Rali Terras d’Aboboreira: Matsushita vence, Rúben Rodrigues foi o melhor no CPR

Por a 18 Abril 2026 17:33

Rúben Rodrigues / Rui Raimundo (Toyota GR Yaris Rally2) venceram o Rali Terras d’Aboboreira para o Campeonato de Portugal de Ralis, numa excelente prestação, sem margem para dúvida. Nas contas da geral, Takumi Matsushita / Pekka Kelander (Toyota GR Yaris Rally2) foram os vencedores, aproveitando uma penalização de Jaspar Vaher / Rait Jansen (Toyota GR Yaris Rally2), claramente a dupla mais rápida deste espetacular rali, que nos deu lutas até aos últimos metros.

A PEC8, que percorreu o troço da Aboboreira pela segunda vez, deu-nos um dos melhores espetáculos do fim de semana, com muitos pilotos a darem o melhor de si.

Jaspar Vaher / Rait Jansen (Toyota GR Yaris Rally2) voltaram ao topo da tabela de tempos e encerraram este rali com o melhor tempo no último troço, que foi Power Stage. Vaher concluiu assim um rali de grande qualidade que apenas não deu vitória por uma penalização que deitou por terra o espetacular esforço do jovem estónio que mostra muito potencial. Em segundo lugar (vencedor da Power Stage no CPR), a 5,8 segundos do mais rápido, ficou a dupla Armindo Araújo / Luís Ramalho (Škoda Fabia RS Rally2), que deixou as cautelas de lado e atacou forte nesta Power Stage, concluindo no segundo lugar, à frente de Pedro Almeida / António Costa (Toyota GR Yaris Rally2), que tentaram superar Araújo, sem sucesso. José Pedro Fontes / Inês Ponte (Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale) foram os quintos mais rápidos, atrás de Takumi Matsushita / Pekka Kelander (Toyota GR Yaris Rally2), que carimbaram assim a vitória no rali.

Pedro Meireles / Mário Castro (Škoda Fabia RS Rally2) também mostraram bom andamento neste troço e tentaram roubar o lugar a Fontes, mas a resposta do piloto da Lancia não o permitiu, com o sexto tempo do troço. Gonçalo Henriques / Inês Veiga (Hyundai i20 N Rally2) foram os sétimos mais rápidos, à frente de Rúben Rodrigues, Shotaro Goto / Jussi Lindberg (Toyota GR Yaris Rally2) e Ricardo Teodósio / José Teixeira (Citroën C3 Rally2), que completou o top 10 da PEC8.

Nas contas finais, Matsushita foi o vencedor do Rali Terras d’Aboboreira, com Rúben Rodrigues em segundo (+8,2 segundos) e Armindo Araújo (+13,8 segundos) a completar o pódio. Pedro Almeida (+15,9 segundos) e José Pedro Fontes (+40,1 segundos) completaram o top 5.

No CPR, vitória clara para Rúben Rodrigues, que construiu uma margem suficiente para aguentar o ataque final de Armindo Araújo. O piloto da Škoda ficou a 5,6 segundos do triunfo, numa tarde já mais positiva, depois de uma escolha de afinação menos feliz, com Rodrigues a gerir na perfeição as operações. O melhor que Rúben Rodrigues tinha conseguido até aqui foi um terceiro lugar no CPR no Rali da Água de 2025. Este triunfo mostra a consistência e o bom trabalho desenvolvido.

A luta pelo segundo lugar no CPR também foi intensa, mas sorriu a Araújo, com Pedro Almeida a ficar a 2,1 segundos da vice-liderança. Uma excelente luta, com Almeida a crescer ao longo do rali, mas Araújo respondeu a tempo durante esta tarde. Em quarto lugar, José Pedro Fontes via a sua posição ameaçada por Pedro Meireles, com a distância entre ambos a ficar-se pelos 2 segundos, em mais uma grande luta no top 5, com Meireles a obrigar Fontes a um esforço extra no final.

Já fora do top 5, Ricardo Teodósio, à frente de Gonçalo Henriques — o primeiro à procura do melhor compromisso com o novo carro, e o segundo a ter de enfrentar vários desafios que o deixaram longe do topo. Diogo Marujo terminou na oitava posição, ficando à frente de Guilherme Meireles, noutra luta que animou esta tarde. Henrique Moniz / Jorge Diniz (Škoda Fabia Rally2 evo) completou o top 10 no CPR.

O filme do rali

O Rali Terras d’Aboboreira abriu a época do Campeonato de Portugal de Ralis no primeiro capítulo de 2026, marcado pelo confronto entre veteranos e jovens talentos em ascensão, assim como pelo regresso histórico da Lancia aos ralis nacionais. Inserida no European Rally Trophy, a prova contou também com a presença de jovens talentos da Toyota que vieram a Portugal comprovar o seu valor, dando ainda mais cor ao evento, embora os fãs portugueses estivessem mais atentos ao que se passava no CPR.

Uma qualificação a anunciar o que estava para vir

Logo na sessão de qualificação ficou claro que Jaspar Vaher seria um dos protagonistas. O jovem estónio de 19 anos, integrado no programa de desenvolvimento da Toyota, impôs o seu ritmo desde cedo e não deixou margem de dúvida quanto à sua velocidade. Entre os concorrentes do nacional, Pedro Meireles foi o mais rápido, mas a jornada não começou da melhor forma para todos. Gonçalo Henriques, um dos candidatos da nova geração, viu-se obrigado a falhar a qualificação após partir uma transmissão nos treinos livres, o que o forçou a partir no final do grupo RC2, com os troços já muito degradados.

Primeiro dia: Vaher impõe-se, Rodrigues assume o CPR

No primeiro dia de prova, Vaher disparou para a frente da geral e não largou o comando. O jovem estónio venceu duas das três PEC do dia, com Hugo Lopes a mostrar-se também na PEC2. Vaher foi para o descanso na liderança com pouco mais de 18 segundos de vantagem para Rúben Rodrigues, que se transformava assim numa das estrelas do dia, com um andamento muito forte e presença no topo da tabela. Armindo Araújo, a 20,7 segundos do líder e a 2,3 de Rodrigues, foi terceiro.

Nas contas do CPR, Armindo Araújo começou como o melhor português na PEC1, mas foi superado por Rúben Rodrigues logo na segunda especial, onde Hugo Lopes, ao volante do Hyundai i20 N Rally2 do Team Hyundai Portugal, venceu o troço e subiu ao pódio provisório no CPR. Ricardo Teodósio, em estreia com o Citroën C3 Rally2, sentiu as dificuldades da adaptação a uma nova máquina, perdendo quase 25 segundos na PEC2 e caindo fora do top 10. Também Gonçalo Henriques não teve sorte neste troço, perdendo mais de 48 segundos e ficando arredado dos lugares da frente. Rafael Rego não teve sequer a oportunidade de conhecer a prova — bateu logo na primeira especial e não voltou a competir. Rodrigues terminou o dia na liderança do CPR, com 2,3 segundos de vantagem para Araújo, com Lopes em terceiro, Fontes em quarto e Pedro Meireles a fechar o top 5. Pedro Almeida, Ricardo Teodósio, Diogo Marujo, Guilherme Meireles e Henrique Moniz completavam o top 10.

Segundo dia: penalizações, desistências e a ascensão de Pedro Almeida

O sábado foi um dia de reviravoltas. Hugo Lopes, que havia lutado pelos lugares cimeiros mesmo com problemas no seu Hyundai (com o carro a perder óleo), manteve-se na luta pelas melhores posições. Acabou por dar um toque e desistir na PEC5, a última da manhã. A penalização de 10 segundos aplicada a José Pedro Fontes logo no início da manhã condicionou a prestação do piloto da Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale — um dos símbolos do regresso histórico desta marca italiana aos ralis nacionais. Fontes viu-se ainda obrigado a trocar a caixa de velocidades da sua nova máquina, que ficou sem quinta velocidade, o que comprometeu o andamento. Ainda assim, o potencial demonstrado dava motivos para entusiasmo.

Tal como na sexta-feira, Vaher era o destaque no segundo dia. Com as vitórias nas PEC4 e PEC5, foi cimentando a sua liderança, que parecia inalcançável. O golpe mais inesperado chegou na PEC6: Vaher recebeu uma penalização de três minutos por não passar pela zona de controlo dos pneus, caindo para fora do top 10 da geral, com o japonês Takumi Matsushita a herdar o comando.

Mas a história do segundo dia não se ficou pelas penalizações. Pedro Almeida, ao volante do Toyota GR Yaris Rally2 oficial da Gazoo Racing Caetano Portugal, foi crescendo troço a troço num registo de consistência e confiança progressivas, até vencer a PEC7, o troço de Baião, interrompendo a sequência de vitórias em especiais de Vaher. Almeida subiu ao segundo lugar do CPR, empatado com Armindo Araújo, e lutava por um lugar no pódio da geral.

Rúben Rodrigues, entretanto, geriu a prova da melhor forma, consolidando a liderança do CPR ao longo do dia e construindo uma almofada confortável que lhe permitia olhar para a última especial com relativa tranquilidade.

A situação antes da última especial

Chegados à penúltima classificativa, o cenário na geral absoluta tinha Matsushita na frente, com Rodrigues a apenas quatro segundos, ainda com uma palavra a dizer na discussão da vitória absoluta — se quisesse arriscar, claro. Nas contas do CPR, Rodrigues liderava com 14,3 segundos de vantagem, um valor que lhe dava margem para gerir, mas que não permitia erros. Atrás, Armindo Araújo e Pedro Almeida chegavam empatados ao troço final do dia, prometendo uma decisão ao décimo de segundo pelo último lugar do pódio à geral e pela segunda posição nas contas do CPR. Outra luta interessante era pelo top 5, com Fontes a ter de se defender do ataque final de Meireles, que estava apenas a sete décimos.

Na Power Stage final, Jaspar Vaher voltou a ser o mais rápido, encerrando um rali de grande qualidade. Armindo Araújo foi segundo no troço a 5,8 segundos, seguido de Pedro Almeida em terceiro. Matsushita foi quarto, suficiente para carimbar a vitória na geral, com Fontes em quinto.

Takumi Matsushita é um dos jovens pilotos do Toyota WRC Challenge Program. Corria no Japão, entrou no programa em 2024, foi um dos pupilos de Mikko Hirvonen, com os Clio Rally4, em 2024, com o Clio Rally3 (quatro rodas motrizes) em 2025, e este ano passou para o GR Yaris Rally2, onde fez apenas três ralis na Finlândia, onde foi 7º, 8º e 5º. Veio a Portugal pela primeira vez e ganhou o Rali Terras d’Aboboreira.

Pedro Almeida termina no pódio do CPR na sua estreia com a Toyota, depois de ter vencido o Rali de Portugal no CPR, e de ter sido excluído da classificação do Rali de Castelo Branco devido à polémica dos combustíveis, não voltou a fazer ralis, regressando agora com um pódio na Aboboreira. Um bom começo com as cores da Toyota, com Rafael Rego a ter uma estreia bem mais curta e difícil.

Do lado da Hyundai, também não foi um rali fácil. Hugo Lopes teve ontem muitos problemas com o motor, que perdia óleo, ainda voltou hoje, mas acabou por dar um toque e desistiu. Gonçalo Henriques

também teve um dia difícil ontem, com problemas técnicos, sem conseguir fazer nenhum troço limpo. Hoje já foi melhor, como se pôde ver no troço de Amarante, mas no Marão, um pião motivou nova perda de tempo. Houve bom ritmo a espaços, mas muitos desafios a superar.

Armindo voltou a usar a tática habitual, sempre muito ciente dos riscos. Soube mudar o foco n final da manhã deste sábado, com Rodrigues já longe. A sua postura pragmática voltou a render muitos pontos, atacando nos últimos troços, especialmente na Power Stage para assegurar o máximo de pontos possível. Boa estreia do Lancia, com Fontes aos comandos. Um problema de caixa mascarou o que podia ter sido uma estreia ainda melhor. Mas os primeiros apontamentos parecem dar razão ao piloto que vê muito potencial na nova máquina. Nota positiva para a reta final de Pedro Meireles, com um andamento muito interessante nos últimos troços, enquanto Teodósio fez em Amarante mais uma sessão de testes, com ainda muito a aprender do carro.

A próxima prova é o Rally de Portugal, de 7 a 10 de maio.

Em atualização

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1 comentários

  1. Carlos Costa

    18 Abril, 2026 at 23:32

    Ser o 1° do CPR não é vencer o rali… pelo menos podia tentar ganhar… na história do Rali Aboboreira é o 2° …

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