Éric Boullier, diretor executivo do promotor do Campeonato do Mundo de Ralis, deu uma entrevista à televisão belga RTBF onde traçou várias linhas orientadoras para o futuro do WRC e o AutoSport vai analisar uma a uma. A primeira, tem a ver com a visão dos novos ‘donos’, que assenta num investimento significativo, numa maior proximidade com a FIA, numa forte aposta nos meios digitais e numa reformulação da experiência oferecida aos adeptos, sem abandonar aquilo que o responsável considera ser o ADN essencial da modalidade.
O Campeonato do Mundo de Ralis prepara-se para uma transformação profunda, na sequência da aquisição da WRC Promoter GmbH pela Cosmobilis e pela Park Square Capital, com a aprovação da FIA. O acordo envolve os direitos comerciais do WRC e do Campeonato da Europa de Ralis e foi apresentado como uma operação de longo prazo, destinada a reforçar a posição internacional da modalidade.
A FIA descreve o acordo como o maior investimento de sempre nos dois campeonatos e anunciou também a criação de um FIA Growth Fund, destinado a apoiar projetos de desenvolvimento do rali em diferentes níveis, desde os campeonatos de topo até às competições de base. O objetivo passa por aumentar a audiência mundial, melhorar a experiência dos adeptos e criar novas oportunidades para equipas, construtores, organizadores e parceiros comerciais.
Esta operação não deve ser interpretada apenas como uma mudança de acionistas ou de responsáveis comerciais. Está em causa uma tentativa de reconstruir o WRC enquanto produto desportivo global, com uma estratégia mais integrada de comunicação, entretenimento, hospitalidade e desenvolvimento. No entanto, será importante distinguir entre as promessas anunciadas e aquilo que será efetivamente concretizado. A FIA fala num acordo de longo prazo, mas a ideia de um projeto com projeção para várias décadas deve ser apresentada com alguma prudência. Mais do que uma simples troca de acionistas, esta operação representa uma tentativa de reconstruir o WRC como produto global. O desafio estará em provar que o investimento não ficará limitado a uma nova embalagem comercial, mas será suficientemente profundo para melhorar a competição, a cobertura televisiva, a experiência dos adeptos e a sustentabilidade dos próprios ralis.








