A temporada madeirense de ralis testemunhou, este fim de semana, o quarto evento do ano na Ribeira Brava. A prova combinou, de forma quase perfeita, zonas de velocidade com troços bastante técnicos na costa sudoeste da Madeira. Do ponto de vista desportivo, a organização do ACCS prometia grande animação, dada a presença confirmada dos dois principais protagonistas do campeonato e o regresso à competição de Miguel Caires e Alexandre Camacho. O rali começou na noite de sexta-feira com uma super-especial no centro da vila anfitriã, onde Miguel Nunes assumiu a liderança.
Contudo, no regresso à estrada na manhã de sábado, João Silva dominou os acontecimentos. O piloto, ao volante de um Toyota GR Yaris Rally2, foi o mais rápido em nada menos do que seis das nove classificativas que compunham o programa da primeira prova do ano, disputada em piso exclusivamente seco. Ainda assim, o líder do campeonato só conseguiu acumular, até à meta, uma vantagem de 12,4 segundos sobre a restante caravana. Com este terceiro triunfo do ano e um novo pleno de pontos, Silva dispõe agora de uma importante vantagem sobre Nunes, que até então tinha sido o seu principal adversário.
A grande surpresa desta prova foi a excelente forma com que Miguel Caires regressou à competição. O piloto do Skoda Fabia RS Rally2 revelou-se o maior opositor do vencedor, mantendo-se sempre muito próximo do piloto que dominou os acontecimentos, até bem perto do final. Apesar de ter estado ausente nos três primeiros ralis do ano, Caires conseguiu também ser o mais veloz em dois troços cronometrados e soube “sacudir a pressão” que lhe foi imposta por Nunes na última secção do evento.
Vencedor do rali anterior, Miguel Nunes esteve desta vez longe da liderança, apesar de ter passado pelo topo da classificação na atípica classificativa de abertura. O campeão em título terminou a 17,3 segundos do vencedor e nunca, ao longo de sábado, se mostrou em condições de poder discutir a vitória nas provas especiais de classificação. O piloto mexeu várias vezes no acerto do seu Skoda Fabia RS Rally2 sem obter o resultado pretendido e, no final, manifestou-se perplexo com a baixa forma demonstrada este fim de semana.
Alexandre Camacho foi outro dos pilotos a regressar à competição na Ribeira Brava, mas, ao invés de Caires, foi bastante penalizado pelo longo tempo em que esteve afastado das provas especiais de classificação. O piloto, navegado por Pedro Calado, teve de descobrir o traçado de alguns troços cronometrados, bem como o Skoda Fabia RS Rally2 com que fará um miniprograma que inclui ainda os ralis da Calheta e da Madeira. Camacho nunca foi capaz de rodar ao mesmo ritmo que os homens da frente e terminou em quarto lugar, já quase a um minuto do vencedor.
Este rali acabou por ser penalizado pela desistência precoce de Filipe Freitas, devido a uma avaria no seu Porsche 991 GT3, o que retirou algum interesse à disputa do triunfo entre os Masters. Nesse escalão, o domínio coube a Gil Freitas, novamente forte com o seu Alpine A110 RGT+, com o qual foi o quinto classificado absoluto e bateu adversários com viaturas Rally2, como Artur Quintal e José Camacho. Emanuel Martins, com um Renault Clio Rally4, voltou a impor-se entre os pilotos com viaturas de tração dianteira, categoria em que foi seguido por Sandro Teixeira, em Peugeot 208 Rally4, a 20 segundos, e ainda Nuno Ferreira, a quase 1 minuto, com um Lancia Ypsilon Rally4. Carlos Silva, num Peugeot 208 R2, foi o melhor no Troféu Eng. Rafael Costa. O campeonato regressa à estrada dentro de três semanas, a 3 e 4 de julho, na Calheta.











