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CPR/Rali Serras de Fafe 2011: A estreia de Vítor Lopes


Se Gabriel Garcia Marquez escreveu ‘100 anos de Solidão’, Vítor Lopes ‘só’ teve que esperar 25 anos para festejar a seu primeira vitória absoluta no CPR. Foi há 10 anos, no Rali Serras de Fafe. Nesse ano, no Rali de Mortágua, com Hugo Magalhães ao lado, e no mesmo Subaru Impreza STi N14, o irmão de Adruzilo Lopes obteve as suas duas únicas vitórias à geral no CPR. Recordemos a primeira com o que se escreveu no AutoSport na altura:

“Para muitos, o nome de Vítor Lopes tem um paralelo no Mundial de Ralis. O mais velho do clã Lopes, é o Henning Solberg português ou o irmão de uma estrela com mais palmarés, chamada Adruzilo Lopes, que levada à letra a comparação, bem pode ser uma espécie de Petter Solberg luso.
Mas se o norueguês Henning Solberg dificilmente se conseguirá afastar da eterna sombra de ser menos rápido e eficaz que Petter, Vítor Lopes deu no passado fim de semana um importante passo para vincar a sua própria personalidade desportiva ao vencer com uma autoridade desconcertante o Rali Serras de Fafe, a terceira das oito provas que compõem o CPR.
O mano Adruzilo foi desta vez apenas um espetador sem volante nas mãos, mas não faltaram ao combate outros pilotos igualmente aguerridos que não tiveram outra opção que não fosse baixar os braços perante um domínio tão avassalador que permitiu ao piloto do Subaru Impreza STI ganhar sete dos nove troços. Só para quem se tinha esquecido dos tempos em que Vítor Lopes era piloto oficial da Citroën (antes da era Armindo Araújo) é que a vitória do piloto de Vizela pode ter constituído uma surpresa. O mesmo já não se pode dizer, contudo, da diferença que separou o vencedor do segundo e terceiro classificados, Vítor Pascoal (54,5s) e Pedro Peres (1m29,4s). Esse sim foi um fosso mais difícil de perceber. Ainda assim, arriscamos um ensaio explicativo. Para além da boa preparação que a equipa ARC Sport fez da prova e do natural talento do piloto (bem navegado por Hugo Magalhães), com um terreno quase sempre ensopado pela muita chuva, a agilidade superior do Impreza e os cerca de 100 quilos que pesa a menos do que os Lancer (que por outro lado, se diz serem ligeiramente mais potentes) foram certamente decisivos para justificar as diferenças ditadas pelo cronómetro. A prová-lo pode estar muito bem a explicação de Pascoal que, à chegada a Fafe, confidenciava que “nas curvas lentas, é muito difícil meter o Lancer e é aí que perdemos para o Impreza”. Se esta conclusão não for suficiente, talvez uma mais técnica deixada por Pedro Peres possa realmente ajudar a explicar por que Vítor Lopes ‘esmagou’ a concorrência: “nas curvas rápidas, via a linha de trajetória do Subaru, tentava segui-la, mas só o conseguia fazer até meio da curva porque daí para a frente a traseira do Lancer começava a soltar-se e, no final, o cronómetro não perdoava”.
Com Vítor Lopes a representar o ‘ás de trunfo’, Pascoal, Peres e Pedro Meireles não puderam ficar com outro papel que o de lutar pela ‘manilha’. E, com Meireles duas vezes ‘fora de jogo’ (a primeira quando furou e a segunda quando acabou mesmo por desistir após partir a suspensão), Pascoal orientou-se melhor na disputa pela cadeira intermédia do pódio, acabando por bater Peres já na segunda etapa, onde foi sempre mais forte.
Muito longe do pódio, mas muito perto da perfeição, acabou por estar João Silva que, pela primeira vez a disputar um rali de terra, juntou ao triunfo no CPR2 um notável quarto lugar absoluto, colocando o Clio R3 à frente do ‘pelotão’ de duas rodas motrizes. Aliás, o jovem madeirense levou mesmo a melhor sobre o Subaru de Carlos Oliveira (5º) que só descansou a fechar o ‘top five’ depois do Mitsubishi Lancer de Eduardo Veiga ter perdido muito tempo enterrado numa berma da estrada.

Baralha e volta a dar
Se o rali organizado pela Demoporto – onde se notou a falta de promoção e também do público nas classificativas consideradas como as ‘catedrais’ dos ralis nacionais – esteve longe de sacudir a monotonia na luta pela vitória, permitiu, no entanto, agitar as contas do campeonato. Vítor Lopes aproveitou a ausência de Ricardo Moura para passar a dividir a liderança do campeonato com o açoriano, enquanto Pascoal ascendeu ao terceiro posto, mas sempre com os seus adversários na mira.
Já Meireles perdeu terreno para os homens da frente, enquanto Peres não foi especialmente produtivo na sua primeira colheita do ano e qualquer um deles deverá agora desprender-se da carruagem do título visto não estar nomeado para pontuar a próxima prova do CPR. É precisamente nesse rali, o Sata Rali dos Açores, em que Moura espera fazer a diferença e saltar novamente isolado para o comando das operações ou não conhecesse os cantos à casa como ninguém. Mas o melhor mesmo é esperar para ver…
Filipe Pinto Mesquita