o equilíbrio entre defender a vantagem e manter um ritmo que impeça a aproximação do adversário. O problema na válvula pop-off reportado no final da primeira etapa acrescenta uma incógnita: caso não fique totalmente resolvido, poderá comprometer a defesa da liderança. Num terreno que o próprio descreveu como traiçoeiro, reduzir demasiado o andamento também poderá não ser uma opção confortável.
Sarrazin procura confirmar o pódio
Pablo Sarrazin começa o dia no terceiro lugar e com a possibilidade de alcançar o seu melhor resultado no ERC, logo na terceira participação. A vitória na SS3 mostrou que tem velocidade para acompanhar os mais rápidos, mas a posição que ocupa coloca-lhe um desafio diferente: conciliar a ambição de continuar a atacar com a necessidade de preservar um resultado importante.
Sem as diferenças para os pilotos que o seguem, não é possível avaliar a margem de segurança do francês. Ainda assim, a sucessão de problemas entre os primeiros classificados no sábado recomenda prudência. Jan Solans, quarto, e Simone Tempestini, quinto, estarão atentos a qualquer oportunidade, numa prova em que a classificação já mudou várias vezes sem depender apenas dos tempos registados.
Armindo Araújo na frente do CPR
Entre os portugueses, Armindo Araújo parte do sétimo lugar, depois de ultrapassar Miko Marczyk na última especial de sábado. A aproximação ao grupo que o antecede será um dos pontos de interesse, embora o mais importante para si será manter a liderança no Campeonato português.
Pedro Almeida e Rúben Rodrigues surgem nas posições seguintes, acrescentando à discussão da geral o interesse da luta entre candidatos ao campeonato português. Para ambos, será importante perceber até onde podem atacar sem comprometer a chegada ao final, sobretudo depois de uma etapa em que vários adversários ficaram pelo caminho.
Fiabilidade e furos podem voltar a decidir
O primeiro dia deixou um aviso claro: a velocidade, por si só, não chega. Os problemas de Léo Rossel e Nikolay Gryazin, bem como os acidentes de Kris Meeke e de outros concorrentes, mostraram como uma passagem por uma zona mais degradada ou um único erro podem alterar a classificação.
A gestão dos pneus, a escolha das trajetórias e a capacidade de evitar impactos poderão, por isso, voltar a ter um peso decisivo. Se o padrão de incidentes se repetir, os pilotos que conseguirem manter um andamento competitivo sem castigar excessivamente a mecânica terão condições para aproveitar perdas de tempo à sua frente. Contudo, os troços de hoje nada têm a ver com a dureza de ontem. O que são é bem mais traiçoeiros, estreitos, sinuosos, ou se tem notas perfeitas, ou o erro surge com facilidade. Em termos da dureza dos pisos, são auto-estradas comparadas com os troços de sábado.
A abertura em Montim, com 8,73 quilómetros e partida anunciada para as 08h05, dará a primeira indicação sobre a estratégia dos dois primeiros: Korhonen tem uma diferença recuperável; Sesks tem a posição, o ritmo demonstrado e a responsabilidade de responder. Mais do que administrar a liderança, o letão terá de continuar a merecê-la em estrada.












