Conhecido de muitos adeptos do desporto automóvel, principalmente os mais antigos que acompanharam de perto o Rali de Portugal, Hélder Tomé faleceu hoje, com 85 anos. Carinhosamente tratado por “Tio Tomé” pelos ajigos mais chegados, foi figura instrumental para o sucesso da prova liderada por César Torres. Foi com o seu trabalho e a confiança do diretor da prova que Hélder Tomé ajudou a contruir muitas edições daquele que foi considerado o melhor rali do mundo. Era uma peça insubstituível que recebia de César e Teresa Torres os maiores elogios e que ajudava a funcionar uma máquina muito bem oleada.
Conheci-o nas idas edições do Rali de Portugal – era um miúdo que queria fazer carreira no jornalismo – e voltei a encontra-lo na minha passagem pelo Clube de Motorismo de Setubal (CMS) e pela tertúlia, religiosamente feita á quinta feita, no Clube do Peixe, o 5ª a Fundo. Era um “avô” doce e simpático, atestado de histórias como um bom e velho odre de onde só saem coisas boas. E da boca de Hélder Tomé saíram incontáveis histórias do Rali de Portugal que ele tanto amava.
Esteve, também, na organização do Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, com um papel, uma vez mais, decisivo e primordial.
O “Tio Tomé” pregou-me a partida e saiu cedo demais, perdendo, eu, a oportunidade de passar a papel tantas e tantas histórias. Ele não sabia que desejava fazer isso, se calhar devia ter-lho dito. Provavelmente ele nem sabia bem quem eu era, mas o pouco tempo passado em comum deixou uma imagem que não se vai fenecer.
Os homens grandes não desaparecem. Saem de cena e juntam-se no olimpo dos amantes do automobilismo com conversas que pagava para escutar. As minhas condolências e as do Autosport á família de Helder Tomé, os filhos Fernando (abraço amigo!) e Pedro e a esposa Elvira.
O corpo de Hélder Tomé estará em câmara ardente, amanha, na Igreja de São Francisco de Assis e o funeral será realizado na próxima sexta-feira às 13.30 para o Cemitério do Alto de São João.
José Manuel Costa










