Tendo em conta o tipo de pisos do Rali de Portugal não há a mais pequena dúvida de que os pneus macios da Michelin são os mais indicados para o tipo de piso. Só que os pilotos têm que saber geri-los, porque são mais ‘rápidos’, mas também se desgastam mais depressa do que o composto duro, o outro tipo que a marca francesa trouxe para Portugal.
Para que se perceba melhor a gestão e a estratégia que os pilotos e as equipas têm que pensar antecipadamente, atente-se no facto das duplas terem disponíveis um total de 24 pneus para todo o rali. É o número máximo passível de ser utilizado. A Michelin disponibiliza 16 pneus macios e 24 duros. Tendo sempre em mente que o máximo de pneus utilizáveis são 24, se as equipas gastarem a totalidade dos 16 macios, algo que vai certamente acontecer pois é o pneu mais ‘rápido’, só restarão oito pneus duros para serem utilizados.
Só que a juntar a isto há o facto deste ser um rali novo para todos e ninguém tem ideia da forma como são vão portar os pneus macios. Duram muito, duram pouco, o suficiente? Ninguém sabe muito bem e neste preciso momento ainda há só uma manhã de aprendizagem. A questão ficou um pouco mais suavizada com a anulação da da segunda passagem por Ponte de Lima, e neste momento, se calhar, por exemplo Thierry Neuville já está arrependido de só ter utilizado pneus duros esta manhã. Perdendo o tempo correspondente!
No final da manhã foi um corropio dos elementos das equipas a espiarem o desgaste dos pneus dos adversários, e isso nem sequer é reservado ao WRC, pois no WRC2, a Skoda mostrou que é uma equipa oficial e tinha um elemento que apontava o tipo de pneu de cada carro e fotoagrafava o desgaste correspondente para posterior análise.
E como é natural, o serviço de ‘espionagem’ também foi bem vísivel entre construtores de pneus, sobretudo, com Michelin e Pirelli, a ‘estudarem-se’ mutuamente.
Como é fácil perceber, há muito para lá dos tempos que se fazem nos troços e, em matéria de pneus, há um rali dentro de outro rali!









