Éric Boullier chega ao WRC com uma experiência construída sobretudo no ambiente dos circuitos e da Fórmula 1. Ao longo da sua carreira, desempenhou funções de direção em equipas como a Lotus e a McLaren, tendo também trabalhado em diferentes áreas da gestão do desporto automóvel internacional.
O próprio responsável reconhece que chegou ao universo dos ralis como alguém com muito para aprender. Segundo explicou, as visitas a vários eventos permitiram-lhe conhecer melhor a realidade da modalidade e perceber as diferenças entre os ralis e outras disciplinas do desporto automóvel. Ainda assim, considera que os valores fundamentais da competição são universais e que a colaboração com a FIA será essencial para reconstruir o campeonato.
Boullier tem insistido na necessidade de devolver o WRC ao lugar de destaque que, na sua opinião, lhe pertence. Apesar de considerar os ralis uma das formas mais espectaculares de competição automóvel, entende que a modalidade perdeu presença mediática e contacto com uma parte do público.
A experiência de Boullier poderá ser particularmente útil nas áreas do marketing, da produção televisiva, da negociação comercial e da criação de novas experiências para os adeptos. O seu conhecimento da Fórmula 1 também lhe permite observar como um campeonato pode construir uma marca global e transformar cada evento num produto de entretenimento.
Ao mesmo tempo, existe o risco de aplicar ao WRC soluções concebidas para uma realidade demasiado diferente. Na Fórmula 1, a ação está concentrada num circuito e num paddock. Nos ralis, a competição decorre ao longo de dezenas ou centenas de quilómetros, em estradas com características muito distintas e em estreita ligação com as comunidades locais.
A experiência de Boullier na Fórmula 1 pode ser uma vantagem na área do marketing, da televisão e da hospitalidade. No entanto, também representa um risco: o WRC não pode ser tratado como uma Fórmula 1 disputada em estradas. O valor do rali está precisamente na sua dispersão, na imprevisibilidade e na ligação entre a prova e os territórios que a recebem. Para além disso, é muito diferente a forma como os adeptos de cada País vivem o ‘seu’ rali, ainda que o que se vive nos troços em termos de espectadores tem convergido globalmente, ainda que o ralis mais tradicionais como Monte Carlo, Portugal e Finlândia, sejam uma festa ainda uns degraus acima dos restantes. Perdoe-se o excesso, fique a ideia, nestas três provas, o ‘País para’, ou pelos menos as zonas da prova, noutros ralis, ainda não é assim, vamos ver o que será feito que contribua para melhorar e seduzir mais adeptos.








